Uma escola nova, grande e tradicional

Eu estudei por alguns bons e importantes anos da minha vida em uma escola bem “hipponga”. Tenho excelentes recordações das pessoas, dos professores e do ambiente todo, mas, hoje em dia, questiono um pouco. Nessa escola, o currículo baseava-se em metodologias extremamente divertidas, mas nada convencionais.

Apesar das excelentes e eternas recordações, do ponto de vista do conteúdo, era extremamente fraco e defasado, sou a maior testemunha  do tanto que eu tive que correr atrás e ralar para da conta do conteúdo acadêmico “de verdade”, aquele exigido pelo MEC.

Essa escola me proporcionou uma formação pessoal e individual, mas nunca nem mencionaram o termo “fração”, por exemplo. Por outro lado, eu passava os intervalos e recreios pendurada em uma mangueira centenária e enorme, ou nos pés de amoras e jabuticabas.

Então, eu tive os meus filhos e precisei escolher uma escola para eles. A primeira, aquela de bairro, bem educação infantil mesmo,que te abraça e te acolhe como uma mãe! Com as crianças então… Sem palavras pelo carinho e dedicação em todos os cuidados e aprendizado!

Mas essa escola, como eu disse, era pura educação infantil, que acabou para a Manu.  O Joaquim e o Pedro continuam  por lá fe-li-zes da vida, mas a Manu trocou de escola e foi para uma dessas bem grandes tradicionais, onde eu pretendo deixá- la até o momento de ir para a faculdade.

Trocar quintal de casa por um novo e grandioso mundo não é das tarefas mais fáceis, mas ela tem enfrentado tudo com grande naturalidade e maturidade, além de muito entusiasmo e animação, do tipo que reclama quando chega o fim de semana e não tem escola.

Nessa escola, os alunos chamam as professoras de Dona Fulana, bem diferente de Rê, Jú e Cá, como na anterior. Os pais, passado o momento da adaptação, não podem levar os filhos até a classe, devem deixá-los em um portão e as mocinhas e mocinhos vão sozinhos a encontro das Donas. O Hino Nacional é executado todas as sextas feiras e esse momento inclui toda a formalidade cívica que lhe é cabido. Eu mesma não me sinto acolhida e abraçada como na escola antiga, mas estou igualmente feliz e entusiasmada com tanta novidade!

Manuzinha é praticamente chamada pelo sobrenome, tamanha a lista de “Manuelas”, mas até isso é legal. É claro que a escola tem os momentos e que as crianças se jogam na areia, na tinta e na massinha, mas o que eu estou tentando mostrar aqui é que há uma super disciplina e respeito em tudo o que é feito. E é disso que eu gosto, aliás que nós, Maridinho e eu gostamos (além da Manu ter aprovado a mudança também).

Somos do tipo que não gosta de escolas que chamam a professora de “tia” e mesmo que “Dona” possa parecer exagerado, acho que transfere o respeito e a autoridade que o professor deve ter e isso nunca é demais. Da mesma forma, escola não é quintal para os pais, como eu até havia dito, mas sim um local de estudo, rotina e disciplina que deve sofrer interferências mínimas de entra-e-sai de pai e mãe. Mas isso não precisa excluir encontro de pais e dia da família do calendário a escola. Ao contrário, essas datas já estão programadas e agendadas!

Enfim, estamos todos felizes e satisfeitos com a escolha, com a decisão, com a Dona e com o Hino Nacional.

E vocês, também estariam?

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