UM FILTRO A MAIS

Já faz tempo que eu criei, no meu computador, uma pasta chamada “rascunhos mamãe tá ocupada!!!”. Outro dia, fui olhar o que estava ainda no formato rascunho e me dei conta que são muitos, mas muitos posts inacabados. Estranho isso, já que eu sempre publiquei tanto e continuo escrevendo quase que diariamente. Só que eu não consigo terminar os meus textos e publicá-los. Então, munida de coragem e disposição, resolvi eliminar os rascunhos e finalizar todos os textos para agitar o blog.

Missão impossível, gente!

No entanto, entendi uma série de coisas a respeito dessa “lentidão bloguística”.

A minha verdade-verdadeira é que a maternidade atingiu um nível em que não é mais possível compartilhar, contar, narrar, relatar e perguntar tudo o que se quer.

Outro dia, eu estava no maior papo com um grupo da minha família no whatsapp e a Manu estava do meu lado, lendo e acompanhando as mensagens. Daí, ela me fez uma pergunta sobre o assunto em questão e eu lancei a pergunta dela para a minha família. No instante em que leu a mensagem enviada, Manuela se manifestou bravamente:

- Ei, Mamãe, não era para falar isso pra eles!

Ei * Mamãe * não * era * para * falar * isso * pra * eles *.

Essas palavras não saem da minha cabeça, assim como na minha cabeça de adulto, não era nada de mais, era apenas uma pergunta fofa e engraçadinha da minha filha. Foi aí que me dei conta dos meus 556 posts publicados: quanto de tudo aquilo poderia despertar a braveza dos meus filhos? Fazê-los com que se sentissem expostos para um bando de desconhecidos?

Se antes eles eram bebezinhos e faziam um monte de gracinhas fofas de contar para o mundo, agora são pessoinhas, que atingiram uma nova fase de vida, com outras questões. Não digo problemas, mas aspectos mais profundos e mais reflexivos. É isso o que a maternidade adquiriu: profundidade e reflexão. É lógico que esses aspectos sempre existiram, mas muito mais em relação a mim como mãe. Mas hoje também enxergo neles essas características.

Manuela é a grande inauguradora de fases, mas puxa junto os seus irmãos gêmeos mais novos e isso me dá a maior trabalheira. Trocar fralda e administrar a rotina de 3 bebês sempre foi exaustivo e trabalhoso, mas fazer esse gerenciamento de recursos mini-humanos também me consome. Desculpem se o tom é negativo, o sentido dessa nova fase da maternidade não é esse, trata-se apenas do reconhecimento de que os bebês desapareceram, eu tenho “pessoas de verdade” em casa. São seres humanos incríveis, bacanas até o último fio de cabelo, mas sinto que precisam de uma certa preservação. Ou seja, não me sinto à vontade para expor as “grandes questões” do momento. Só isso. Não é o fim do blog, apenas um blog com filtro a mais, porque “Ei, Mamãe, não era para falar isso pra eles” me doeu profundamente.

(E como todas as fases da maternidade, me avisaram que esse dia chegaria. E como todas as fases da maternidade, eu nunca imaginei que chegaria tão cedo.)

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Dá para mudar o foco??

Eu levanto todos os dias de manhã e vou ao banheiro para começar o dia com um mínimo de dignidade. Fazer xixi, escovar os dentes e lavar o rosto, certo? Então, reparo na bancada da minha pia e vejo que está tudo arrumadinho, bem bonitinho até, em cestinhas e copinhos , mas quero mudar e rearrumar tudo. Ah, e lógico fazer um post sobre o assunto. Daí, corro para procurar alguma coisa para botar nos pés, uma pantufa ou uma daquelas meias-sapatinha com elástico. Inevitável dar uma olhada nas minhas bijuzinhas que ficam por ali e acho tudo sem graça, bagunçado e impossível de visualizar. Também me dá vontade de arrumar de uma maneira mais charmosinha e escrever sobre isso. Com todas as estantes da minha casa, a mesma coisa. Com os brinquedos das crianças, idem. Com os armários da cozinha, idem idem. Tudo bem que eu tenho mania de arrumação, mas dou uma olhada rápida nas notícias e polêmicas do momento e quero escrever sobre essas coisas também. Sobre o Ades de maçã, a PEC das empregadas domésticas, a final do Big Brother, o Mulheres Ricas , a Dani Calabresa do CQC, o Feliciano, o Papa Francisco e, vejam que loucura, sobre quem será o pai da filha da tal modelete.

Então, eu penso em mudar o foco desse blog. Penso num nome que possa abranger todos os assuntos, afinal eu nem pareço mais tão ocupada assim, tô com tempo de sobra para viajar filosofar sobre esse monte de coisa aí.

O tempo, na verdade, voa e quando me dou conta, já é hora de preparar as lancheiras e mochilas para mais um dia de escola das crianças. Precisamos almoçar e nos arrumar para sair, sempre atrasados e com os minutos contados.

A lancheira pode virar uma guerra, já que as crianças querem saber porque não podem levar banana split (!!!) de lanche, ou mesmo um potinho de gelatina: “é só colocar uma tampa que não vai vazar e pingar, Mamãe!!!”.

As mochilas transbordam de tanto papel, bilhetes e desenhos que eles insistem em guardar. Além disso, perguntam diariamente “hoje é o Dia do Brinquedo?” e é comum tentarem enfiar algum brinquedinho mínimo sem que eu perceba.

Na hora do almoço, a coisa vai bem, eles comem sem problemas e sozinhos. Mas cada um quer um suco diferente, uma sobremesa diferente, brigam para ver quem vai sentar do lado de quem, fazem “competição” de quem termina primeiro, de quem comeu mais e, é lógico, insistem na tal da banana split.

Eu saio para levá-los à escola e a briga começa no hall do meu andar. Mais briga: quem aperta o botão de chamar o elevador, quem aperta o botão da garagem, quem abre a porta, quem sai primeiro, quem senta no banco do meio do carro e, a disputa final: qual música vai tocar a caminho da escola. A preferida da Manu (Gangnam Style, do Psy ou Moves Like Jagger, do Maroon 5), a do Joaquim (We are Young, do Fun com Janelle Monáe) ou a do Pedro (Your Song, do Billy Paul).

Deixo os 3 na escola e me sinto mais leve, tamanha a exaustão e o estresse desses momentos todos. Volto a pensar no meu blog e no foco que quero dar a ele. Mudar? Impossível! Isso é para os fracos! Deixo os assuntos variados para a timeline das minhas redes sociais, sou team maternidade da cabeça aos pés e muito ocupada, sim senhor!

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O feedback do cachorro e a outra campanha

Eu jamais imaginaria que um post sobre a possibilidade de dar um cachorrinho para as crianças repercutiria tanto. Agradeço imensamente por todos os comentários, as dicas e a ajuda em geral. Vocês são o máximo! E me sinto na obrigação de dar um feedback sobre esse assunto.

Na data da publicação do post, Maridinho estava viajando a trabalho, passou 3 dias fora e, quando voltou, além de ter que matar as saudades, tinha um mooonte de comentários para ler. Muito se falou na companhia que os cachorros fazem, no carinho e na relação que estabelecem com as crianças. Tudo lindo, mas, na maioria das vezes, vinha o tal “porém”: “olha, cachorro dá muito trabalho e etc.”. E foi a isso que ele se ateve e comentou comigo:

- Você viu só o que todo mundo disse? De como os cachorros dão trabalho, apesar de todo o resto.

Até ouvi uma conversa entre ele e a Manu:

- Papai, porque você não deixa a gente ter um cachorrinho?

O cara foi categórico e não se sensibilizou:

- Filha, o que você prefere ter em casa: um cachorro ou o Papai?

Ela escolheu o pai e a conversa terminou por aí.

Mas, não pensem vocês que ele é um cara insensível, nada disso. O detalhe que eu não mencionei é que ele tem feito uma campanha nada secreta para o nosso quarto filho. Incrível a sintonia do casal: um quer cachorro, o outro quer filho…

Não pensem vocês também que ele tem algum problema mais comprometedor. Ele nunca foi reprovado nos psicotécnicos da vida, avaliações psiquiátricas ou psicológicas. Maridinho é apenas uma pessoa que gosta de trabalhar nos limites dos nossos recursos estruturais, financeiros, físicos, emocionais e nasceu para ver o fenômeno da multiplicação dos pães do amor. Bonito isso, né?! Mais bonito seria se eu não tivesse aposentado as minhas lentes cor-de-rosa da maternidade, ou se as usasse com mais frequência, para ser sincera.

A maternidade é linda e às vezes cor-de-rosa, tudo aquilo que a gente vê e dá o “like” de coraçãozinho no Instagram (@camiladuartegarcia). Porém, … melhor nem começar com o porém, não acham?

Eu tenho uma vontade absurda de completar a família com mais um filho, mas, mas, mas…

A verdade é que eu custei a chegar até onde cheguei hoje com as crianças. As idades tão próximas quase me enlouqueceram no início, mas hoje enxergo isso como uma grande vantagem: interesses e atividades semelhantes. Isso me livra da culpa de ter que me “dividir” em três, assim como a atenção partida e cronometrada, pois é possível fazer tudo com os 3 ao mesmo tempo. Pode parecer bobagem, mas não tem preço. E a gente sabe que um bebezinho chegaria para “desestruturar” tudo isso (desculpa por falar assim, babyzinho!).

Nada contra a desestruturação que os bebês causam, pois eu sei o valor de um sorriso banguela e careca, mas como ficariam Manu, Joaquim e Pedro diante de uma mãe com um bebê? Eu me sinto exatamente com as mesmas aflições de uma mãe na dúvida entre ter ou não o segundo filho.

As crianças sabem de todos os nossos projetos e campanhas. Se eles querem um cachorro? “Sim! Sim! Oba! A gente quer! Pode ser hoje?”. E sobre um irmãozinho/irmãzinha, a resposta é um reticente, quase inaudível “sim…” de nariz torcido.

E eu vou vivendo assim, em cima do muro e agarrada à pureza da resposta das crianças.

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OS MALAS

Eu podia estar fazendo uma bela mala de executiva top de linha: sapatos, bolsas e roupas incríveis para enfrentar a primeira classe das melhores companhias aéreas e viajar o mundo por motivos de negócios milionários… Mas, não. Vejam o que eu faço (quase) TODOS OS DIAS da semana:

Domingo à noite: mala do judô do Joaquim e do Pedro na escola;

Segunda: mala da Manu, do Joaquim e do Pedro para a natação no clube;

Terça: mala do judô do Joaquim e do Pedro na escola + mala da Manu para a natação na escola;

Quarta: mala da Manu, do Joaquim e do Pedro para a natação no clube + mala da Manu para a natação na escola;

Quinta: mala da Manu para a natação na escola;

Sexta: mala da família inteira para a praia;

Sábado: “livre”;

Domingo de tarde: mala da família inteira para a volta da praia (incluam aí uma boa dose de areia e água do mar, por favor).

Ou seja, o glamour das atividades extra-curriculares da maternidade resume-se a toucas, óculos de nadar, sungas, maiôs e quimonos. O sapato é baixo, bem no estilo tocando o chão. E a bolsa, molenga, grande e lotada de acessórios e itens do vestuário infantil.

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O meu futuro quarto filho

Não é segredo para ninguém que os meus filhos não foram planejados. Desejados sim, e muito, mas bastou dizer “sim” ao padre e ao juiz e, pronto! Estava aberta a fábrica de filhos.

Foram 3 filhos em 2 anos, 1 mês e 24 dias de casamento, daí a fábrica precisou de um certo “planejamento familiar”. As máquinas pararam de funcionar um pouquinho, a produção também, só os funcionários da criação estavam a todo vapor, em turnos de revezamento, mas parar, jamais! Impossível!

Eu ouvi e ouço muito “agora você fechou a fábrica, né?! Teve tudo de uma vez, que ótimo, cria tudo junto, cresce tudo junto… Dá trabalho, mas é uma maravilha!”. A frase é um tantinho invasiva, quando eu penso que pode vir da moça do caixa do supermercado, da farmácia, da padaria, mas nunca deixei de concordar com ela. É a chamada “tática taxista”, quando você concorda com tudo na intenção de não prolongar um assunto pessoal que nada tem a ver com a pessoa que te abordou. (Os direitos autorais da tática são do Maridinho).

De fato, nunca discordei da máxima: “agora você fechou a fábrica”. Do ponto de vista literal, não fechei, mas do ponto de vista prático, fábrica fechada eternamente, como se todos os dias fossem feriados.

Pois é. Você vai lá, tem um filho atrás do outro, até em dose dupla, cria tudo junto, cresce tudo junto, eles vão crescendo, deixam de ser bebês e você acha que as suas tão sonhadas férias – 30 dias corridos – nas Maldivas vão se tornar realidade, afinal é o que você mais precisa. Mas, não. Férias são sempre benvindas, mas a minha vontade verdadeira é outra.

Eu detesto números ímpares e não é compulsão, é TOC mesmo, nunca compro nada de “um”. Nunca UMA caixa de leite. Pode ser uma emergência, mas levo duas. Sapatos? Sempre dois. (Pares, que fique claro). Graças à Deus, nasci em um dia par, mês par e os meus filhos, idem. Ufa! Então, como é que eu posso ter 3 filhos??

Já que não dá para devolver nenhum, preciso acrescentar. Já pensei nas mudanças emocionais e estruturais que um quarto filho exigiria. É claro que muita coisa não me parece viável para, sei lá, daqui uns 9 meses, mas adoraria encarar.

Eu adoraria ser mãe novamente, viver tudo de novo, a parte cor-de-rosa e a parte trash. Certamente com mais maturidade e informações, tomaria algumas decisões de forma diferente, já que trata-se de uma outra fase da vida em que eu já sei direitinho para que serve um cueiro, por exemplo e para quê não serve um esquentador de mamadeiras elétrico.

Tem gente que sonha com o que faria com uma bela grana caso ganhasse na Mega Sena. Eu sonho com uma família de quatro filhos. (Com uma bolada da Mega Sena também, é lógico!). E, já que é sonho, tudo cor-de-rosinha, posso falar? Queria outra menininha! Gêmeos de novo, não! Cairia num número ímpar de novo e o negócio complicaria, certo?

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PS: Pai, Mãe, não se preocupem, eu não estou planejando ou tentando nada. (EU NÃO ESTOU GRÁVIDA.)

PS2: Quem sonha pode se esforçar para ver o sonho realizado. Só digo que amanhã serei uma jovem senhora de 32 anos e, portanto, eu tenho um certo prazo de validade para a minha “vida fértil descomplicada”.

PS3: Isso tudo pode ser um grande delírio de uma jovem senhora que foi mãe relativamente muito jovenzinha e agora tá vivendo o tal “babyboom” das amigas. Uma fase? Uma vontade? Tudo isso passa??

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