Como lidar: PÁSCOA??

Eu estava planejando uma Páscoa fofinha e com pouco chocolate. Pensei que o Coelhinho (sim, ele existe e passa aqui na nossa casa!!) pudesse trazer uns ovinhos pequenos ou bolachinhas para as crianças decorarem e se divertirem. A idéia era de diversão, não de comilança. Quer dizer, comilança sempre rola, já que um ganha um ovo daqui, outro dali, vai ganhando, vai somando e, de repente, parece que a fábrica do Coelho da Páscoa instalou-se em casa! Não é uma proibição de chocolate, acho inevitável nessa idade dos meus filhos, é apenas uma moderação.

Só que, num domingo qualquer, você precisa de uma coisa ou outra do supermercado e acaba dando um pulinho junto com as crianças. Juro que evito esse “programa” nessa época do ano, quando não se enxerga nada do que realmente precisa, mas apenas os papéis coloridos e brilhantes dos ovos de Páscoa. Nessas horas é difícil até fazer um filho andar em linha reta e olhando pra frente, eles saem feito baratas-tontas olhando praquele monte de ovo pendurado no teto.

Saí vitoriosa do supermercado, comprei exatamente e apenas o que estava na minha lista, porém voltei com uma lista de pedidos para o Coelhinho… Logicamente, os pedidos tratam de ovos de chocolate de qualidade mediana (acho que tô sendo boazinha) e que vêm com brinquedos de qualidade abaixo da crítica.

Novamente, eu queria uma Páscoa com chocolate gostoso, de qualidade e com diversão em família para uma data que nos é importante.

Mas daí, penso na vontade e no desejo das crianças, na possibilidade de ceder a um apelo que geralmente não cedemos e… fico na dúvida! Como lidar?

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PRIORIDADES

Eu costumo dizer que não é complicado desfraldar filho. Difícil mesmo é não REFRALDAR. Além dessa conclusão pessoal, acrescento que os filhos podem desfraldar, refraldar, desfraldar novamente, fralda do dia, da noite e, ainda assim, não aprendem a dar a descarga. Eles aprendem a fazer as devidas necessidades na privada, até lavam as mãos, mas o negócio todo permanece lá na privada. Meninos e meninas. Não sei se é uma pegada eco-sustentável, planejamento financeiro/economia doméstica, mas sei que, TODOS OS DIAS, lá pela hora do almoço, ando pela minha casa, passo por todos os banheiros e todas as privadas estão amarelinhas, falando no modo otimista. Já conversei taaaanto sobre isso, ameacei não dar a sobremesa para quem não der descarga, mas assim é que tem sido.

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No final do ano passado, eu já preocupada com um assunto dos meninos, fui chamada na escola para uma reunião “extraordinária” e descobri que não estava enlouquecendo à toa: o mesmo problema que me preocupava, preocupava também a atenciosa professora. A questão tratava da fala dos meninos. Eles cometem algumas trocas quando se expressam, tudo natural, comum e até esperado para a idade deles. Porém, quando não são compreendidos e alguém pergunta “o que você falou?”, eles se inibem, travam e não falam mais.

Era caso de indicação de terapia com uma fono, não pela idade, mas por essa questão de comunicação, do social e tal. Eu queria – a qualquer custo! – que o Joaquim e o Pedro iniciassem as sessões com a fono em dezembro, o que me rendeu o apelido de “louca-exagerada-neurótica-maluca”, afinal de que adianta fazer umas duas sessões de fono em dezembro, daí vem as férias e tudo o que foi trabalhado é perdido ou esquecido? Fiquei sem dormir, insisti horrores, convenci a todos de que o caso era gravíssimo e que precisava de intervenção imediatamente.

Os meninos não falavam a letra “L”. BOLA era BÓIA, MANUELA era MANUEIA, LÁPIS era IÁPIS e assim por diante.

Venci a batalha e agendei as sessões com a fono em dezembro mesmo, exatas duas sessões. Na primeira delas, exatos 45 minutos depois, eles aprenderam a falar o “L”. BOLA é BOLA, MANUELA é MANUELA, LÁPIS é LÁPIS  e não houve tempo de férias suficientes para “estragar” o trabalho da fono.

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Quarenta e cinco minutos para aprender a falar. Dois anos e não aprenderam a dar descarga.

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O picolé de fruta e a morte da tartaruga

Se você estiver em uma praia lotada durante o feriado e perceber que, de um segundo para o outro, um bando de crianças saiu correndo na mesma direção, não tem dúvida ou segredo: chegou o sorveteiro! Enquanto as crianças correm, as mães e pais fuçam em suas bolsas, procuram o dinheiro e seguem atrás dos filhos para pagar o picolé.

Dois meninos, amigos ou primos, entre 4 e 5 anos, foram os primeiros a chegar no carrinho vermelho de sorvete. Apoiaram-se naquela plaquinha que seria o “cardápio de sorvetes” e ficaram olhando, admirando e escolhendo o sorvete do dia.

As mães vieram logo em seguida. Uma delas posicionou-se atrás dos dois meninos e bem de frente para o sorveteiro. A outra, estava do lado oposto e atrás do sorveteiro. Os dois meninos começaram a gritar em coro:

- Brigadeiro! Brigadeiro! Brigadeiro!

A mãe que estava atrás deles se sacudia inteira, porém em silêncio e fazia um enfático “NÃO” com o dedo para o sorveteiro. A mãe atrás do sorveteiro cochichou algo no ouvido do rapaz que disse em seguida:

- Só tem picolé de fruta.

Depois que os dois meninos escolheram seus picolés de frutas, observavam, entre uma lambida e outra, as outras crianças que saiam dali com picolés doces e extremamente açucarados em mãos.

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Quando eu era criança, tive uma tartaruga que era a minha paixão. Batizei-a com o nome de Maria Pia, coisa que acho chique até hoje. Fomos passar férias na praia e a Maria Pia nos acompanhou na viagem. Ela passou bons dias ensolarados em um lindo jardim que havia na casa que havíamos alugado para o verão.

Na hora de ir embora, fui em busca da Maria Pia e a minha mãe me deu a triste notícia de que a Maria Pia havia arrumado um namorado, me deixou um grande beijo, mas foi embora com um tartarugo qualquer. Não foi tristeza que eu senti ali, não, foi traição mesmo, com um toque de decepção pela minha querida tartaruga ter me abandonado pelo primeiro tartarugo que apareceu.

Alguns anos depois, a minha mãe me contou que não teve namorado nenhum, a Maria Pia foi encontrada morta, picada por uma aranha, uma cena horrível da qual ela quis me poupar. Longe de mim condenar ou julgar a atitude da minha mãe, mas hoje penso que eu gostaria de ter sentido tristeza pela morte dela, de ter podido me despedir e até de enterrá-la naquele lindo gramado. Colocando na balança, esses sentimentos e a possibilidade desse ritual de despedida me soam melhor do que traição de decepção por uma tartaruga.

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Eu já vi pais e mães que liberam todos os sorvetes, independentemente do nível de açúcar e calorias. Tem uns que deixam os filhos rolarem na areia de tanto chorar, mas não compram sorvete em hipótese alguma. Já presenciei aqueles que deixam claro que só pode escolher os de fruta mesmo e ponto final. Tem também pais e mães que negociam o picolé pelo quanto que cada um custa. Ou seja, cada família tem seus acordos, regras e negociações.

E, mesmo assim, os episódios da morte da tartaruga e o do picolé de frutas x picolé de brigadeiro relacionam-se na minha cabeça de uma maneira absurda e até exagerada, não consigo dissociá-los. Tanto eu como os dois meninos, fomos “protegidos” de alguma coisa pelas nossas mães. Se a minha mãe estava preocupada com os meus sentimentos e tentou me esquivar da tristeza pela morte da tartaruga, as mães dos meninos estavam preocupadas com a alimentação dos filhos e tentaram – com sucesso – poupá-los de um picolé cheio de açúcar. Novamente, longe de mim julgar ou condenar essas mães, só elas sabem as dificuldades de alimentação dos filhos, os desafios diários, as birras enfrentadas por frustrações e pelas negativas, mas fazer valer a regra do “só pode picolé de fruta” através de um “segredo” contado no ouvido do sorveteiro me pareceu também exagerado.

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ATENÇÃO: ESSE POST CONTÉM DOSES DE DRAMA E DE FRUSTRAÇÃO

Quem é mãe não tem mais vez nem dentro da própria casa. A gente sabe que os brinquedos dominam a sala, os bichinhos que espirram água tomam conta do banheiro e até o jardinzinho e floreiras do terraço tornam-se propriedades dos pequenos.

Já passou paisagista e jardineiro por aqui, mas demiti todo mundo quando as crianças resolveram “decorar” o jardim com uns potinhos de plástico, algodão e sementinhas de feijão. Ok, o jardim é de vocês, beleza, sem problemas.

Daí, mergulhei de cabeça nesse projeto. Abracei a Mãe Natureza que habita esse apartamento na cidade de São Paulo e resolvi fazer a tal da horta para as crianças plantarem, mexerem na terra, cultivarem e regarem as plantinhas.

Cheguei na loja de artigos da Mãe Natureza e encontrei tudo de que precisava. Deixei por último a escolha das sementes. Imaginei aquela abundância de temperinhos para plantar na floreira tamanho apartamento, colher e utilizar nas comidinhas de casa… Mas a oferta não estava tão boa assim. Achei que morangas e melancias seriam too much, então fui de camomila, tomatinhos e arruda mesmo.

O combinado foi que cada um dos meus filhos teria a sua própria floreira para cuidar. Portanto entreguei os três pacotinhos de sementes diferentes e falei para cada  um escolher o seu. Fiquei extremamente surpresa, pois não houve briga na hora da escolha. Eu lá achando que os tomates seriam super disputados, mas não. O Pedro foi o primeiro a escolher e optou pela camomila. O Joaquim, em seguida, quis a arruda. E o preterido tomate fico para a Manu.

Sementinhas plantadas, cada floreira identificada com o nome do “cuidador”, só nos restava regar as plantinhas diariamente e torcer para que crescessem logo.

A camomila, em menos de uma semana, já começou a dar o ar da graça. De maneira tímida, mas apareceu.  O tomate, gente, nunca vi nada igual! Cresceu horrores, quase não cabe na floreira, um escândalo! Mas e a arruda? Nada. Nadinha. Nem o cheiro.

E aí, pessoas, a mãe leoa é quem dá as caras com unhas e dentes. Como assim só a plantinha do Joaquim não cresceu? Como assim ele tá triste, de bico e tromba por causa de uma arruda estúpida? Cadê o adubo?  O fertilizante?

Não tem, não adianta mais. Ele já viu, já se deparou com a cena das plantinhas crescidas dos irmãos e a dele, nada. Não dá para voltar atrás, disfarçar ou fincar uma planta artificial naquela terra. Então, pessoal, a criança já está frustrada (para sempre?) e não existe no mundo mãe leoa capaz de lutar contra essa força da Mãe Natureza.

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