O aniversário e a lombriga

O apetite infantil, especialmente o masculino, da minha casa anda me assustando um pouco. Os caras vivem com fome, querendo um lanchinho, jantam e ainda querem comer antes de dormir, não há Abílio Diniz que resista!  Mas já que criança tem e gasta muita energia, faz mil atividades e as calças compridas vivem comprovando que eles – de fato! – crescem muito, alimentá-los se faz necessário. (Abre parênteses: mãe é um bicho esquisito, vive reclamando que o filho não come, daí começa a reclamar que come muito, quem entende?).

Então, há as fases das comidas preferidas e não existe sacola retornável que aguente tanto feijão preto, farofa e tomatinho cereja que eles me pedem para comprar. Sabem aquela caixinha de tomatinho cereja? Uma quadradinha e pequenininha? Tenho que comprar três, uma para cada filho e por refeição! A última moda foi morango, eles queriam toda hora, sobremesa do almoço, lanche da escola e sobremesa do jantar. Descobri um caminhão de fruta aqui perto e compro logo quatro caixas de uma vez só. Não que seja o suficiente, nem para um dia. Eu mesma nunca consegui descobrir se o morango do caminhão é bom e Maridinho acha que isso aí é pura lenda, já que ele chega do trabalho depois do jantar das crianças e também nunca viu sobrar moranguinho algum na geladeira.

Num momento de desabafo, eu lá contando os últimos morangos e dividindo tudo exatamente por três, um grande para cada um, um médio, um pequeno e assim sucessivamente, já que não basta a quantidade, os tamanhos também contam (“ele ganhou um morango grandão e o meu pequenininhoooooo”, frase comum por aqui), falei:

- Gente, não é possível! Isso só pode ser lombriga!

As crianças são seres curiosos e basta uma palavra nova para quererem saber do que se trata:

- O que é lombriga, Mamãe?

Vou dispensá-los da explicação do que é uma lombriga, não sabe? Joga no Google. Mas a verdade é que os meninos gostaram dessa idéia de ter um bicho na barriga que precisa comer (quem entende as crianças??) e até apelidaram suas lombrigas. Respectivamente: “Lumbi-Lumbi” e “Biguinha”, as minhoconas loconas e esfomeadas que moram na barriga do Joaquim e do Pedro.

A Manu não viu graça nenhuma nessa história de lombriga na barriga e acho que as meninas são meio assim. Esse papo mais nojentinho não é muito a praia delas, preferem falar de princesas mesmo. Ela terminou seus últimos morangos, escovou os dentes, lavou as mãos e foi fazer a lição. Já faz tudo sozinha, cheia de responsabilidade e da tal autonomia, aquela palavra-chave das escolas de hoje em dia, conhecem?

Manuela completará cinco anos nesse mês de Junho, no p´roximo domingo, dia 24 e isso tem sido um “plus” na hora de fazer a data exigida na lição de casa. Ela foi lá, olhou no calendário e disse: “11 de Junho”. Firmou o dedinho indicador no número 11 do calendário e com o indicador da outra mão foi contando quantos dias faltavam para o tão esperado dia 24.

- Treze, Mamãe! Treze! Faltam treze dias para o meu aniversário!

Terminou a sua lição concentradíssima, apesar da gritaria dos irmãos falando bobagens sobre lombrigas, minhocas, melecas, cocô, xixi e pum!

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Pesadelos de gêmeos

Uma das delícias de ter mais de um filho é reviver as fases fofinhas. Claro que as ruins também acabam sendo revividas, é inevitável, mas nessas horas, da segunda vez da fase ruim, a gente tem que mentalizar o fato de não ser mais mãe de primeira viagem e ter certeza de que vai superar as dificuldades com mais maturidade e sabedoria, certo???

Pois, com gêmeos não é nada disso, é tudo junto! A fofura e as gracinhas vêm em dobro!! Assim como as dificuldades… E quando eu digo dificuldade é dificuldade mesmo. Em dobro?? Sim, tudo dobrado! Tudo junto? Sim, quase simbiótico. Lembrando que o Joaquim e o Pedro nasceram exatamente no mesmo minuto, não poderia ser diferente mesmo.

Por exemplo: eles fazem cocô na mesma hora! Não é brincadeira e nem piada, é fato. Agora, resolveram regredir no desfralde e fazem xixi na calça diariamente, às vezes mais de uma vez. Os dois, é claro.

Mas o que mais me surpreendeu foi que entramos de verdade na fase dos pesadelos. Teve uma noite na semana passada em que o Joaquim acordou aos prantos e corri lá:

- Mamãe, eu tava sonhando com um pesadelo! Quero ir dormir na sua cama!!

E foi, óbvio. No meio da nossa caminhada meio dormindo e meio acordada pelo corredor, eu perguntei o que tinha no pesadelo e ele me respondeu que as suas mãos estavam cheias de sapos.

Dormimos todos juntos, Maridinho, eu e Joaquim no meinho. Mas não durante a noite toda. Acho que uma hora depois, acorda o Pedro também:

- Mamãe, eu tive um pesadelo, preciso ir dormir na sua cama!

E daí, como faz? Pedi para ele esperar um pouco, carreguei o Joaquim capotado de volta para a sua cama e levei o Pedro, era a vez dele, afinal. Novamente, no meio da travessia do corredor, perguntei sobre o pesadelo e descobri:

- Mamãe, tinha um sapo mordendo o meu joelho!

Viram? Cocô, regressão e pesadelos tudojuntomisturadoaomesmotempoagora!

Mas a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro, a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro, a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro, a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro, a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro.

(Dá licença? Tô mentalizando!).

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O FILHO VOLTOU A FAZER XIXI NA CALÇA???

Verdade seja dita: que mãe nunca experienciou um comportamento regressivo de um filho? E, por comportamento regressivo entendam voltar a fazer alguma coisa que já não fazia mais por maturidade adquirida. Assim, quem nunca ouviu uma mãe dizendo que o filho voltou a usar chupeta, tomar mamadeira, fazer xixi na calça ou chorar ma porta da escola depois de uma linda e bem sucedida adaptação? Situações comuns, principalmente na época da chegada de um irmãozinho ou irmãzinha.

No meu caso, vivi um apego mega master blaster da Manu com a sua imensa coleção de chupetas quando o Joaquim e o Pedro nasceram. Normal, normalíssimo. Nem cheguei a me descabelar, uma vez que a chupeta era uma muleta e um acalma bebê poderoso. Hoje em dia, a chupeta mora no passado, ou melhor, no Pólo Norte, onde habita o bom velhinho de barba branca.

Com os meninos, nada regressivo… até umas semanas atrás.

Posso dizer hoje que tiveram um desfralde rápido e tranquilo, a fralda noturna então, mais fácil ainda, pois foi tirada quando eles já estavam bem condicionadinhos a não fazer mais xixi à noite. Quando dormiam de falda e sentiam vontade de ir ao banheiro, levantavam sozinhos, tiravam a fralda e faziam xixi na privada. Tudo beleza. Até algumas semanas atrás, como eu disse.

Os meus meninos, assim como grande maioria das crianças, têm aquele hábito de não querer de parar o que estão fazendo (leia-se: brincando) para ir ao banheiro e algumas escapadelas e molhadelas de cuequinhas são freqüentes.  O Pedro percebe na hora e corre para o banheiro terminar o serviço. O Joaquim, não. Faz tudo durante a brincadeira e continua brincando, nem se incomoda. O Pedro faz gracinha para o Joaquim, que literalmente molha as calças de tanto rir. Por mais que eu fique em cima, levando ao banheiro como se fosse um recém-desfraldado, não rola e escapa. Tive uma conversa mais séria com  Joaquim, no meio de uma festinha, ocasião em que ele fez xixi na roupa e acabou ficando sujo e molhado mesmo, pois carregar bolsa com troca de roupa para um moleque de quase 4 anos, é para os fracos, ou para as mães que não têm 3 filhos para carregar por aí, bagagem suficiente.

Voltando à conversa, descobri que o menino Pedro tem autorizado o menino Joaquim a fazer xixi na calça!!! Ele percebe que o irmão gêmeo mais velho tá lá se contorcendo de vontade, segurando o pipi e diz:

- Pode fazer, Quiquim!

E assim, ele faz xixi na cueca, na calça, na bermuda, na meia, no tênis, em casa, na festa, na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê.

Daí, não sei  fico na dúvida sobre o que é pior: o comportamento regressivo ou a autoridade do irmão gêmeo mais novo ser maior do que a da própria mãe.

O que será que me aguarda num futuro próximo?  E num distante?

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O IRMÃO MAIS NOVO E A MOSQUETEIRA

Mesmo já tendo 3 filhos e tendo brincadeiras e companhia suficientes, gosto de casa mais cheia ainda! Então, em uma sexta-feira, foi a vez dos meninos escolherem um amigo cada um para vir brincar em casa de manhã, almoçar e depois ir junto para a escola. O Pedro escolheu uma amiga e o Joaquim, um amigo que também trouxe a irmãzinha. Portanto, eram 6 crianças em casa.

A amiguinha do Pedro virou melhor amiga da Manu e foi uma graça, elas passaram a manhã juntas, correndo de mãos dadas e inventando brincadeiras. E, no final, elas se renderam às fantasias e os acessórios (coroas, colares e etc) da Manu. A amiguinha escolheu a fantasia da Mosqueteira e foi para a escola fantasiada, já que era o dia do brinquedo e isso é permitido. A Manu também autorizou o empréstimo da fantasia e reforçou: “pode ir de fantasia para a escola e pode levar para a sua casa, outro dia você me devolve”.

Menos de meia hora após o desembarque da galera na escola, recebo uma ligação da professora do Pedro e da pequena Mosqueteira. Só de ver o número da escola aparecendo no identificador de chamadas do meu celular, a minha espinha já gela. Ainda bem que dessa vez foi diferente. Vejam só o papo com a professora:

- Olha, Camila, eu não sei muito bem como agir, pois o Pedro e a Mosqueteira chegaram juntos e estão discutindo por causa da fantasia. Cada um tem um “combinado” diferente e eu preciso da sua ajuda para intervir. A Mosqueteira está dizendo que a Manu emprestou a fantasia para ela levar para casa no fim de semana, enquanto o Pedro está exigindo que ela tire a fantasia e a devolva, pois é da irmã dele.

Não pude evitar a gargalhada e falei para a professora que o “combinado” da Mosqueteira era o correto e assim, ela poderia levar a fantasia para a sua casa.

No domingo à noite, recebi em casa uma sacola com a fantasia da Manu e uns brigadeirinhos deliciosos como agradecimento. O Pedro pôde relaxar e ficar tranquilo, pois garantiu o retorno da fantasia da irmã. O pai da Manu também ficou bem tranquilo, afinal com um irmão mais novo como cão de guarda da irmã mais velha, parece que ninguém vai ter muita chance com a Manu…

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As eternas diferenças entre os gêmeos

O Joaquim e o Pedro compartilham o mesmo DNA, mas como são bem mais do que uma carga genética, são absolutamente diferentes.

As diferenças de gostos e personalidades sempre foram notadas e tudo bem. Mas a dificuldade do momento é lidar com as diferenças demonstradas nas habilidades.

O Pedro desenha super bem, melhor até do que a Manu, que é mais velha (que feio! Olha a mãe comparando os filhos! É verdade, mas isso eu só falo para vocês, nunca pra eles). E o Joaquim aprendeu a nadar sozinho.

Obviamente, cada desenho é elogiado, assim como cada mergulho também é comemorado. Mas, a partir daí, o Joaquim passou, mesmo que discretamente, a “estragar” os desenhos do irmão. Assim como o Pedro passou a demonstrar certo medo e resistência com água.

Apesar de eu não gostar da expressão “ele está fazendo isso para chamar a sua atenção”, preciso concordar com ela agora. Quer dizer tudo e não quer dizer nada, é como um diagnóstico de virose. E daí, faz o quê? Qual é o tratamento?

Eu não acho que os irmãos gêmeos merecem mais atenção do que quaisquer irmãos não-gêmeos na questão da comparação de conquistas e habilidades. É lógico que precisamos medir as expectativas de acordo com a faixa etária de cada criança, mas eu procuro lidar com essas diferenças de maneira geral, sem chamar ainda mais atenção pelo fato deles serem gêmeos. Só que eu tenho um facilitador que é a Manu, eu não tenho apenas gêmeos. Considero então  que eu tenho 3 filhos praticamente com a mesma idade e que me confrontam com essas questões diariamente. Eu não posso exigir que os meninos consigam fazer coisas que a Manu já faz, mas eu não os cobro por isso. Tudo na hora certa.

Enfim, aqui em casa são 3 individuozinhos muito diferentes e festejados por isso, no entanto, a reação do Joaquim diante do desenho do Pedro e a reação do Pedro diante do irmão nadador passou a me preocupar.

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E aí, cadê as leitoras universitárias desse blog?

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