O feedback do cachorro e a outra campanha

Eu jamais imaginaria que um post sobre a possibilidade de dar um cachorrinho para as crianças repercutiria tanto. Agradeço imensamente por todos os comentários, as dicas e a ajuda em geral. Vocês são o máximo! E me sinto na obrigação de dar um feedback sobre esse assunto.

Na data da publicação do post, Maridinho estava viajando a trabalho, passou 3 dias fora e, quando voltou, além de ter que matar as saudades, tinha um mooonte de comentários para ler. Muito se falou na companhia que os cachorros fazem, no carinho e na relação que estabelecem com as crianças. Tudo lindo, mas, na maioria das vezes, vinha o tal “porém”: “olha, cachorro dá muito trabalho e etc.”. E foi a isso que ele se ateve e comentou comigo:

- Você viu só o que todo mundo disse? De como os cachorros dão trabalho, apesar de todo o resto.

Até ouvi uma conversa entre ele e a Manu:

- Papai, porque você não deixa a gente ter um cachorrinho?

O cara foi categórico e não se sensibilizou:

- Filha, o que você prefere ter em casa: um cachorro ou o Papai?

Ela escolheu o pai e a conversa terminou por aí.

Mas, não pensem vocês que ele é um cara insensível, nada disso. O detalhe que eu não mencionei é que ele tem feito uma campanha nada secreta para o nosso quarto filho. Incrível a sintonia do casal: um quer cachorro, o outro quer filho…

Não pensem vocês também que ele tem algum problema mais comprometedor. Ele nunca foi reprovado nos psicotécnicos da vida, avaliações psiquiátricas ou psicológicas. Maridinho é apenas uma pessoa que gosta de trabalhar nos limites dos nossos recursos estruturais, financeiros, físicos, emocionais e nasceu para ver o fenômeno da multiplicação dos pães do amor. Bonito isso, né?! Mais bonito seria se eu não tivesse aposentado as minhas lentes cor-de-rosa da maternidade, ou se as usasse com mais frequência, para ser sincera.

A maternidade é linda e às vezes cor-de-rosa, tudo aquilo que a gente vê e dá o “like” de coraçãozinho no Instagram (@camiladuartegarcia). Porém, … melhor nem começar com o porém, não acham?

Eu tenho uma vontade absurda de completar a família com mais um filho, mas, mas, mas…

A verdade é que eu custei a chegar até onde cheguei hoje com as crianças. As idades tão próximas quase me enlouqueceram no início, mas hoje enxergo isso como uma grande vantagem: interesses e atividades semelhantes. Isso me livra da culpa de ter que me “dividir” em três, assim como a atenção partida e cronometrada, pois é possível fazer tudo com os 3 ao mesmo tempo. Pode parecer bobagem, mas não tem preço. E a gente sabe que um bebezinho chegaria para “desestruturar” tudo isso (desculpa por falar assim, babyzinho!).

Nada contra a desestruturação que os bebês causam, pois eu sei o valor de um sorriso banguela e careca, mas como ficariam Manu, Joaquim e Pedro diante de uma mãe com um bebê? Eu me sinto exatamente com as mesmas aflições de uma mãe na dúvida entre ter ou não o segundo filho.

As crianças sabem de todos os nossos projetos e campanhas. Se eles querem um cachorro? “Sim! Sim! Oba! A gente quer! Pode ser hoje?”. E sobre um irmãozinho/irmãzinha, a resposta é um reticente, quase inaudível “sim…” de nariz torcido.

E eu vou vivendo assim, em cima do muro e agarrada à pureza da resposta das crianças.

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Ciúmes do Papai

Manuela tinha exatamente 1 ano, 1 mês e 1 dia de vida, meio dente na boca e meia dúzia de fios de cabelo na cabeça. Usava um vestido de veludo lindo de morrer: fundo branco, flores em cinza. Meia-calça de lã branca e um mantô acompanhavam, pois estávamos em uma noite de Julho, num inverno frio e a ocasião específica era o aniversário do Maridinho.

Apesar de ser o aniversário do pai, Manuela reinou absoluta por todas as suas gracinhas, pelo modelito, pela decoração no topo do bolo e por ser a única da criança da família. Eu me resumia a uma barriga de 34 semanas de gêmeos, um nariz de batata, uma legging e um camisão bem solto. Coisa linda de ver.

Ela cantou parabéns no colo do pai e, sendo bem sincera, não me lembro se bateu palminhas, mas encantou a todos de qualquer forma. Assim que terminou o parabéns, Maridinho assoprou as velas e, em seguida, dei-lhe um beijo e um abraço de feliz aniversário. Foi exatamente nesse momento que a Manu me empurrou pela primeira vez, na tentativa de afastar-me do Papaizinho (só) dela. A cara típica de braveza e a primeira reação de ciúmes.

Muitas outras vieram com os mais de 4 anos que se passaram desde essa cena. Hoje, com “certa maturidade” já não me empurra mais, mas está sempre se enfiando no nosso “meinho”.

*****

Comprei um par de raquetes de frescobol e uma bolinha. Eu adoro jogar frescobol e, modéstia à parte, jogo bem pra caramba. Confiei na “maturidade” dos meus filhos, na praia vazia e na capacidade de entretenimento deles por baldinhos, pazinhas e tralhas afins que costumamos levar para a praia. Aproveitei um momento tranquilo das crianças e chamei o Meu Marido para estrear as novas raquetes.

Os meus filhos imediatamente pararam a brincadeira do momento para observar o que aqueles dois adultos ousaram fazer. Ok, o Joaquim e o Pedro curtiram assistir à partida dos pais. Filhinhos da Mamãezinha que são, desenharam bandeiras em minha homenagem na areia e gritavam na torcida:

- Mamãe! Mamãe! Mamãe!

Já a Manu, meu Deus! As raquetes e a bolinha despertaram a ira da menina. Com a mesma cara de brava de sempre, ela passava no meio do jogo, apesar de ter sido advertida do risco de levar uma bolada na cabeça, me empurrava (hello, 1 ano, 1 mês e 1 dia de idade!), dizia que estava com sede, com fome, com frio, com calor, cansada, com vontade de ir ao banheiro e de ir embora, pois estava tendo “o pior dia de sua vida”.

Afinal, como é que esses caras têm coragem de ficar frente a frente, rebatendo aquela bolinha sem parar, concentrados no jogo e apenas no jogo e, o pior, se divertindo?

Em menos de 10 minutos, ela me venceu:

“- Ok, sua Ciumentinha, pode jogar com o Papai”, disse-lhe entregando a raquete e os pontos.

Ela aceitou a raquete e me respondeu:

- Sua Namoradeira!

(Freud debate-se no túmulo e me grita: “EU JÁ SABIA!!”).

Cara de brava que sempre nos acompanha. Seja por não poder ficar com a clutch da Vovó ou com o Papai!

 

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Medos: cobras, lagartos, pai e mãe

Manuela tem sentido medos. Os meninos também, porém são bastante diferentes. Eles aparecem no meu quarto no meio da noite dizendo que tem cobras, baratas e formigas em suas caminhas ou embaixo delas. Isso é, quando conseguem sair da cama, pois de vez em quando o medo é tão real, os bichos horrorosos são tão verdadeiros que não têm nem coragem de levantar e apenas me chamam aos gritos para socorrê-los.

Às vezes sonham com bruxas e outros personagens “do mal” ou simplesmente sentem medo do escuro. Já tô acostumada e acho mesmo que faz parte.

Mas, como disse, a Manu anda medrosa e o medo mudou. Trata-se, agora, de um medo relacionado a mim e ao Maridinho.

Há algum tempo, ele estava trabalhando com o caso de um cliente no nordeste, o que exigiu viagens frequentes para lá. Não basta ser longe, tem que ser extremamente difícil de chegar (avião, aviãozinho e carro), o que significa uns 3 dias para apenas uma reunião ou um papo com o juiz e, o pior: a coisa toda acontece em uma cidadezinha conhecida pelo serviço mais precário de internet e celular do nosso país. Ou seja, a desconexão é quase total e a saudade, geral!

O caso do Piauí aparentemente acabou, ou melhor, não requer mais viagens. No entanto, a mocinha pergunta aflita e semanalmente se o Papai precisará ir pra lá. Às vezes, ela dorme além da conta (aleluia, amém!) e acorda após o horário da saída dele para o escritório. Isso rende um chororô eterno, lágrimas em excesso, mágoa e tristeza sem fim, um drama! Ou, outras vezes, ele chega após o horário de dormir das crianças. Quando percebo que eles não aguentam mais esperar, coloco a galera na cama, mas ela não dorme. Fica lá quietinha na cama e, ao tão esperado som da porta abrindo, levanta aos pulos e se pendura no pescoço do pai.

Comigo é diferente, já que passamos muito mais tempo juntas. Ainda assim, ela acha motivos para reclamar. Esse ano, Manuzinha mudou de escola e passou a sair um pouco mais tarde, às 18h. Só que, quando termina o horário de verão, na hora da saída já está de noite, o que é motivo para o drama:

- Mamããããããeeeee, eu não quero ficar na escola até de noiteeeee!! Assim eu passo pouco tempo com vocêêêê!

Um mínimo arranhão ou uma picada de pernilongo são motivos suficientes para ela tentar negociar uma “ficada em casa com a Mamãe e não ir para a escola até de noite”.

Mas, o mais difícil para mim, aconteceu durante as férias, período em que ficamos grudadinhas o tempo todo, nada de “escola noturna”. Manuela saiu do banho, enrolada na sua toalha de capuz de gatinho, coisamaislindadedeus, me segurou o rosto e falou muito séria:

- Mamãe, você promete que nunca vai trabalhar no escritório igual ao Papai?

Eu prometi e juro que prefiro gritos histéricos de madrugada por medo de cobras e lagartos.

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