Os HDs

Semana passada houve uma pane no meu carro bem na hora de levar as crianças para a escola. Ele não ligava. Chamei um táxi e resolvi a questão crianças. Na volta, chamei o seguro e resolvi a questão carro. Vejam só: o carro não ligava, pois havia sido estacionado e desligado na marcha D (drive). O correto é na P (park). O moço da seguradora identificou e resolveu o problema em menos de 1 minuto. Fiquei com vergonha, pedi desculpas e agradeci muitíssimo.

No dia anterior, escovei os dentes da minha filha com Hipoglós e ela deu um escândalo como há muito tempo não se via.

Não sei dizer exatamente os tipos sanguíneos dos meus filhos. Sei que um deles tem o sangue idêntico ao meu, o outro idêntico ao do Maridinho e o de um deles é completamente diferente, inclusive, Rh negativo.

Na última doença que nos acometeu (4/5 da família doentes!), precisei botar todo mundo na balança para me certificar do peso e poder dar a dose certa de remédio. Nem perguntem altura dos meus filhos, não sei! Na ficha da escola da Manu, por exemplo, eu tinha colocado 96 cm de altura e, logo em seguida, constatei que ela tinha 1,05m! Como isso foi há quase um ano e meio e a menina não para de crescer, imagino que já tenha uns…?? Sei lá!

Tamanhos dos pés? Melhor olhar na sola do sapato em uso, de preferência o que vai e volta todos os dias da escola, para saber, pois eu não sei responder.

Preciso me concentrar muito para falar a placa do meu carro quando o deixo com um manobrista. Raciocínio longo e profundo. Calcular o dia do rodízio exige fórmulas matemáticas complexas, que eu, obviamente, não sei de cabeça (obrigada, Google, pela existência!).

Datas de aniversários e telefones importantes? Tudo guardadinho, agendado e programado para apitar e me avisar no celular, assim como todos os meus outros compromissos.

Sou do tipo que confere a lista de supermercado umas 10 vezes antes de passar a compra no caixa, buscando a certeza de ter pegado tudo. Sempre esqueço uns 6 itens e os ovos. Sempre.

Dia do Brinquedo, do livro, da fantasia e da troca de lanche das crianças? Dá para fazer uma pergunta mais fácil? Essa nem o Google me ajuda, gente!

Eu não sei se a culpa é da maternIDADE ou se é pura evolução humana e seleção natural das informações arquivadas no cérebro, no celular, nos documentos importantes e no Google, mas sei que já estive melhor nessa função memória e atenção. Procuro acreditar, com todas as minhas forças, que o imprescindível está preservado e o “descartável” tá mesmo por aí, quem liga?

Mas, na medida em que eu envelheço amadureço e evoluo como ser-humano-mãe, os meus filhos seguem os seus passos como mini-seres-humanos-crianças-pessoinhas. Todos os dias, logo após o “bom dia”, já perguntam:

- Mamãe, que dia da semana é hoje?

Eu digo o dia e eles já me passam o cronograma, se tem clube, natação, judô, ginástica olímpica, aula de inglês, fono, dia do brinquedo, do livro, da troca de lanche e etc.

O nome disso é HD externo, gadgetzinho indispensável para a (minha!) atualidade.

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O feedback do cachorro e a outra campanha

Eu jamais imaginaria que um post sobre a possibilidade de dar um cachorrinho para as crianças repercutiria tanto. Agradeço imensamente por todos os comentários, as dicas e a ajuda em geral. Vocês são o máximo! E me sinto na obrigação de dar um feedback sobre esse assunto.

Na data da publicação do post, Maridinho estava viajando a trabalho, passou 3 dias fora e, quando voltou, além de ter que matar as saudades, tinha um mooonte de comentários para ler. Muito se falou na companhia que os cachorros fazem, no carinho e na relação que estabelecem com as crianças. Tudo lindo, mas, na maioria das vezes, vinha o tal “porém”: “olha, cachorro dá muito trabalho e etc.”. E foi a isso que ele se ateve e comentou comigo:

- Você viu só o que todo mundo disse? De como os cachorros dão trabalho, apesar de todo o resto.

Até ouvi uma conversa entre ele e a Manu:

- Papai, porque você não deixa a gente ter um cachorrinho?

O cara foi categórico e não se sensibilizou:

- Filha, o que você prefere ter em casa: um cachorro ou o Papai?

Ela escolheu o pai e a conversa terminou por aí.

Mas, não pensem vocês que ele é um cara insensível, nada disso. O detalhe que eu não mencionei é que ele tem feito uma campanha nada secreta para o nosso quarto filho. Incrível a sintonia do casal: um quer cachorro, o outro quer filho…

Não pensem vocês também que ele tem algum problema mais comprometedor. Ele nunca foi reprovado nos psicotécnicos da vida, avaliações psiquiátricas ou psicológicas. Maridinho é apenas uma pessoa que gosta de trabalhar nos limites dos nossos recursos estruturais, financeiros, físicos, emocionais e nasceu para ver o fenômeno da multiplicação dos pães do amor. Bonito isso, né?! Mais bonito seria se eu não tivesse aposentado as minhas lentes cor-de-rosa da maternidade, ou se as usasse com mais frequência, para ser sincera.

A maternidade é linda e às vezes cor-de-rosa, tudo aquilo que a gente vê e dá o “like” de coraçãozinho no Instagram (@camiladuartegarcia). Porém, … melhor nem começar com o porém, não acham?

Eu tenho uma vontade absurda de completar a família com mais um filho, mas, mas, mas…

A verdade é que eu custei a chegar até onde cheguei hoje com as crianças. As idades tão próximas quase me enlouqueceram no início, mas hoje enxergo isso como uma grande vantagem: interesses e atividades semelhantes. Isso me livra da culpa de ter que me “dividir” em três, assim como a atenção partida e cronometrada, pois é possível fazer tudo com os 3 ao mesmo tempo. Pode parecer bobagem, mas não tem preço. E a gente sabe que um bebezinho chegaria para “desestruturar” tudo isso (desculpa por falar assim, babyzinho!).

Nada contra a desestruturação que os bebês causam, pois eu sei o valor de um sorriso banguela e careca, mas como ficariam Manu, Joaquim e Pedro diante de uma mãe com um bebê? Eu me sinto exatamente com as mesmas aflições de uma mãe na dúvida entre ter ou não o segundo filho.

As crianças sabem de todos os nossos projetos e campanhas. Se eles querem um cachorro? “Sim! Sim! Oba! A gente quer! Pode ser hoje?”. E sobre um irmãozinho/irmãzinha, a resposta é um reticente, quase inaudível “sim…” de nariz torcido.

E eu vou vivendo assim, em cima do muro e agarrada à pureza da resposta das crianças.

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A campanha para um cachorro, ou a hashtag #manuelajoaquimepedromerecemganharumcachorronessapascoa

Eu me lembro de ter afirmado categoricamente (e muito mais de uma vez!!) que seria mais fácil eu ter outro filho do que ter algum bicho de estimação em casa, gato ou cachorro. Também me lembro, aos 6 anos de idade, do dia em que os meus pais se separaram.

Pouco tempo depois do meu pai ter saído de casa, vejam só: ele nos compensou presenteou com um cachorro. Era um cocker spaniel pretinho, coisa mais linda do mundo. Tinha as orelhas compridas, maiores do que tudo e que precisavam ser amarradas na hora de comer, senão ficavam imundas de comida! A coisa mais linda do mundo foi batizada com o nome que seria o meu, caso eu nascesse menino: Bernardo (desculpaí, Bernardos não caninos…).

É lógico que a minha mãe estava de acordo com o presente dado pelo meu pai, afinal imagino que ambos quisessem nos compensar presentear. Mas o presente durou pouco, acho que uns 3 meses, e logo foi doado por motivo de bagunça, sujeira, barulho e todas as outras coisas que só um cocker bebê é capaz de causar.

Continuando no modo compensação, saiu Bernardo e entrou um cachorro de pelúcia para cada uma das filhas. Fofo, é claro, mas, né?! Sobre a pelúcia, tá guardada no fundo de algum maleiro aqui de casa, sobre o Bernardo, nunca soube.

Passado esse trauma momento da minha vida, tive mais 2 cachorros durante a minha adolescência. Um, pequeno e peludo, na casa da minha mãe. Outro, grandão e de pelo curto, na casa do meu pai. Confesso que nunca consegui me afeiçoar a eles como era o esperado. Ou como era com o Bernardo.

*****

Outro dia, em uma sexta-feira à tarde, fiz uma pausa para um cafezinho e engatei numa conversa com a fofa e querida que trabalha aqui em casa. Não sei como a conversa rolou, até que ela me disse:

- Dona Camila, a senhora precisa dar um cachorro para as crianças!

A minha cara de espanto não a impediu de continuar defendendo a tal sugestão: falou sobre como cuidar, limpar, passear, educar o bichinho, se ofereceu para ajudar com absolutamente tudo, inclusive para ficar com o cachorro caso eu precise sair ou queira viajar. Rolou café, lanchinho, sobremesa e a conversa mais improvável da minha vida terminou com a idéia fixa de dar um cachorrinho para as crianças. Como estávamos indo viajar naquela noite, pensei em aproveitar as 2 horas de viagem para convencer o Maridinho.

Obs: a conversa foi absolutamente imparcial, ou vocês acham importante considerar o fato da fofa e querida estar grávida e inundada de hormônios gravídicos enlouquecedores? Ou seria uma crise de abstinência, já que eu, orgulhosamente, havia parado de tomar Coca-Cola há poucos dias?

Enfim, entrei no carro, esperei as crianças capotarem e comuniquei:

- A gente precisa ter uma conversa séria.

Maridinho deve ter tremido da cabeça aos pés, já que as minhas conversas sérias costumam ser piores do que as minhas TPMs.

- Fala, Camila.

(Ele não é fofo??)

Fui direto ao ponto:

- Acho que a gente devia dar um cachorrinho para as crianças…

A resposta veio através de uma longa e alta gargalhada, para em seguida confirmar:

- NÃO!

Maridinho elaborou uma lista com mais de uma dúzia de motivos para NÃO darmos um cachorrinho para as crianças. Mas esboçou um sorrisinho de canto de boca quando eu contei que havia imaginado a cena das crianças ganhando o cachorrinho (que até nome já tem!). Imaginei que o Coelho da Páscoa não traria ovo de chocolate esse ano, mas deixaria uma cestinha com um cachorrinho. Não seria lindo? Cer-te-za de que o Maridinho também curtiu a idéia.

*****

Então, o negócio é o seguinte: eu não tenho lá grande repertório “cachorrístico” para convencer o cara  e acho que a união faz a força. Vocês me ajudam? Deixem aí nos comentários dicas e sugestões de raças de cachorro para ter em um apartamento com 3 crianças e carpete claro (ui!). Novamente, reforcem aquela parte toda do cuidar, educar, limpar, não deixar destruir, morder sapatos e comer os pés das cadeiras da sala de jantar. Podem sugerir adoção também, curto bastante essa idéia! Só não sugiram comprar o cachorro escondido e levar para casa, apostando que isso vai amolecer o coração do meu Marido, não funciona e dá divórcio! Menos ainda mandar cachorro de presente, hein?! Ah, e é lógico, quem tiver exemplos da coisa linda que é a relação entre as crianças e seus bichinhos de estimação, me contem e me façam chorar!

(Ou, fiquem à vontade para dizer que eu realmente estou louca e sofrendo de abstinência de Coca-Cola.)

Grata, gratíssima!!!

Quem merece ganhar um cachorro levanta a mão!!!

Quem merece ganhar um cachorro levanta a mão!!!

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Um Batman Caiçara

Há quase 7 meses que eu tenho sido chamada de louca. Alugamos uma casinha na praia e íamos todos os finais de semana. Não havia previsão de tempo ruim que nos impedisse, até porque descobrimos que as previsões erram. E muito. Chegamos a ver todos os climatempos da vida falando em tempestade e frio, pegamos estrada debaixo de chuva e, daí, sábado amanhecia com o céu limpinho e muito calor.

E, então, eu era louca por toda a trabalheira que tinha: fazer e desfazer mala de um casal + 3 crianças todos os finais de semana, roupa suja, molhada e de areia, estoque de repelente, protetor solar, brinquedinhos de praia mil (que vivem molhados e impregnados daquela areia preta), enfim, uma “casa” a mais para cuidar aos finais de semana. É muito trabalho mesmo, não nego e concordo com a loucura atribuída a mim.

Por outro lado, essa casinha mudou a qualidade de vida da nossa família em um  nível que nem poderia imaginar! A gente passa o dia na praia, as crianças soltas, entram e saem do mar, tomam picolé, se esbaldam na areia, uma delícia!  Eu realmente tenho muuuuuito mais trabalho na praia, mas se houvesse um “estressômetro”, ele ficaria sempre zerado enquanto estamos por lá.

Última informação para matar todo mundo de inveja: EU DURMO TODAS AS TARDES DEPOIS DO ALMOÇO.

Sem mais, ok?

*****

Mas, no último mês, começou um friozinho,  surgiram alguns programas, as crianças começaram a ficar com saudades de sair em São Paulo e deixamos de ir para a praia por umas 3 semanas (estressômetro nas altuuuuuuras!!). Encaramos muito shopping center, cinema, zoológico, aquário, pracinha e até o tal do Batman Live!

Depois desse tempo todo sem ir, passamos o último final de semana na praia. Com um friozinho típico da época do ano no começo da manhã e no fim da tarde. Mas, tirando esses momentos, parecia um fim de semana de verão!

Só que esse tempo todo sem praia e com muita cidade é realmente ruim para  repertório caiçara, praiano e “surfístico” dos meus filhos. Eles viram um surfista saindo do mar, com aquela roupa preta de neoprene que cobria dos pés à cabeça e começaram a gritar:

- O Batman! É o Batman! O Batman tá saindo do mar na “batprancha!”.

O Batman da Praia...

... e o Batman "de verdade". Parecidos?

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