FÉRIAS DOS DOIS E DOS CINCO

A minha filha mais velha anda extremamente preocupada em cuidar da natureza e fazer brinquedos de sucata. O meu filho do meio, ou o gêmeo que nasceu primeiro, está intrigadíssimo tentando descobrir como é que o Saci dá cambalhota, já que ele só tem uma perna (caros leitores, já varri esse mundo internético, mas não custa apelar. Se alguém tiver foto ou vídeo de um Saci dando cambalhotas, favor compartilhar. Criança intrigada. Recompensa-se bem). E o meu filho caçula, ou o gêmeo que nasceu depois e presta a maior atenção nas conversas dos seus pais e nas inserções politiqueiras na TV e no rádio, tem tentando agrupar os caras importantes do atual cenário político (eleições e julgamento do mensalão) entre os do bem e os do mal.

E as minhas preocupações, além de um projeto verão semi-fail e da idade avançada sambando na minha cara, são as de sempre, mas com um extra: organizar a vida, a rotina, as malas e mochilas, os leva-e-traz da escola e da natação na minha ausência e do Maridinho.

Sair de férias a dois é uma delícia e um “compromisso” que tentamos cumprir anualmente, mas os preparativos e os dias que antecedem a nossa viagem me tiram o sono, produzem lágrimas à toa e me levam a loucura obsessiva de listas, tabelas e calendários ad eternum. É incrível como delegar tarefas relativamente simples do dia-a-dia (preparar as lancheiras, separar os uniformes de maneira adequada ao tempo lá fora, ajudar na lição de casa e etc) tornam-se verdadeiros monstros de sete cabeças diante de mim!!!

Mas, é bom, gente. Se não tiver emoção, não tem graça. Com a deliciosa vantagem de tirarmos uns dias sozinhos, daí voltamos, abraçamos, beijamos as crianças, matamos as saudades, desfazemos as malas, refazemos e partimos os cinco, família completa para a segunda parte das férias.

Eu volto em não tão breve, pode ser?

(Comentários a respeito da encomenda do quarto filho serão automaticamente respondidos com um “faz-me rir”, rá!)

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A VIDA FORA DA BARRIGA

Na época em que eu era uma mocinha solteira, nada sabida e pouco interessada no assunto filhos ouvi de uma louca mulher, já mãe de segunda viagem, que o bebezinho recém-nascido dela dava muito trabalho, pois estava em fase de adaptação à vida fora do útero.

Hummm… a minha impressão desta pessoa já parece óbvia: qual é a dificuldade, minha gente? Aqui fora tem luz, colinho, carinho, leitinho, o que pode ser tão difícil??

Um bom tempo depois, eu tive a minha primeira filha, nascida após 40 semanas completas de gestação, um bebezinho “perfeitamente adaptado” à vida extra-uterina. A frase da doidinha continuava sem fazer sentido na minha cabeça.

Pouco tempo depois, nasceram os meus meninos gêmeos, Joaquim e Pedro, saídos da minha barriga depois de 37 ½ semanas de gestação, o que foi considerado excelente para uma gestação gemelar. Nasceram com peso de bebês “únicos” (3,2kg e 2,3kg), mas o Pedro, que foi o menorzinho, disseram-me que já estava quase em sofrimento fetal, também conhecido por “esmagamento na placenta” pelo seu irmão gêmeo grandão. Eu mesma tive a tal da “atonia uterina”, uma hemorragia fortíssima e séria no pós-parto, que me deixou anêmica por um bom tempo. Mas, tendo em vista a saúde, o peso e a desnecessidade da UTI neonatal, tudo foi considerado um sucesso.

Então, os meninos vieram para casa e o sufoco começou. Eles só choravam, dia e noite, noite e dia sem parar! O recorde de tempo sem choro era de uns 15 minutos, não importava se era dia ou noite. Eu não dormia e não conseguia ir a lugar algum com eles, afinal, que agradável, não? A verdade é que eu fiquei tão transtornada que pouco me lembro da época, só sei que era intensamente enlouquecedor e cansativo, tanto que me arrepia a alma até hoje ouvir um bebezinho urrar.

Resolvi cuidar do problema, era lógico que havia um problema de verdade e só poderia ser cólica. Não é verdade que os bebês têm cólica? O “normal” é que elas apareçam e façam os bebês urrarem, se contorcerem e ficarem quase roxos de dor, não é mesmo? Não tá certo isso? Dos urros, eu me lembro bem, agora “contorcionismos” e bebês roxos, não posso afirmar. Mas era cólica. Cer-te-za.

Tratei de atacar a cólica. Com métodos “naturais” como colocá-los na minha barriga, bolsas de água quente, chazinhos da vovó e até coisas mais “hardcore”, como medicamentos.

E, acreditem: nada resolveu. Passaram-se 3 meses e eles não choravam mais, eram bebezinhos alegres e deliciosos que, tadinhos, sofreram muito de cólicas nos 3 primeiros meses de vida.

Incrível como eu realmente acreditei nisso até ontem. Cólicas. Todos os bebês têm cólicas. Como se isso fosse verdade.

Confesso que errei e que ataquei o problema errado. Mas, era o possível para mim naquela época, da montanha-russa mais radical em que eu já entrei. Não me sinto culpada, de verdade, pois tenho a consciência de ter feito o meu melhor, de ter sido a melhor mãe para eles naquele comecinho de vida, a melhor mãe que eu pude ser naquela fase deles e minha.

Hoje em dia, certamente faria diferente, aliás, acho que faço. Não procuro enfrentar os problemas e dificuldades da maternidade de acordo com o que está escrito nas bíblias dos bebês e crianças, do que é normal e esperado para cada fase de suas vidinhas. Eu olho bem fundo nos olhos dos meus filhos e tenho certeza que (ainda) os conheço melhor do que ninguém. (Já perceberam como brilham os olhos das crianças?). E é esse o meu norte: o brilho nos olhos dos meus filhos. Eles me dizem um monte de coisa e me mostram qual caminho trilhar.

A gente dormia muito junto, aqueles cochilinhos da tarde e, quando isso acontecia, eles se acalmavam. Depois, aprendi que se eu não podia deitar e descansar com eles, colocava os dois para dormir juntos, no mesmo berço ou até no moisés. Eles ficavam juntinhos, bem apertadinhos e também se acalmavam. Isso foi puro instinto, uma maneira de “imitar” a vida uterina dos gêmeos, ou de colocá-los junto de mim, sentindo o cheiro, a respiração e os batimentos cardíacos da mãe. Falar assim me parece até bobo de tão óbvio que é, mas naquela época, não era. Era instinto.

Quem não quer??

Não me culpo, não me arrependo e também não estou aqui para aconselhar ninguém, só para refletir mesmo. Pois tenho essa sensação de que uma ficha demorou quase 4 anos para cair. E a vida continua, com todas as suas dificuldades e alegrias, não tem escape, assim como fica difícil fugir da idéia de que cada um é o melhor que se pode ser. Simples assim. Complicado assim. Conflituoso assim. Eu já quis ser a melhor, mas tenho plena consciência de que sou a melhor que eu posso ser e é inacreditável como essas palavras – que mais se parecem um balde de água fria – saiam dos meus pensamentos, passem pelos meus dedos no teclado, registram uma página do Word do meu computador e me caiam como um verdadeiro abraço. O abraço poderia ser dos meus filhos. Acho que não seria um abraço de muita alegria e entusiasmo, mas nem um abraço de tristeza também. É daqueles maduros, de compreensão e que, também instintivamente, oferece o ombro para que eu possa aconchegar a minha cabeça, já leve.

Aos meus filhos, o meu amor e agradecimento eternos.

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OS MALAS

Eu podia estar fazendo uma bela mala de executiva top de linha: sapatos, bolsas e roupas incríveis para enfrentar a primeira classe das melhores companhias aéreas e viajar o mundo por motivos de negócios milionários… Mas, não. Vejam o que eu faço (quase) TODOS OS DIAS da semana:

Domingo à noite: mala do judô do Joaquim e do Pedro na escola;

Segunda: mala da Manu, do Joaquim e do Pedro para a natação no clube;

Terça: mala do judô do Joaquim e do Pedro na escola + mala da Manu para a natação na escola;

Quarta: mala da Manu, do Joaquim e do Pedro para a natação no clube + mala da Manu para a natação na escola;

Quinta: mala da Manu para a natação na escola;

Sexta: mala da família inteira para a praia;

Sábado: “livre”;

Domingo de tarde: mala da família inteira para a volta da praia (incluam aí uma boa dose de areia e água do mar, por favor).

Ou seja, o glamour das atividades extra-curriculares da maternidade resume-se a toucas, óculos de nadar, sungas, maiôs e quimonos. O sapato é baixo, bem no estilo tocando o chão. E a bolsa, molenga, grande e lotada de acessórios e itens do vestuário infantil.

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O picolé de fruta e a morte da tartaruga

Se você estiver em uma praia lotada durante o feriado e perceber que, de um segundo para o outro, um bando de crianças saiu correndo na mesma direção, não tem dúvida ou segredo: chegou o sorveteiro! Enquanto as crianças correm, as mães e pais fuçam em suas bolsas, procuram o dinheiro e seguem atrás dos filhos para pagar o picolé.

Dois meninos, amigos ou primos, entre 4 e 5 anos, foram os primeiros a chegar no carrinho vermelho de sorvete. Apoiaram-se naquela plaquinha que seria o “cardápio de sorvetes” e ficaram olhando, admirando e escolhendo o sorvete do dia.

As mães vieram logo em seguida. Uma delas posicionou-se atrás dos dois meninos e bem de frente para o sorveteiro. A outra, estava do lado oposto e atrás do sorveteiro. Os dois meninos começaram a gritar em coro:

- Brigadeiro! Brigadeiro! Brigadeiro!

A mãe que estava atrás deles se sacudia inteira, porém em silêncio e fazia um enfático “NÃO” com o dedo para o sorveteiro. A mãe atrás do sorveteiro cochichou algo no ouvido do rapaz que disse em seguida:

- Só tem picolé de fruta.

Depois que os dois meninos escolheram seus picolés de frutas, observavam, entre uma lambida e outra, as outras crianças que saiam dali com picolés doces e extremamente açucarados em mãos.

*****

Quando eu era criança, tive uma tartaruga que era a minha paixão. Batizei-a com o nome de Maria Pia, coisa que acho chique até hoje. Fomos passar férias na praia e a Maria Pia nos acompanhou na viagem. Ela passou bons dias ensolarados em um lindo jardim que havia na casa que havíamos alugado para o verão.

Na hora de ir embora, fui em busca da Maria Pia e a minha mãe me deu a triste notícia de que a Maria Pia havia arrumado um namorado, me deixou um grande beijo, mas foi embora com um tartarugo qualquer. Não foi tristeza que eu senti ali, não, foi traição mesmo, com um toque de decepção pela minha querida tartaruga ter me abandonado pelo primeiro tartarugo que apareceu.

Alguns anos depois, a minha mãe me contou que não teve namorado nenhum, a Maria Pia foi encontrada morta, picada por uma aranha, uma cena horrível da qual ela quis me poupar. Longe de mim condenar ou julgar a atitude da minha mãe, mas hoje penso que eu gostaria de ter sentido tristeza pela morte dela, de ter podido me despedir e até de enterrá-la naquele lindo gramado. Colocando na balança, esses sentimentos e a possibilidade desse ritual de despedida me soam melhor do que traição de decepção por uma tartaruga.

*****

Eu já vi pais e mães que liberam todos os sorvetes, independentemente do nível de açúcar e calorias. Tem uns que deixam os filhos rolarem na areia de tanto chorar, mas não compram sorvete em hipótese alguma. Já presenciei aqueles que deixam claro que só pode escolher os de fruta mesmo e ponto final. Tem também pais e mães que negociam o picolé pelo quanto que cada um custa. Ou seja, cada família tem seus acordos, regras e negociações.

E, mesmo assim, os episódios da morte da tartaruga e o do picolé de frutas x picolé de brigadeiro relacionam-se na minha cabeça de uma maneira absurda e até exagerada, não consigo dissociá-los. Tanto eu como os dois meninos, fomos “protegidos” de alguma coisa pelas nossas mães. Se a minha mãe estava preocupada com os meus sentimentos e tentou me esquivar da tristeza pela morte da tartaruga, as mães dos meninos estavam preocupadas com a alimentação dos filhos e tentaram – com sucesso – poupá-los de um picolé cheio de açúcar. Novamente, longe de mim julgar ou condenar essas mães, só elas sabem as dificuldades de alimentação dos filhos, os desafios diários, as birras enfrentadas por frustrações e pelas negativas, mas fazer valer a regra do “só pode picolé de fruta” através de um “segredo” contado no ouvido do sorveteiro me pareceu também exagerado.

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O RETORNO DAS PÉROLAS

Este blog já contou mais gracinhas dos meus filhos, eu sei… Mas a verdade é que as coisas acontecem tão rápido e eu corro lá no Twitter, pelo celular mesmo, para não deixar de registrar as “pérolas”. Criei vergonha na cara e vou copiar e colar tudo para cá. Aproveitem, divirtam-se e um excelente feriado a todos!

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