Canja de galinha não faz mal a ninguém

Nessa segunda-feira, o grande dia da volta às aulas (a mãe que não comemorou que atire a primeira pedra!), o despertador tocou e eu xinguei feio. Afinal, tinha motivos: o barulhinho irritante interrompeu um sonho incrível em que eu estava entregue aos cuidados e mimos de um cabeleireiro caro, fresco e high tech (interpretações são desnecessárias aqui).

Ju-ro que não estou me queixando das férias, não. A verdade é que os últimos meses por aqui foram meio atribulados. Aliás, gostaria de saber quando é que a vida de uma mãe não é atribulada. Acampamento? Internato? Intercâmbio?

Enfim, começou no feriado de primeiro de Maio e não deu sossego até quase agora. Apostei nas férias, em um lugar com ar puro, comidinha mais fresquinha e natural, mas… nada!!! As crianças engataram uma doença na outra… desde Maio!

A indústria farmacêutica tá felizona comigo, foram litros de anti-térmico, anti-alérgico, remédios para o nariz, para enjôo, pomadas mil e até antibiótico. Eu chego na farmácia da esquina, onde sou cliente VIP, e recebo olhares de pena dos funcionários. Eles já devem saber os dados dos meus filhos de cabeça: nome, idade e peso para preencher as receitas médicas mais hardcore. O próximo passo é vender antibiótico sem receita e sem desconfiança, afinal sou uma mãe de 3 filhos que compartilham vírus e bactérias non-stop!

Já culpei a vacina da gripe e a sua não confirmada cientificamente reação. Já investi em fitoterápicos. Assim como em vitaminas. Agora vou apelar para o Papa Francisco, que ele sim é bom milagres!!

Tem gente que acha que o inverno deixa as pessoas mais elegantes. Eu discordo. Acho de uma deselegância sem tamanho ficar em ambientes fechados, com temperaturas baixíssimas, compartilhando doença. Como é que a gente cumpre aquela famosa recomendação dos ambientes arejados???

Como se não bastasse tudo isso, perdi toda a minha dignidade tirando carrapato da família inteira após um passeio a cavalo em um hotel fazenda. Família inteira, gente! Arrancando carrapato de lugares impublicáveis nesse blog de família. Se escapava um, ele já saía botando ovo e se multiplicando. Entendi na pele o conceito de praga. E de filho criado nos moldes urbanos:

- Olha, Mamãe, achei um tatu-bola no tapete da nossa sala!

- Larga isso, Joaquim, é um carrapato gigante!

Enquanto um confunde tatu-bola com carrapato, tem um outro que me avisa quando está com febre.

- Mamãe, a minha testa tá quente.

Termômetro velho de guerra apitou nos 38 graus. Obrigada pela ajuda, Pedro.

E assim foi. Ou tem sido? Não passei um dia sem dar um beijinho disfarçado na testa dos meus filhos a fim de conferir a temperatura deles para então confirmar com o termômetro que, aliás, é um sobrevivente dessa época sombria. Aguentou firme, forte e trabalhou mais do que a minha máquina de lavar roupa!

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Mas e com vocês, tudo bem?

Um segundo semestre cheio de saúde para todos nós!

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A MOCHILA PINK-BRILHANTE DA BARBIE QUE A MINHA FILHA AINDA NÃO QUER

Esse ano escolar que iniciou muito recentemente é o meu 5º. como mãe de pequenos “estudantes”. Nos 4 anteriores, não precisei me preocupar com mochilas para os meus 3 filhos, pois eram obrigatoriamente padronizadas com cores e logo da escola e incluídas na taxa de material, iniciativa que me agrada bastante.

Porém, Manuela acabou de ingressar no ensino fundamental e as coisas mudaram: liberaram as mochilas! Proibiram as de rodinhas e determinaram um certo tamanho, para que os livros didáticos (minha filha usa livros didáticos e eu vou demorar o ano todo para me acostumar a isso) e a pasta de lição de casa caibam sem que nada amasse. Mas, o “tema” da mochila é absolutamente livre.

Detalhe: descobri isso UM dia antes das aulas começarem.

Abre parênteses: optei pela compra do material escolar na papelaria da escola. Comprei há um tempão, chequei item por item e tudo ok. Saí de lá apenas com a sacola dos livros didáticos (eles, de novo. Quando vou me acostumar?), o restante seria entregue em sala de aula. Não entendi o motivo de levar os livros para casa, mas achei legal tê-los, mostrá-los para a Manu e admirá-los (vai que eu me acostumo, né?!). Fecha parênteses.

Voltando para a reunião UM dia antes do início das aulas, descubro que aqueles livros didáticos passaram bom tempo das férias na minha casa pelo nobre motivo da necessidade de encapá-los e identificá-los. Ou seja, pareço boa mãe, mas não sei que livros didáticos devem ser encapados, etiquetados com o nome da minha filha e entregues no primeiro dia de aula.

Comprei todo o contact disponível na papelaria, virei a noite encapando livros didáticos e a minha filha se livrou do bullying do primeiro dia de aula.

Agora, voltemos à mochila.

Tinha uma em casa que se enquadrava no perfil solicitado, sem rodinhas e de bom tamanho. Estava novinha e tinha o desenho de uma princesa Disney que faz sucesso por aqui. Não é a princesa da última moda, ela já é quase vintage, por dizer. Mas estava em perfeita condição de uso, nem me preocupei muito, ou mesmo ofereci outra opção para a Manu.

Penso que uma abordagem para esse assunto poderia ser:

- Manu, você agora vai poder usar a mochila que quiser na escola! Vamos sair, escolher e comprar uma nova?

Mas optei pela seguinte:

- Filha, você vai poder usar a mochila que quiser na escola! Mas não poder ter rodinhas e precisa caber os seus livros e a sua pasta de lição de casa. Aquela da Ariel é perfeita! Você me ajuda a arrumar a mochila para o seu primeiro dia de aula?

Ela nem questionou, adorou me ajudar e desfilou feliz da vida com a Ariel nas costas.

No tão esperado primeiro dia de aula, chegamos à escola e notei um verdadeiro desfiles de mochilas modernas e coloridas, dos personagens da última “moda”. Vejam bem, EU notei. E é verdade que me preocupei que a Manu também notasse e quisesse a mochila da Barbie Pop Star ou da Merida, sei lá! Mas ela estava tão feliz com a Ariel – que nem rosa é! – e não ligou para o resto.

A verdade verdadeira é que eu não acho essas mochilas de personagens, as de meninos principalmente, a opção mais bonitinha para levar na escola e, muito menos considero o preço justo para carregar um feioso Ben 10 nas costas. Eu não compro, eles sabem disso, mas não proíbo de usar, caso sejam presenteados.

Ainda assim, no momento em que visualizamos tantas mochilas cheias de brilho e de muito rosa, cheirando à loja, fui tomada por uma fraqueza e por um medinho de que a Manu quisesse a última da Barbie-pink-brilhante do momento.

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A minha mãe é a pessoa menos consumista do mundo. Além dessa característica, também é cheia de princípios sobre o assunto. O fato dela usar (até hoje!!) um casaco de inverno que é mais velho do que eu, é piada na família, coisa que ela bem justifica:

- Ué, o casaco me serve, é bonito, está em bom estado e me esquenta bastante, porque eu não o usaria?

Essa é a minha mãe.

Porém, em uma ocasião em que eu poderia ser presenteada, algum aniversário durante a minha adolescência, eu imagino, fomos comprar o tal presente. A moda era ser grunge e eu queria seguir a moda. Escolhi um tênis preto de couro, cano alto, da moda e super caro. Ela torceu o nariz, mas me deu o tênis. Por um momento, achei que a minha mãe estava de fato satisfeita com o presente que havia me dado e quis me certificar:

- Gostou, Mãe?

Ela rebateu:

- Gostar mesmo, eu não gosto, não. Mas se é isso que você quer, fico feliz em te dar.

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Todos os pais têm os seus princípios e se esforçam em passá-los aos filhos. Consumismo e “mimo negativo” passam longe do árduo trabalho de educação que eu prezo, valorizo e coloco em prática com os meus filhos. Mas a sensação é de uma total reviravolta de atitudes diante da mínima hipótese de imaginar os tão amados filhos sendo “os diferentes”.

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AS MENTIRAS BRANCAS

Provavelmente, em um daqueles dias de chuva nonstop, fechada com 3 crianças no apartamento, eu já ia partir para a 37a. bronca, mas respirei fundo e disse pausadamente, dentes semi-cerrados:

- Vocês querem ver a Mamãe virar uma onça, é isso mesmo?

- Mas você sabe se transformar em onça, Mamãe?

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Em outra ocasião, certamente mal-humorada, comentei:

-Ai, tô verde de fome!

- Não, Mamãe, você tá bege.

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A primeira quebrada de perna veio do Pedro, o menino doido para ver uma onça. E, a segunda, veio do Joaquim, rapazinho que sabe tudo sobre as cores.

Esses momentos são dos mais deliciosos de toda a minha vivência da maternidade. As crianças são extremamente literais, o que eleva a fofura em grau máximo diante da pureza e da inocência das observações e das falas. Por outro lado, imagino que eles possam se sentir um pouco desamparados ou desprotegidos (algum termo mais adequado?) pela imaginação e pela fantasia geradas pela fala de um adulto. Quão assustador é imaginar uma mãe se transformando em uma onça? Ou ficando verde?

Na dúvida, sou literal:

-Mamãe vai precisar dar outra super bronca em vocês?

-Ai, a barriga da Mamãe está doendo de tanta fome!!

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Figuras de linguagem à parte, passamos às “lendas urbanas”  que os pais, professores e responsáveis contam por aí.

Manuela não podia ver uma gota de água pingando que saía gritando aos 4 ventos:

-Pára! Pára! Fecha essa torneira! Assim vai acabar a água do planeta!

Novamente, na imaginação e na fantasia de uma criança, não deve haver tragédia que se compare ao fim da água do planeta. Até que, novas sinapses se conectam, a criança passa uns bons muitos dias de muita chuva na praia e conclui:

- Mamãe, sabia que a minha professora contou uma mentira?

Resolvi investigar, vai que dá para reaver o dinheiro da matrícula, né?!

- Jura, Manu? Que mentira ela contou?

Mocinha toda esclarecedora, determinada e firme em suas idéias:

-Ela falou que se deixar  torneira aberta ou pingando, ia acabar a água do planeta, mas eu descobri que era tudo mentira. A água que a gente usa, a chuva traz de volta.

(Argumento eco-sustentável foi, literalmente, por água abaixo!).

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Tem o papo da lagartinha também. A tal que vem à noite e come os dentinhos de quem não os escova direito antes de dormir. Ninguém tem intenção de assustar as criancinhas, mas a gente preza pelos cuidados com os dentes, fica querendo incentivar uma boa escovação e… apela para a lagarta. Tsc, tsc, tsc. A estratégia caiu por terra quando fui colocar os meus filhos para dormir, pedi um beijo para cada um deles, mas o meu pedido foi negado: eles estavam cobrindo suas bocas com as mãos para a lagartinha não vir no meio da noite…

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E é com as próprias crianças que eu aprendo como educá-las e cuidar delas. Nada de “mentirinhas” ou figuras de linguagem. Sejamos literais, até certa idade, é claro e falemos sempre a verdade: se não escovar os dentes, vai ter que enfrentar o motorzinho do dentista! (Se bem que eu acho a lagartinha bem mais simpática do que o motor do dentista…).

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E esse post me lembrou dois livros que estão entre os nossos favoritos. O primeiro, “Uma Lagarta Muito Comilona” (Eric Carle, Ed. Kalandraka Brasil), conta a história de uma lagarta que come de tudo, menos dentes de crianças, ufa! O livro da lagarta é recomendado para crianças a partir de 3 anos, mas acho que os menores podem curtir também, principalmente pelas ilustrações.

E o segundo, “Quando Mamãe Virou Um Monstro” (Joanna Harrison, Ed. Brinque Book), fala sobre uma mãe desesperada com a bagunça que os filhos fazem e com a vinda dos sobrinhos para tomar lanche. Ela vai se transformando ao longo da história e pode até assustar um pouco, mas o final e a moral são interessantes. Leitura recomendada a partir dos 3 anos (acho meio cedo, minha opinião! Acho que para essa fase etária é que pode assustar!).

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Ciúmes do Papai

Manuela tinha exatamente 1 ano, 1 mês e 1 dia de vida, meio dente na boca e meia dúzia de fios de cabelo na cabeça. Usava um vestido de veludo lindo de morrer: fundo branco, flores em cinza. Meia-calça de lã branca e um mantô acompanhavam, pois estávamos em uma noite de Julho, num inverno frio e a ocasião específica era o aniversário do Maridinho.

Apesar de ser o aniversário do pai, Manuela reinou absoluta por todas as suas gracinhas, pelo modelito, pela decoração no topo do bolo e por ser a única da criança da família. Eu me resumia a uma barriga de 34 semanas de gêmeos, um nariz de batata, uma legging e um camisão bem solto. Coisa linda de ver.

Ela cantou parabéns no colo do pai e, sendo bem sincera, não me lembro se bateu palminhas, mas encantou a todos de qualquer forma. Assim que terminou o parabéns, Maridinho assoprou as velas e, em seguida, dei-lhe um beijo e um abraço de feliz aniversário. Foi exatamente nesse momento que a Manu me empurrou pela primeira vez, na tentativa de afastar-me do Papaizinho (só) dela. A cara típica de braveza e a primeira reação de ciúmes.

Muitas outras vieram com os mais de 4 anos que se passaram desde essa cena. Hoje, com “certa maturidade” já não me empurra mais, mas está sempre se enfiando no nosso “meinho”.

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Comprei um par de raquetes de frescobol e uma bolinha. Eu adoro jogar frescobol e, modéstia à parte, jogo bem pra caramba. Confiei na “maturidade” dos meus filhos, na praia vazia e na capacidade de entretenimento deles por baldinhos, pazinhas e tralhas afins que costumamos levar para a praia. Aproveitei um momento tranquilo das crianças e chamei o Meu Marido para estrear as novas raquetes.

Os meus filhos imediatamente pararam a brincadeira do momento para observar o que aqueles dois adultos ousaram fazer. Ok, o Joaquim e o Pedro curtiram assistir à partida dos pais. Filhinhos da Mamãezinha que são, desenharam bandeiras em minha homenagem na areia e gritavam na torcida:

- Mamãe! Mamãe! Mamãe!

Já a Manu, meu Deus! As raquetes e a bolinha despertaram a ira da menina. Com a mesma cara de brava de sempre, ela passava no meio do jogo, apesar de ter sido advertida do risco de levar uma bolada na cabeça, me empurrava (hello, 1 ano, 1 mês e 1 dia de idade!), dizia que estava com sede, com fome, com frio, com calor, cansada, com vontade de ir ao banheiro e de ir embora, pois estava tendo “o pior dia de sua vida”.

Afinal, como é que esses caras têm coragem de ficar frente a frente, rebatendo aquela bolinha sem parar, concentrados no jogo e apenas no jogo e, o pior, se divertindo?

Em menos de 10 minutos, ela me venceu:

“- Ok, sua Ciumentinha, pode jogar com o Papai”, disse-lhe entregando a raquete e os pontos.

Ela aceitou a raquete e me respondeu:

- Sua Namoradeira!

(Freud debate-se no túmulo e me grita: “EU JÁ SABIA!!”).

Cara de brava que sempre nos acompanha. Seja por não poder ficar com a clutch da Vovó ou com o Papai!

 

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Medos: cobras, lagartos, pai e mãe

Manuela tem sentido medos. Os meninos também, porém são bastante diferentes. Eles aparecem no meu quarto no meio da noite dizendo que tem cobras, baratas e formigas em suas caminhas ou embaixo delas. Isso é, quando conseguem sair da cama, pois de vez em quando o medo é tão real, os bichos horrorosos são tão verdadeiros que não têm nem coragem de levantar e apenas me chamam aos gritos para socorrê-los.

Às vezes sonham com bruxas e outros personagens “do mal” ou simplesmente sentem medo do escuro. Já tô acostumada e acho mesmo que faz parte.

Mas, como disse, a Manu anda medrosa e o medo mudou. Trata-se, agora, de um medo relacionado a mim e ao Maridinho.

Há algum tempo, ele estava trabalhando com o caso de um cliente no nordeste, o que exigiu viagens frequentes para lá. Não basta ser longe, tem que ser extremamente difícil de chegar (avião, aviãozinho e carro), o que significa uns 3 dias para apenas uma reunião ou um papo com o juiz e, o pior: a coisa toda acontece em uma cidadezinha conhecida pelo serviço mais precário de internet e celular do nosso país. Ou seja, a desconexão é quase total e a saudade, geral!

O caso do Piauí aparentemente acabou, ou melhor, não requer mais viagens. No entanto, a mocinha pergunta aflita e semanalmente se o Papai precisará ir pra lá. Às vezes, ela dorme além da conta (aleluia, amém!) e acorda após o horário da saída dele para o escritório. Isso rende um chororô eterno, lágrimas em excesso, mágoa e tristeza sem fim, um drama! Ou, outras vezes, ele chega após o horário de dormir das crianças. Quando percebo que eles não aguentam mais esperar, coloco a galera na cama, mas ela não dorme. Fica lá quietinha na cama e, ao tão esperado som da porta abrindo, levanta aos pulos e se pendura no pescoço do pai.

Comigo é diferente, já que passamos muito mais tempo juntas. Ainda assim, ela acha motivos para reclamar. Esse ano, Manuzinha mudou de escola e passou a sair um pouco mais tarde, às 18h. Só que, quando termina o horário de verão, na hora da saída já está de noite, o que é motivo para o drama:

- Mamããããããeeeee, eu não quero ficar na escola até de noiteeeee!! Assim eu passo pouco tempo com vocêêêê!

Um mínimo arranhão ou uma picada de pernilongo são motivos suficientes para ela tentar negociar uma “ficada em casa com a Mamãe e não ir para a escola até de noite”.

Mas, o mais difícil para mim, aconteceu durante as férias, período em que ficamos grudadinhas o tempo todo, nada de “escola noturna”. Manuela saiu do banho, enrolada na sua toalha de capuz de gatinho, coisamaislindadedeus, me segurou o rosto e falou muito séria:

- Mamãe, você promete que nunca vai trabalhar no escritório igual ao Papai?

Eu prometi e juro que prefiro gritos histéricos de madrugada por medo de cobras e lagartos.

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