Vomitar para renovar, ou lidando com as “surpresas” da maternidade com bom humor

Há algum tempo, sentada na minha sala, Maridinho ao lado com a sua pilha de livros, comecei a fazer uma wish list para ter uma sala nova. As mulheres – principalmente as da minha “categoria”, que não trabalham e ficam bastante em casa – têm essa tendência em querer renovar, trocar, redecorar, achar que as coisas estão velhas, fora de moda, ou simplesmente cansam e querem trocar tudo.

A minha lista incluía um sofá, dois tapetes, três poltronas, uma mesa de centro, muitas almofadas e até uma escultura!

Maridinho conhece bem a minha categoria e também tem a dele. É o tipo do marido que “ouve” os meus delírios, solta um “aham” e retoma a sua tão importante leitura.

*****

Há menos tempo, eu fiquei doente. Não foi pouco, foi muito doente, de uma maneira que me derrubou por quase uma semana. Tive milhares de sintomas, o pior foi a garganta mesmo. Só não deixei de comer, ou seja, não foi o fundo do poço. O dia em que eu parar de comer, favor internar.

Quando completei 5 dias de doença , em uma sexta feira (treze?), comecei a me sentir melhor e mais disposta já na hora em que acordei. Dá um aliviozinho, uma alegriazinha amanhecer bem na sexta feira e pensar em um fim de semana com temperatura agradável e milhares de programas combinados. No entanto, Joaquim não apresentou temperatura agradável: febre. Ou melhor, febrão! Ficou caidaço, inapetente (moleque guloso como ele chegou a ficar 48 horas sem comer!), queixava-se de todos os tipos de dores, principalmente na garganta. Mamãezinha aqui passou os bichos para o filhote, podem concluir.

A evolução da doença muitos de vocês já devem conhecer. Teve líquido à vontade, porém bastante antitérmico, spray para a garganta e até visitinha ao pronto-socorro no sábado à noite. Conseguimos escapar do antibiótico, e fico na dúvida se comemoro ou não, pois apesar de tudo, a melhora com o antibiótico é sempre bem mais rápida.

Só que o menino Joaquim tem uma peculiaridade. No auge da febre, da inapetência e do estado “borocoxô”, perguntei:

- Filho, fala para a Mamãe, pede qualquer coisa do mundo e eu te dou, me diz, o que você quer??

O enfermo me pede:

- Remédio!!!

Mas a peculiaridade nem era isso aí, essa fala tá na tag “pérolas na doença”. A peculiaridade é que o Joaquim é um menino bastante “vomitento”. Não precisa de muito e o cara já vomita. Nessa amigdalite, o primeiro vômito aconteceu de sexta para sábado, precisamente às 2 da manhã e tingiu um edredon novo, lindo, caro e branquíssimo. Enquanto o pai trocava e limpava a criança vomitada, visitei o tanque, na companhia da escova e do sabão. Apesar do estado zumbi, agi com o maior cuidado, afinal tratava-se da limpeza de quase uma jóia.

Domingo de manhã, o cara lá jogado no sofá, cobertinho, febre bombando, até que vê um restinho de leite e resolve tomar.  Quarenta e oito horas sem comer, quem é que ia impedi-lo de tomar o restinho do leite? Naquela situação, teria deixado até tomar os restinhos de vinho da noite anterior, ainda nas taças e já na pia. E bastou o golinho, gente, o golinho fatal: Joaquim vomitou o gole e tudo o mais que não comia há 48 horas! Lavou e tingiu o sofá, as almofadas, o tapete e a mantinha.

Menino cuidado, banho tomado, limpinho e eu passei o resto da manhã me dedicando ao tanque e a toda a imundície de um golinho de leite.

*****

Agora tenho me dedicado muito, muito ao meu filho, que já está melhorando e estará zero bala em breve. Preciso me esforçar e espantar esse vírus de uma vez por todas, de mim e dele, pois precisarei ir às compras. Garanti o sofá e o tapete da wish list, acreditam?

*****

Observação: artefatos de tecido, quando atingidos por jatos de vômito, adquirem aroma peculiar e específico, podendo atingir o DNA do tal artefato. A contaminação do DNA depende, basicamente, do tipo e qualidade da lavagem aplicada. Essa situação, aroma real e comprometimento do DNA, relaciona-se diretamente ao intervalo de tempo entre o jato e a lavagem. Outro fenômeno bastante comum é o aroma peculiar e específico no modo psicológico. Assim, quem presenciou o jato e quem aplicou a lavagem do artefato é capaz de sentir o aroma eternamente. Portanto, renovar é preciso, aponta estudo.

Dê sua opinião também » 6 já comentaram.


Pesadelos de gêmeos

Uma das delícias de ter mais de um filho é reviver as fases fofinhas. Claro que as ruins também acabam sendo revividas, é inevitável, mas nessas horas, da segunda vez da fase ruim, a gente tem que mentalizar o fato de não ser mais mãe de primeira viagem e ter certeza de que vai superar as dificuldades com mais maturidade e sabedoria, certo???

Pois, com gêmeos não é nada disso, é tudo junto! A fofura e as gracinhas vêm em dobro!! Assim como as dificuldades… E quando eu digo dificuldade é dificuldade mesmo. Em dobro?? Sim, tudo dobrado! Tudo junto? Sim, quase simbiótico. Lembrando que o Joaquim e o Pedro nasceram exatamente no mesmo minuto, não poderia ser diferente mesmo.

Por exemplo: eles fazem cocô na mesma hora! Não é brincadeira e nem piada, é fato. Agora, resolveram regredir no desfralde e fazem xixi na calça diariamente, às vezes mais de uma vez. Os dois, é claro.

Mas o que mais me surpreendeu foi que entramos de verdade na fase dos pesadelos. Teve uma noite na semana passada em que o Joaquim acordou aos prantos e corri lá:

- Mamãe, eu tava sonhando com um pesadelo! Quero ir dormir na sua cama!!

E foi, óbvio. No meio da nossa caminhada meio dormindo e meio acordada pelo corredor, eu perguntei o que tinha no pesadelo e ele me respondeu que as suas mãos estavam cheias de sapos.

Dormimos todos juntos, Maridinho, eu e Joaquim no meinho. Mas não durante a noite toda. Acho que uma hora depois, acorda o Pedro também:

- Mamãe, eu tive um pesadelo, preciso ir dormir na sua cama!

E daí, como faz? Pedi para ele esperar um pouco, carreguei o Joaquim capotado de volta para a sua cama e levei o Pedro, era a vez dele, afinal. Novamente, no meio da travessia do corredor, perguntei sobre o pesadelo e descobri:

- Mamãe, tinha um sapo mordendo o meu joelho!

Viram? Cocô, regressão e pesadelos tudojuntomisturadoaomesmotempoagora!

Mas a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro, a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro, a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro, a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro, a alegria, a fofura e o amor vêm em dobro.

(Dá licença? Tô mentalizando!).

Dê sua opinião também » 9 já comentaram.


O FILHO VOLTOU A FAZER XIXI NA CALÇA???

Verdade seja dita: que mãe nunca experienciou um comportamento regressivo de um filho? E, por comportamento regressivo entendam voltar a fazer alguma coisa que já não fazia mais por maturidade adquirida. Assim, quem nunca ouviu uma mãe dizendo que o filho voltou a usar chupeta, tomar mamadeira, fazer xixi na calça ou chorar ma porta da escola depois de uma linda e bem sucedida adaptação? Situações comuns, principalmente na época da chegada de um irmãozinho ou irmãzinha.

No meu caso, vivi um apego mega master blaster da Manu com a sua imensa coleção de chupetas quando o Joaquim e o Pedro nasceram. Normal, normalíssimo. Nem cheguei a me descabelar, uma vez que a chupeta era uma muleta e um acalma bebê poderoso. Hoje em dia, a chupeta mora no passado, ou melhor, no Pólo Norte, onde habita o bom velhinho de barba branca.

Com os meninos, nada regressivo… até umas semanas atrás.

Posso dizer hoje que tiveram um desfralde rápido e tranquilo, a fralda noturna então, mais fácil ainda, pois foi tirada quando eles já estavam bem condicionadinhos a não fazer mais xixi à noite. Quando dormiam de falda e sentiam vontade de ir ao banheiro, levantavam sozinhos, tiravam a fralda e faziam xixi na privada. Tudo beleza. Até algumas semanas atrás, como eu disse.

Os meus meninos, assim como grande maioria das crianças, têm aquele hábito de não querer de parar o que estão fazendo (leia-se: brincando) para ir ao banheiro e algumas escapadelas e molhadelas de cuequinhas são freqüentes.  O Pedro percebe na hora e corre para o banheiro terminar o serviço. O Joaquim, não. Faz tudo durante a brincadeira e continua brincando, nem se incomoda. O Pedro faz gracinha para o Joaquim, que literalmente molha as calças de tanto rir. Por mais que eu fique em cima, levando ao banheiro como se fosse um recém-desfraldado, não rola e escapa. Tive uma conversa mais séria com  Joaquim, no meio de uma festinha, ocasião em que ele fez xixi na roupa e acabou ficando sujo e molhado mesmo, pois carregar bolsa com troca de roupa para um moleque de quase 4 anos, é para os fracos, ou para as mães que não têm 3 filhos para carregar por aí, bagagem suficiente.

Voltando à conversa, descobri que o menino Pedro tem autorizado o menino Joaquim a fazer xixi na calça!!! Ele percebe que o irmão gêmeo mais velho tá lá se contorcendo de vontade, segurando o pipi e diz:

- Pode fazer, Quiquim!

E assim, ele faz xixi na cueca, na calça, na bermuda, na meia, no tênis, em casa, na festa, na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê.

Daí, não sei  fico na dúvida sobre o que é pior: o comportamento regressivo ou a autoridade do irmão gêmeo mais novo ser maior do que a da própria mãe.

O que será que me aguarda num futuro próximo?  E num distante?

Dê sua opinião também » 35 já comentaram.


O RETORNO DA ONÇA

Atualmente, as minhas maiores emoções são causadas pelos meus filhos. Uma novidade, uma habilidade conquistada, uma gracinha, um carinho, uma apresentação na escola, um desenho, tudo o que vem deles é capaz de me levar às lágrimas com a maior facilidade!

Outra coisa que me emociona com frequência e ver os meus filhos sendo agradados por outras pessoas. Sentir que eles são queridos pelos nossos amigos, pela família e a reciprocidade de sentimentos também é lindo de ver. Não sou uma mãe ciumenta, sabe? Gosto que gostem dos meus filhos e que eles gostem das pessoas, isso é um indício bacana da personalidade deles.

Mas, o mais surpreendente mesmo, é ver o carinho de pessoas “virtuais” pelas crianças. Gente que não conhece esse trio, mas já se apega, vira “tia virtual” e quer agradar pela simples e genuína vontade de agradar em troco de nada. É a mais verdadeira expressão do carinho pelo outro. Nos dias de hoje, coisa rara. Na internet, mais raro ainda.

Só que essa tal de blogosfera materna é a exceção da exceção.

Uma vez, eu comentei que o Pedro era alucinado por macacos e lá veio da Mari querida o DVD do George, o Curioso. Recentemente, falei da tristeza do Joaquim por perder a onça no mar e uma leitora tímida, a Dani, me mandou email, pois ela tinha a tal da onça que o filho nem dava bola e, pronto! Mandou a onça de presente para o Joaquim. Dá para acreditar numa coisa dessas?? Eu fico muito, muito emocionada com essas manifestações de carinho. Já agradeci tanto, que a Dani até me mandou parar… (Ah, se ela tivesse visto o tanto que eu chorei…).

Só para contar o desfecho do “causo da onça”, fui buscá-la no escritório do marido da Dani aqui em São Paulo bem no dia em que estávamos indo novamente para a praia, local em que, na última vez que havíamos ido, a onça resolveu se perder no mar.

Levei a onça bem escondida na minha mala, resisti à ansiedade de entregá-la antes de chegarmos na praia e, numa ida do Joaquim ao mar encher o baldinho de água, posicionei a onça na areia. No momento em que voltou, só faltou largar o balde no chão de tanta alegria! Ele só conseguia falar: “ a onça voltou, ela parou de nadar, a onça voltou, ela parou de nadar!”. Coisa linda de viver foi vê-lo mostrando para o Pedro e para a Manu a sua oncinha querida que resolveu parar de nadar e voltar. Os dois compartilharam tanto a alegria do Joaquim que só um belo Ray Ban para disfarçar a emoção da mãe.

O moleque passou o fim de semana grudado no brinquedo que retornou do mar, feliz que só vendo, ó:

(Dani, vou parar de te agradecer, mas agora está devidamente registrada a minha eterna gratidão!).

Dê sua opinião também » 15 já comentaram.


As eternas diferenças entre os gêmeos

O Joaquim e o Pedro compartilham o mesmo DNA, mas como são bem mais do que uma carga genética, são absolutamente diferentes.

As diferenças de gostos e personalidades sempre foram notadas e tudo bem. Mas a dificuldade do momento é lidar com as diferenças demonstradas nas habilidades.

O Pedro desenha super bem, melhor até do que a Manu, que é mais velha (que feio! Olha a mãe comparando os filhos! É verdade, mas isso eu só falo para vocês, nunca pra eles). E o Joaquim aprendeu a nadar sozinho.

Obviamente, cada desenho é elogiado, assim como cada mergulho também é comemorado. Mas, a partir daí, o Joaquim passou, mesmo que discretamente, a “estragar” os desenhos do irmão. Assim como o Pedro passou a demonstrar certo medo e resistência com água.

Apesar de eu não gostar da expressão “ele está fazendo isso para chamar a sua atenção”, preciso concordar com ela agora. Quer dizer tudo e não quer dizer nada, é como um diagnóstico de virose. E daí, faz o quê? Qual é o tratamento?

Eu não acho que os irmãos gêmeos merecem mais atenção do que quaisquer irmãos não-gêmeos na questão da comparação de conquistas e habilidades. É lógico que precisamos medir as expectativas de acordo com a faixa etária de cada criança, mas eu procuro lidar com essas diferenças de maneira geral, sem chamar ainda mais atenção pelo fato deles serem gêmeos. Só que eu tenho um facilitador que é a Manu, eu não tenho apenas gêmeos. Considero então  que eu tenho 3 filhos praticamente com a mesma idade e que me confrontam com essas questões diariamente. Eu não posso exigir que os meninos consigam fazer coisas que a Manu já faz, mas eu não os cobro por isso. Tudo na hora certa.

Enfim, aqui em casa são 3 individuozinhos muito diferentes e festejados por isso, no entanto, a reação do Joaquim diante do desenho do Pedro e a reação do Pedro diante do irmão nadador passou a me preocupar.

*****

E aí, cadê as leitoras universitárias desse blog?

Dê sua opinião também » 2 já comentaram.