PRIORIDADES

Eu costumo dizer que não é complicado desfraldar filho. Difícil mesmo é não REFRALDAR. Além dessa conclusão pessoal, acrescento que os filhos podem desfraldar, refraldar, desfraldar novamente, fralda do dia, da noite e, ainda assim, não aprendem a dar a descarga. Eles aprendem a fazer as devidas necessidades na privada, até lavam as mãos, mas o negócio todo permanece lá na privada. Meninos e meninas. Não sei se é uma pegada eco-sustentável, planejamento financeiro/economia doméstica, mas sei que, TODOS OS DIAS, lá pela hora do almoço, ando pela minha casa, passo por todos os banheiros e todas as privadas estão amarelinhas, falando no modo otimista. Já conversei taaaanto sobre isso, ameacei não dar a sobremesa para quem não der descarga, mas assim é que tem sido.

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No final do ano passado, eu já preocupada com um assunto dos meninos, fui chamada na escola para uma reunião “extraordinária” e descobri que não estava enlouquecendo à toa: o mesmo problema que me preocupava, preocupava também a atenciosa professora. A questão tratava da fala dos meninos. Eles cometem algumas trocas quando se expressam, tudo natural, comum e até esperado para a idade deles. Porém, quando não são compreendidos e alguém pergunta “o que você falou?”, eles se inibem, travam e não falam mais.

Era caso de indicação de terapia com uma fono, não pela idade, mas por essa questão de comunicação, do social e tal. Eu queria – a qualquer custo! – que o Joaquim e o Pedro iniciassem as sessões com a fono em dezembro, o que me rendeu o apelido de “louca-exagerada-neurótica-maluca”, afinal de que adianta fazer umas duas sessões de fono em dezembro, daí vem as férias e tudo o que foi trabalhado é perdido ou esquecido? Fiquei sem dormir, insisti horrores, convenci a todos de que o caso era gravíssimo e que precisava de intervenção imediatamente.

Os meninos não falavam a letra “L”. BOLA era BÓIA, MANUELA era MANUEIA, LÁPIS era IÁPIS e assim por diante.

Venci a batalha e agendei as sessões com a fono em dezembro mesmo, exatas duas sessões. Na primeira delas, exatos 45 minutos depois, eles aprenderam a falar o “L”. BOLA é BOLA, MANUELA é MANUELA, LÁPIS é LÁPIS  e não houve tempo de férias suficientes para “estragar” o trabalho da fono.

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Quarenta e cinco minutos para aprender a falar. Dois anos e não aprenderam a dar descarga.

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“EU PEDI PARA O PAPAI DO CÉU PARA VOCÊ FICAR GRÁVIDA”

Manuela me olhou séria através do espelho e disse:

- Eu pedi para o Papai do Céu para você ficar grávida.

A frase saiu por volta das 11 e meia da noite de um dia de semana, após uma ruidosa festinha em um  buffet infantil, já em casa, mas ainda no banheiro tentando tirar todo o grude de balas e pirulitos do rosto, cabelo e mãos da minha menina.

Estávamos, obviamente, muito cansadas, principalmente para aquele tipo de conversa. Preferi olhá-la através do espelho e soltei um sorriso – dos mais sinceros da minha vida – de pura ternura.

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Esse mesmo dia de semana, que terminou tarde, também havia começado cedo. Começou de verdade quando a mesma menina acordou, já teve um arranca-rabo com os irmãos e voltou para cama. Deitou-se com a cara no travesseiro, forçou um choro e disse que estava muito, muito chateada com os meninos.

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Manuela já foi a luz, o raio, a estrela e o luar para o Joaquim e o Pedro. Atualmente, quando noto uma segregação clara entre meninos e meninas na minha própria casa, ela é apenas uma menina, daquelas típicas que brinca de boneca e casinha, diga-se.

O Joaquim e o Pedro são os meninos também típicos, que vivem as brincadeiras de super-heróis em intensidade máxima.

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- Mamãe, eu já tenho 2 amores: o Quiquim e o Pepê. Mas agora eu preciso de mais um amor.

(Disse-me ela já deitada em sua caminha, quase delirando de sono.)

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Eu sou uma mãe que sabe dizer “não” sem a menor culpa. Também sou capaz de negociar algumas questões, quando acho que convém. E, é lógico, falo “sim” para o que é permitido.

Dessa vez, está mais fácil, pois o pedido foi para o Papai do Céu e eu me sinto livre para qualquer tipo de posicionamento sobre o assunto.

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A cama de viúvo

As dimensões que abrigavam e aconchegavam aquele corpinho fofo de bebê durante o sono repentinamente ficaram pequenas. Ele mesmo me “contou” durante algumas noites seguidas, perto de completar 3 anos, fazendo-me ouvir batidas de braços e pernas nas grades de laca branca.

Providenciei uma cama nas tais medidas de “viúvo”, nem uma cama de solteiro e nem uma de casal. Viúvo. De-tes-to o termo, mas assim que ela é. Grande, espaçosa e confortável para uma criança, de tamanho suficiente até que ele resolva casar e sair de casa lá pelos 35, 40 anos, meu filho. Te dei a colher de chá da caminha de rodinha embaixo para os seus amigos e primos. Até hoje, apenas uma irmã e uma avó quiseram testá-la, ou a culpa é da sua mãe que ainda acha uma grande responsabilidade trazer os filhos alheios para passar à noite aqui.

A cama recebeu uma manta de tricô azul marinho, daquelas de tranças. Coisa de rapaz, para o meu ex-bebê, agora nem tão fofo, mas troncudinho, quase musculoso. Sem as deliciosas dobrinhas, porém alto e forte a cima da curva.

Providenciei uma mesinha de cabeceira, com abajurzinho, livrinhos, bloquinhos de desenho, um porta-lápis e algum carrinho para enfeitar. Foi tudo muito cuidadoso, pensado e especial, já que aquela mesinha um dia ficou ao meu lado, abrigando as minhas coisas durante os meus primeiros anos de casada. Feio mesmo foram as grades removíveis. Coisa temporária, pensei, até ele se acostumar com o “camão” perpendicular à parede do quarto.

Se antes eu ouvia bracinhos e pernas, ainda com um resquício de dobrinhas, batendo nas grades do antigo berço, passei a ouvir brinquedos e abajur caindo durante a madrugada. Estes mesmo, os da produção da minha ex-mesinha de cabeceira. Tirei tudo, até o porta-retratos e adotei o estilo “clean”. Branco, simplista, minimalista, como quiserem. Aliás, que bobagem, de que serve uma mesinha de cabeceira vazia? Não sei, mas ficou lá.

As noites voltaram a ser silenciosas, nada de brinquedo sendo estapeado e caindo no chão às 3, 4 da manhã.

Faça chuva ou faça sol, levanto todas as noites para dar um check nas crianças e cobri-las, faça frio ou faça calor. Em uma dessas ocasiões, encontro a cama de viúvo com a colcha azul marinho vazia. Grades no chão. Menino idem. Encolhidinho, de lado, mãozinhas entrelaçadas apoiando as bochechas já não mais gorduchas de bebê. Aparentemente bem, afinal dormia. Um sábio homeopata costumava dizer: “não mexa em criança que está dormindo, criança que dorme, está bem”. Mas eu mexi. Filho que se mexe mais do que um terremoto, derruba as grades removíveis da cama (olha que não é fácil, hein?!), cai no chão, não faz barulho, não chora, não merece passar o resto da noite assim, por mais macio e limpinho que seja o carpete.

E assim são algumas noites. Surpresas sem aviso ou barulho. Já liberei a mesinha e ando pensando em cercar de vez a cama. Você prefere, Joaquim?

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O MEU IRMÃO GRANDÃO

A foto que ilustra o post é o Joaquim com o seu desenho da família feito na escola e que me foi enviado na pasta de atividades agora no fim do semestre.

Quando as crianças representam graficamente a sua família, geralmente ela mesma é feita em tamanho exagerado, um tal de egocentrismo, bastante comum nessa idade.

Mas, nesse caso, isso não se confirma. Trata-se de um exemplo das pequenas grandes coisas que as mães de gêmeos univitelinos vivenciam. Essa relação tão intensa e de um amor sem tamanho. Pois o grandão aí da foto é o Pedro, linda e caprichosamente desenhado pelo Joaquim, que, por sua vez, está lá, bem menor, acolhido e protegido debaixo dos braços do seu irmão.

Coisa linda e emocionante de ver e de viver! Um presentão de fim de semestre!

E, assim, eu meio que me despeço e abandono um pouquinho as minha atividades como blogueira. Vou curtir as férias com os meus filhotes. Retomo o trabalho por aqui em breve e quando der, ok?!

(Ah, eu não poderia ficar de fora e por baixo, a moça grandona à esquerda e em destaque no desenho sou eu, tá?

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O aniversário e a lombriga

O apetite infantil, especialmente o masculino, da minha casa anda me assustando um pouco. Os caras vivem com fome, querendo um lanchinho, jantam e ainda querem comer antes de dormir, não há Abílio Diniz que resista!  Mas já que criança tem e gasta muita energia, faz mil atividades e as calças compridas vivem comprovando que eles – de fato! – crescem muito, alimentá-los se faz necessário. (Abre parênteses: mãe é um bicho esquisito, vive reclamando que o filho não come, daí começa a reclamar que come muito, quem entende?).

Então, há as fases das comidas preferidas e não existe sacola retornável que aguente tanto feijão preto, farofa e tomatinho cereja que eles me pedem para comprar. Sabem aquela caixinha de tomatinho cereja? Uma quadradinha e pequenininha? Tenho que comprar três, uma para cada filho e por refeição! A última moda foi morango, eles queriam toda hora, sobremesa do almoço, lanche da escola e sobremesa do jantar. Descobri um caminhão de fruta aqui perto e compro logo quatro caixas de uma vez só. Não que seja o suficiente, nem para um dia. Eu mesma nunca consegui descobrir se o morango do caminhão é bom e Maridinho acha que isso aí é pura lenda, já que ele chega do trabalho depois do jantar das crianças e também nunca viu sobrar moranguinho algum na geladeira.

Num momento de desabafo, eu lá contando os últimos morangos e dividindo tudo exatamente por três, um grande para cada um, um médio, um pequeno e assim sucessivamente, já que não basta a quantidade, os tamanhos também contam (“ele ganhou um morango grandão e o meu pequenininhoooooo”, frase comum por aqui), falei:

- Gente, não é possível! Isso só pode ser lombriga!

As crianças são seres curiosos e basta uma palavra nova para quererem saber do que se trata:

- O que é lombriga, Mamãe?

Vou dispensá-los da explicação do que é uma lombriga, não sabe? Joga no Google. Mas a verdade é que os meninos gostaram dessa idéia de ter um bicho na barriga que precisa comer (quem entende as crianças??) e até apelidaram suas lombrigas. Respectivamente: “Lumbi-Lumbi” e “Biguinha”, as minhoconas loconas e esfomeadas que moram na barriga do Joaquim e do Pedro.

A Manu não viu graça nenhuma nessa história de lombriga na barriga e acho que as meninas são meio assim. Esse papo mais nojentinho não é muito a praia delas, preferem falar de princesas mesmo. Ela terminou seus últimos morangos, escovou os dentes, lavou as mãos e foi fazer a lição. Já faz tudo sozinha, cheia de responsabilidade e da tal autonomia, aquela palavra-chave das escolas de hoje em dia, conhecem?

Manuela completará cinco anos nesse mês de Junho, no p´roximo domingo, dia 24 e isso tem sido um “plus” na hora de fazer a data exigida na lição de casa. Ela foi lá, olhou no calendário e disse: “11 de Junho”. Firmou o dedinho indicador no número 11 do calendário e com o indicador da outra mão foi contando quantos dias faltavam para o tão esperado dia 24.

- Treze, Mamãe! Treze! Faltam treze dias para o meu aniversário!

Terminou a sua lição concentradíssima, apesar da gritaria dos irmãos falando bobagens sobre lombrigas, minhocas, melecas, cocô, xixi e pum!

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Se alguém tiver alguma encomenda de Nova Iorque, é só me ajudar ir até lá e eu trago. Cliquem nesse link (http://bit.ly/LLTyGC) e votem no meu post, please!

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