O guarda-roupa que não é de Nárnia

Caras leitoras,

vocês devem estar aqui hoje em uma espécie de comemoração do fim das férias escolares. Que momento sublime da maternidade! Quando os intermináveis 30 dias de férias acabam e você consegue se atualizar nas notícias, blogs e redes sociais. Ter algumas horinhas de sossego e silêncio é mais do que revitalizante, é uma questão de sanidade, concordam? Fazer as coisas sem interrupções e solicitações sem fim ajudam até na nossa capacidade de raciocinar, de finalizar as tarefas. Os filhos que me perdoem, mas a volta às aulas é fundamental.
Apesar da introdução dramática, juro que não tenho mais medo das férias escolares. Ju-ro. Não preciso mais correr atrás de criança o tempo todo, ao contrário, eles correm de mim e eu até descanso!
Mas, vejam só, como nenhuma mãe veio ao mundo a passeio e descanso não combina com maternidade, as minhas férias tiveram um, ops, dois toques a mais: (1) VAZAMENTO e (2) OBRA.
Eu cheguei a considerar que um vazamento na cozinha até poderia ser divertido: já pensou café da manhã, almoço e jantar fora? Caro, mas delicioso. Ou até um vazamento na lavanderia: mandar roupa para lavar fora todos os dias. Novamente caro, mas não ouvir barulho de máquina seria também delicioso.
Mas, não, nada disso. O vazamento foi dentro do armário dos meninos, passando pelo banheiro deles, pelo quarto da Manu e pelo banheiro dela. Estragou o piso dos quartos, precisei arrancar tudo e ficar só no contra piso, banheiros e quartos com paredes quebradas, gente entrando e saindo de casa o dia inteiro para trabalhar, barulho, pó, bagunça, sujeira, todas as coisas e móveis dos quartos e banheiros empilhados e amontoados na sala! Imaginem que a minha mesa de jantar virou guarda-roupa das crianças! Ah! E, lógico, 3 crianças de férias entediadas em casa.
Estamos assim há 3 semanas e meia.
Eu preciso de férias escolares!
Só para mim?
Posso?
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UM FILTRO A MAIS

Já faz tempo que eu criei, no meu computador, uma pasta chamada “rascunhos mamãe tá ocupada!!!”. Outro dia, fui olhar o que estava ainda no formato rascunho e me dei conta que são muitos, mas muitos posts inacabados. Estranho isso, já que eu sempre publiquei tanto e continuo escrevendo quase que diariamente. Só que eu não consigo terminar os meus textos e publicá-los. Então, munida de coragem e disposição, resolvi eliminar os rascunhos e finalizar todos os textos para agitar o blog.

Missão impossível, gente!

No entanto, entendi uma série de coisas a respeito dessa “lentidão bloguística”.

A minha verdade-verdadeira é que a maternidade atingiu um nível em que não é mais possível compartilhar, contar, narrar, relatar e perguntar tudo o que se quer.

Outro dia, eu estava no maior papo com um grupo da minha família no whatsapp e a Manu estava do meu lado, lendo e acompanhando as mensagens. Daí, ela me fez uma pergunta sobre o assunto em questão e eu lancei a pergunta dela para a minha família. No instante em que leu a mensagem enviada, Manuela se manifestou bravamente:

- Ei, Mamãe, não era para falar isso pra eles!

Ei * Mamãe * não * era * para * falar * isso * pra * eles *.

Essas palavras não saem da minha cabeça, assim como na minha cabeça de adulto, não era nada de mais, era apenas uma pergunta fofa e engraçadinha da minha filha. Foi aí que me dei conta dos meus 556 posts publicados: quanto de tudo aquilo poderia despertar a braveza dos meus filhos? Fazê-los com que se sentissem expostos para um bando de desconhecidos?

Se antes eles eram bebezinhos e faziam um monte de gracinhas fofas de contar para o mundo, agora são pessoinhas, que atingiram uma nova fase de vida, com outras questões. Não digo problemas, mas aspectos mais profundos e mais reflexivos. É isso o que a maternidade adquiriu: profundidade e reflexão. É lógico que esses aspectos sempre existiram, mas muito mais em relação a mim como mãe. Mas hoje também enxergo neles essas características.

Manuela é a grande inauguradora de fases, mas puxa junto os seus irmãos gêmeos mais novos e isso me dá a maior trabalheira. Trocar fralda e administrar a rotina de 3 bebês sempre foi exaustivo e trabalhoso, mas fazer esse gerenciamento de recursos mini-humanos também me consome. Desculpem se o tom é negativo, o sentido dessa nova fase da maternidade não é esse, trata-se apenas do reconhecimento de que os bebês desapareceram, eu tenho “pessoas de verdade” em casa. São seres humanos incríveis, bacanas até o último fio de cabelo, mas sinto que precisam de uma certa preservação. Ou seja, não me sinto à vontade para expor as “grandes questões” do momento. Só isso. Não é o fim do blog, apenas um blog com filtro a mais, porque “Ei, Mamãe, não era para falar isso pra eles” me doeu profundamente.

(E como todas as fases da maternidade, me avisaram que esse dia chegaria. E como todas as fases da maternidade, eu nunca imaginei que chegaria tão cedo.)

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Dá para mudar o foco??

Eu levanto todos os dias de manhã e vou ao banheiro para começar o dia com um mínimo de dignidade. Fazer xixi, escovar os dentes e lavar o rosto, certo? Então, reparo na bancada da minha pia e vejo que está tudo arrumadinho, bem bonitinho até, em cestinhas e copinhos , mas quero mudar e rearrumar tudo. Ah, e lógico fazer um post sobre o assunto. Daí, corro para procurar alguma coisa para botar nos pés, uma pantufa ou uma daquelas meias-sapatinha com elástico. Inevitável dar uma olhada nas minhas bijuzinhas que ficam por ali e acho tudo sem graça, bagunçado e impossível de visualizar. Também me dá vontade de arrumar de uma maneira mais charmosinha e escrever sobre isso. Com todas as estantes da minha casa, a mesma coisa. Com os brinquedos das crianças, idem. Com os armários da cozinha, idem idem. Tudo bem que eu tenho mania de arrumação, mas dou uma olhada rápida nas notícias e polêmicas do momento e quero escrever sobre essas coisas também. Sobre o Ades de maçã, a PEC das empregadas domésticas, a final do Big Brother, o Mulheres Ricas , a Dani Calabresa do CQC, o Feliciano, o Papa Francisco e, vejam que loucura, sobre quem será o pai da filha da tal modelete.

Então, eu penso em mudar o foco desse blog. Penso num nome que possa abranger todos os assuntos, afinal eu nem pareço mais tão ocupada assim, tô com tempo de sobra para viajar filosofar sobre esse monte de coisa aí.

O tempo, na verdade, voa e quando me dou conta, já é hora de preparar as lancheiras e mochilas para mais um dia de escola das crianças. Precisamos almoçar e nos arrumar para sair, sempre atrasados e com os minutos contados.

A lancheira pode virar uma guerra, já que as crianças querem saber porque não podem levar banana split (!!!) de lanche, ou mesmo um potinho de gelatina: “é só colocar uma tampa que não vai vazar e pingar, Mamãe!!!”.

As mochilas transbordam de tanto papel, bilhetes e desenhos que eles insistem em guardar. Além disso, perguntam diariamente “hoje é o Dia do Brinquedo?” e é comum tentarem enfiar algum brinquedinho mínimo sem que eu perceba.

Na hora do almoço, a coisa vai bem, eles comem sem problemas e sozinhos. Mas cada um quer um suco diferente, uma sobremesa diferente, brigam para ver quem vai sentar do lado de quem, fazem “competição” de quem termina primeiro, de quem comeu mais e, é lógico, insistem na tal da banana split.

Eu saio para levá-los à escola e a briga começa no hall do meu andar. Mais briga: quem aperta o botão de chamar o elevador, quem aperta o botão da garagem, quem abre a porta, quem sai primeiro, quem senta no banco do meio do carro e, a disputa final: qual música vai tocar a caminho da escola. A preferida da Manu (Gangnam Style, do Psy ou Moves Like Jagger, do Maroon 5), a do Joaquim (We are Young, do Fun com Janelle Monáe) ou a do Pedro (Your Song, do Billy Paul).

Deixo os 3 na escola e me sinto mais leve, tamanha a exaustão e o estresse desses momentos todos. Volto a pensar no meu blog e no foco que quero dar a ele. Mudar? Impossível! Isso é para os fracos! Deixo os assuntos variados para a timeline das minhas redes sociais, sou team maternidade da cabeça aos pés e muito ocupada, sim senhor!

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PRIORIDADES

Eu costumo dizer que não é complicado desfraldar filho. Difícil mesmo é não REFRALDAR. Além dessa conclusão pessoal, acrescento que os filhos podem desfraldar, refraldar, desfraldar novamente, fralda do dia, da noite e, ainda assim, não aprendem a dar a descarga. Eles aprendem a fazer as devidas necessidades na privada, até lavam as mãos, mas o negócio todo permanece lá na privada. Meninos e meninas. Não sei se é uma pegada eco-sustentável, planejamento financeiro/economia doméstica, mas sei que, TODOS OS DIAS, lá pela hora do almoço, ando pela minha casa, passo por todos os banheiros e todas as privadas estão amarelinhas, falando no modo otimista. Já conversei taaaanto sobre isso, ameacei não dar a sobremesa para quem não der descarga, mas assim é que tem sido.

*****

No final do ano passado, eu já preocupada com um assunto dos meninos, fui chamada na escola para uma reunião “extraordinária” e descobri que não estava enlouquecendo à toa: o mesmo problema que me preocupava, preocupava também a atenciosa professora. A questão tratava da fala dos meninos. Eles cometem algumas trocas quando se expressam, tudo natural, comum e até esperado para a idade deles. Porém, quando não são compreendidos e alguém pergunta “o que você falou?”, eles se inibem, travam e não falam mais.

Era caso de indicação de terapia com uma fono, não pela idade, mas por essa questão de comunicação, do social e tal. Eu queria – a qualquer custo! – que o Joaquim e o Pedro iniciassem as sessões com a fono em dezembro, o que me rendeu o apelido de “louca-exagerada-neurótica-maluca”, afinal de que adianta fazer umas duas sessões de fono em dezembro, daí vem as férias e tudo o que foi trabalhado é perdido ou esquecido? Fiquei sem dormir, insisti horrores, convenci a todos de que o caso era gravíssimo e que precisava de intervenção imediatamente.

Os meninos não falavam a letra “L”. BOLA era BÓIA, MANUELA era MANUEIA, LÁPIS era IÁPIS e assim por diante.

Venci a batalha e agendei as sessões com a fono em dezembro mesmo, exatas duas sessões. Na primeira delas, exatos 45 minutos depois, eles aprenderam a falar o “L”. BOLA é BOLA, MANUELA é MANUELA, LÁPIS é LÁPIS  e não houve tempo de férias suficientes para “estragar” o trabalho da fono.

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Quarenta e cinco minutos para aprender a falar. Dois anos e não aprenderam a dar descarga.

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O filho que fugiu da fôrma

Que os filhos chegam em nossas vidas para nos ensinar – à força!! -  uma série de coisas não é novidade para nenhuma mãe. Podia ser com calma, devagar, da tal maneira lúdica e respeitando o tempo da mãe (?), mas é bem o oposto. Considero difícil lutar contra e pedir para desacelerar, portanto acho que cada mãe vive a maternidade na velocidade que o filho lhe impõe, não é?

Uma das melhores imagens que me vem à cabeça sobre isso é dos bebezinhos pequenininhos mamando na mãe. Tem aquele que suga vorazmente, que esgota a mãe com toda a energia que ele investe naquele momento e, em outro oposto, o bebê que mama bem devagarinho, cochila, acorda, mama mais um pouco, dorme e assim vai… Ambos fazendo praticamente a mesma coisa, alimentando-se, recebendo carinho, entrando em contato com a mãe, mas cada um da sua maneira e ao seu ritmo.

A maneira e o ritmo perduram pelo resto de toda a vida, outra coisa que não é novidade. Podem mudar, é claro que mudam, mas verdade é que cada um vai ter sempre o seu “jeitinho”. (Uma particularidade do “jeitinho” que eu adoro ver são as heranças da família, não apenas as genéticas, mas as dos jeitinho do pai e da mãe que os filhos herdam mesmo.)

Quem nunca vestiu uma roupa, se achou linda, daí enfrentou um espelho poderoso e se achou completamente esquisita no modelito? Filho também faz essa função de espelho, tanto para as fofurices, quanto para as esquisitices. A Manu, muitas vezes, é o meu espelho. O Joaquim, também muitas vezes, é o espelho do pai. Para o nosso total orgulho e admiração, assim como para as nossas profundas reflexões. Às vezes chega até a parecer aquela brincadeira irritante e caricatural que as crianças fazem de um ficar imitando o outro.

Quando o filho faz o espelho dos pais, a gente consegue entender uma série de coisas que fazemos de maneira consciente ou não, dos exemplos que damos e do modelo parental que somos. Para as coisas “boas” e “ruins”, exercício de aprendizado sem fim!

Mas, daí, você tem um filho que, apesar de ser gêmeo univitelino do menino espelho do pai, fugiu da fôrma da família. O aprendizado é sem fim também, afinal nada melhor do que aprender com o diferente, mas a curiosidade é o que mais me move e me toca nessas horas.

O Pedro é o meu filho que fugiu da fôrma. Não de maneira geral, mas como o Joaquim e a Manu, muitas vezes. E o que mais me chama atenção é pela diferença gritante que temos e pelo tanto que eu venho aprendendo com ele.

Eu sou extremamente acelerada, faço trocentas coisas ao mesmo tempo, que nem sempre saem da maneira como deveriam e a culpa é toda minha, ou da minha pressa. É melhor resolver tudo em uma hora e não ficar satisfeita, ou resolver 70% das tarefas em um dia inteiro e ter um resultado incrível?

Outro dia, o Pedro passou um dia inteiro fazendo um desenho. Não era apenas um desenho, era uma “atividade artística” que ele mesmo inventou e resolveu fazer sozinho. Ele queria desenhar um jardim. Eu teria rabiscado uma grama, desenhado árvores, flores, um sol, umas nuvens, uns passarinhos e pronto! Jardinzinho meia-boca, mas pronto em 5 minutos. O Pedro, não. Ele desenhou tudo o que gostaria de colocar no jardim: grama, árvore, joaninha, borboleta, flor, minhoca, caracol e ele mesmo plantando mais algumas coisas no jardim. Depois de tudo desenhado, recortou um a um. Daí, pegou um outro papel e foi colando com durex tudo o que estaria no jardim. Trocou as coisas milhares de vezes de lugar e, dias depois, ainda fazia lá os retoques no jardim. Não sei se pretende atingir a perfeição ou se um artista nato simplesmente age dessa maneira.

Semana passada era a última da natação, por isso as duas aulas da semana seriam na piscina social do clube, só farra e brincadeiras. O Pedro foi lá e participou da primeira aula numa boa. Dois dias depois, seria o último dia de aula da natação nessa mesma piscina. Quando fui arrumá-lo de manhã para irmos ao clube, ele começou a chorar dizendo que não queria nadar naquela piscina, pois achou a água muito fria. Eu acatei e permiti que ele não participasse da aula. Ficou assistindo a Manu e o Joaquim nadando e se esbaldando e não manifestou vontade alguma de entrar na piscina, manteve-se firme e forte na decisão.

Tem um lado meu que morre de admiração e orgulho pelo tempo em que ele investe em uma atividade, como essa do jardim. Pelo capricho, pela atenção, o cuidado e a dedicação. Mas, tem um outro lado meu, muito de mãe, que sofre com esse tempo do filho. Filho este que demorou dois dias para “digerir” a temperatura da água e vir me contar chorando que a achou muito fria. E eu fico imaginando os motivos dele não ter reclamado da água fria na hora em que saiu da piscina na primeira vez. Qual será o caminho que os sentimentos percorrem dentro da cabecinha e do coraçãozinho do meu Pedro até que sejam expressados verbalmente? Será que nesse trajeto – longo e demorado, de acordo com o olhar de uma mãe acelerada – algumas coisas são perdidas e não comunicadas? Ou será que essa “digestão” mais longa dos sentimentos faz do meu filho uma pessoa mais ponderada e menos explosiva?

As respostas talvez venham ao longo de toda a sua vida, ou não, mas as lições, com certeza!

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