AS MENTIRAS BRANCAS

Provavelmente, em um daqueles dias de chuva nonstop, fechada com 3 crianças no apartamento, eu já ia partir para a 37a. bronca, mas respirei fundo e disse pausadamente, dentes semi-cerrados:

- Vocês querem ver a Mamãe virar uma onça, é isso mesmo?

- Mas você sabe se transformar em onça, Mamãe?

*****

Em outra ocasião, certamente mal-humorada, comentei:

-Ai, tô verde de fome!

- Não, Mamãe, você tá bege.

*****

A primeira quebrada de perna veio do Pedro, o menino doido para ver uma onça. E, a segunda, veio do Joaquim, rapazinho que sabe tudo sobre as cores.

Esses momentos são dos mais deliciosos de toda a minha vivência da maternidade. As crianças são extremamente literais, o que eleva a fofura em grau máximo diante da pureza e da inocência das observações e das falas. Por outro lado, imagino que eles possam se sentir um pouco desamparados ou desprotegidos (algum termo mais adequado?) pela imaginação e pela fantasia geradas pela fala de um adulto. Quão assustador é imaginar uma mãe se transformando em uma onça? Ou ficando verde?

Na dúvida, sou literal:

-Mamãe vai precisar dar outra super bronca em vocês?

-Ai, a barriga da Mamãe está doendo de tanta fome!!

*****

Figuras de linguagem à parte, passamos às “lendas urbanas”  que os pais, professores e responsáveis contam por aí.

Manuela não podia ver uma gota de água pingando que saía gritando aos 4 ventos:

-Pára! Pára! Fecha essa torneira! Assim vai acabar a água do planeta!

Novamente, na imaginação e na fantasia de uma criança, não deve haver tragédia que se compare ao fim da água do planeta. Até que, novas sinapses se conectam, a criança passa uns bons muitos dias de muita chuva na praia e conclui:

- Mamãe, sabia que a minha professora contou uma mentira?

Resolvi investigar, vai que dá para reaver o dinheiro da matrícula, né?!

- Jura, Manu? Que mentira ela contou?

Mocinha toda esclarecedora, determinada e firme em suas idéias:

-Ela falou que se deixar  torneira aberta ou pingando, ia acabar a água do planeta, mas eu descobri que era tudo mentira. A água que a gente usa, a chuva traz de volta.

(Argumento eco-sustentável foi, literalmente, por água abaixo!).

*****

Tem o papo da lagartinha também. A tal que vem à noite e come os dentinhos de quem não os escova direito antes de dormir. Ninguém tem intenção de assustar as criancinhas, mas a gente preza pelos cuidados com os dentes, fica querendo incentivar uma boa escovação e… apela para a lagarta. Tsc, tsc, tsc. A estratégia caiu por terra quando fui colocar os meus filhos para dormir, pedi um beijo para cada um deles, mas o meu pedido foi negado: eles estavam cobrindo suas bocas com as mãos para a lagartinha não vir no meio da noite…

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E é com as próprias crianças que eu aprendo como educá-las e cuidar delas. Nada de “mentirinhas” ou figuras de linguagem. Sejamos literais, até certa idade, é claro e falemos sempre a verdade: se não escovar os dentes, vai ter que enfrentar o motorzinho do dentista! (Se bem que eu acho a lagartinha bem mais simpática do que o motor do dentista…).

*****

E esse post me lembrou dois livros que estão entre os nossos favoritos. O primeiro, “Uma Lagarta Muito Comilona” (Eric Carle, Ed. Kalandraka Brasil), conta a história de uma lagarta que come de tudo, menos dentes de crianças, ufa! O livro da lagarta é recomendado para crianças a partir de 3 anos, mas acho que os menores podem curtir também, principalmente pelas ilustrações.

E o segundo, “Quando Mamãe Virou Um Monstro” (Joanna Harrison, Ed. Brinque Book), fala sobre uma mãe desesperada com a bagunça que os filhos fazem e com a vinda dos sobrinhos para tomar lanche. Ela vai se transformando ao longo da história e pode até assustar um pouco, mas o final e a moral são interessantes. Leitura recomendada a partir dos 3 anos (acho meio cedo, minha opinião! Acho que para essa fase etária é que pode assustar!).

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Canja de galinha não faz mal a ninguém

Nessa segunda-feira, o grande dia da volta às aulas (a mãe que não comemorou que atire a primeira pedra!), o despertador tocou e eu xinguei feio. Afinal, tinha motivos: o barulhinho irritante interrompeu um sonho incrível em que eu estava entregue aos cuidados e mimos de um cabeleireiro caro, fresco e high tech (interpretações são desnecessárias aqui).

Ju-ro que não estou me queixando das férias, não. A verdade é que os últimos meses por aqui foram meio atribulados. Aliás, gostaria de saber quando é que a vida de uma mãe não é atribulada. Acampamento? Internato? Intercâmbio?

Enfim, começou no feriado de primeiro de Maio e não deu sossego até quase agora. Apostei nas férias, em um lugar com ar puro, comidinha mais fresquinha e natural, mas… nada!!! As crianças engataram uma doença na outra… desde Maio!

A indústria farmacêutica tá felizona comigo, foram litros de anti-térmico, anti-alérgico, remédios para o nariz, para enjôo, pomadas mil e até antibiótico. Eu chego na farmácia da esquina, onde sou cliente VIP, e recebo olhares de pena dos funcionários. Eles já devem saber os dados dos meus filhos de cabeça: nome, idade e peso para preencher as receitas médicas mais hardcore. O próximo passo é vender antibiótico sem receita e sem desconfiança, afinal sou uma mãe de 3 filhos que compartilham vírus e bactérias non-stop!

Já culpei a vacina da gripe e a sua não confirmada cientificamente reação. Já investi em fitoterápicos. Assim como em vitaminas. Agora vou apelar para o Papa Francisco, que ele sim é bom milagres!!

Tem gente que acha que o inverno deixa as pessoas mais elegantes. Eu discordo. Acho de uma deselegância sem tamanho ficar em ambientes fechados, com temperaturas baixíssimas, compartilhando doença. Como é que a gente cumpre aquela famosa recomendação dos ambientes arejados???

Como se não bastasse tudo isso, perdi toda a minha dignidade tirando carrapato da família inteira após um passeio a cavalo em um hotel fazenda. Família inteira, gente! Arrancando carrapato de lugares impublicáveis nesse blog de família. Se escapava um, ele já saía botando ovo e se multiplicando. Entendi na pele o conceito de praga. E de filho criado nos moldes urbanos:

- Olha, Mamãe, achei um tatu-bola no tapete da nossa sala!

- Larga isso, Joaquim, é um carrapato gigante!

Enquanto um confunde tatu-bola com carrapato, tem um outro que me avisa quando está com febre.

- Mamãe, a minha testa tá quente.

Termômetro velho de guerra apitou nos 38 graus. Obrigada pela ajuda, Pedro.

E assim foi. Ou tem sido? Não passei um dia sem dar um beijinho disfarçado na testa dos meus filhos a fim de conferir a temperatura deles para então confirmar com o termômetro que, aliás, é um sobrevivente dessa época sombria. Aguentou firme, forte e trabalhou mais do que a minha máquina de lavar roupa!

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Mas e com vocês, tudo bem?

Um segundo semestre cheio de saúde para todos nós!

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PRIORIDADES

Eu costumo dizer que não é complicado desfraldar filho. Difícil mesmo é não REFRALDAR. Além dessa conclusão pessoal, acrescento que os filhos podem desfraldar, refraldar, desfraldar novamente, fralda do dia, da noite e, ainda assim, não aprendem a dar a descarga. Eles aprendem a fazer as devidas necessidades na privada, até lavam as mãos, mas o negócio todo permanece lá na privada. Meninos e meninas. Não sei se é uma pegada eco-sustentável, planejamento financeiro/economia doméstica, mas sei que, TODOS OS DIAS, lá pela hora do almoço, ando pela minha casa, passo por todos os banheiros e todas as privadas estão amarelinhas, falando no modo otimista. Já conversei taaaanto sobre isso, ameacei não dar a sobremesa para quem não der descarga, mas assim é que tem sido.

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No final do ano passado, eu já preocupada com um assunto dos meninos, fui chamada na escola para uma reunião “extraordinária” e descobri que não estava enlouquecendo à toa: o mesmo problema que me preocupava, preocupava também a atenciosa professora. A questão tratava da fala dos meninos. Eles cometem algumas trocas quando se expressam, tudo natural, comum e até esperado para a idade deles. Porém, quando não são compreendidos e alguém pergunta “o que você falou?”, eles se inibem, travam e não falam mais.

Era caso de indicação de terapia com uma fono, não pela idade, mas por essa questão de comunicação, do social e tal. Eu queria – a qualquer custo! – que o Joaquim e o Pedro iniciassem as sessões com a fono em dezembro, o que me rendeu o apelido de “louca-exagerada-neurótica-maluca”, afinal de que adianta fazer umas duas sessões de fono em dezembro, daí vem as férias e tudo o que foi trabalhado é perdido ou esquecido? Fiquei sem dormir, insisti horrores, convenci a todos de que o caso era gravíssimo e que precisava de intervenção imediatamente.

Os meninos não falavam a letra “L”. BOLA era BÓIA, MANUELA era MANUEIA, LÁPIS era IÁPIS e assim por diante.

Venci a batalha e agendei as sessões com a fono em dezembro mesmo, exatas duas sessões. Na primeira delas, exatos 45 minutos depois, eles aprenderam a falar o “L”. BOLA é BOLA, MANUELA é MANUELA, LÁPIS é LÁPIS  e não houve tempo de férias suficientes para “estragar” o trabalho da fono.

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Quarenta e cinco minutos para aprender a falar. Dois anos e não aprenderam a dar descarga.

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2013, o retorno!

A verdade é que eu não fui uma boa blogueira nesse último ano que passou.

As aulas da Manu terminaram em uma sexta feira, no comecinho de dezembro. No domingo, ela começou com febre, ficou muito caída, indisposta, com dor de garganta e completamente rouca. O quadro é conhecido para muitas mães: criança manhosa, dengosa, que não come, daí tosse, vomita, ou seja, protocolo completo. Seria bem mais fácil se essa Manu não tivesse dois irmãos e um pai que também ficaram doentes, um em seguida do outro. Sobrou para mim, é claro, com a saúde firme e forte como um touro cuidando da galera toda.

O bicho dessa vez tinha nome, sabiam? Parecia uma gripona bem forte, daquelas que se arrastam e trazem todos os sintomas. Mas, na segunda vez em que fomos ao PS, notei todos os dedos das duas mãos da Manu descamando, como se houvesse uma bolha em cada um deles. Mostrei para a pediatra, ela deu uma leve risadinha e disse:

- Tenho duas notícias para te dar, uma boa e uma ruim. A boa é que eu acabei de identificar a doença, chama-se “COOKIESACK” e a ruim é que é um vírus, ou seja, não tem o que fazer, só esperar passar.

Preferi não googlar esse bicho aí, mas conto para vocês que o vírus é chatinho e tem um ciclo bem longo. Imaginem que tudo começou no início de dezembro e só zerou depois do Natal….

Nada disso justifica a minha conduta como blogueira, nem um postzinho para desejar feliz ano novo? Que feio… Mas, tenham calma.

Eu comecei 2012 animadona, trabalhei pesado para colocar no ar a avaliação de produtos, mas então uma nova realidade se “impôs”: 3 filhos em 2 escolas diferentes. Levando e buscando os 3 diariamente e praticamente no mesmo horário. Tudo isso sozinha, sem transporte, carona ou rodízio. Mas não reclamo, não. Dei conta e darei de novo ainda esse ano. A questão é que os filhos vão saindo cada vez mais para o mundo, exigem e demandam de maneiras absolutamente diferentes. Às vezes eu tenho saudades da dificuldade que era pensar em sabores e receitas variadas para as papinhas deles…

A Manu, especificamente, está indo para o primeiro ano agora em 2013, mas esse ano que passou, parece ter sido de preparação intensiva para essa nova fase. Lições de casa, trabalhinhos, pesquisas, exigências e responsabilidades crescentes.
Enfim, o mundo real me consumiu ao extremo esse ano. Natação, inglês, judô, fono, amigos, festinhas, mas, novamente, não reclamo. Continuarei dando conta.

Por outro lado, a blogosfera materna apresentou-se aos meus olhos como um terreno fértil para ativismos e militâncias. As causas são justas e boas, os argumentos, melhores ainda, mas a minha posição é de permanecer na platéia. É lógico que eu tenho minhas idéias e opiniões, revi e reformulei algumas, mas esse é o máximo da minha atividade. Quietinha e em silêncio com a minha leitura e meus pensamentos.

Além disso, descobri que uma imagem vale mais do que mil palavras sim, por isso estou apaixonada pelo Instagram e um pouco relapsa com as outras redes sociais, admito. Não sou a única “instagram addicted”, há milhares de outras mães utilizando-se desse recurso para se comunicar com outras mães, para trocar dicas e idéias. Eu vejo a comunicação na internet acelerando-se mais e mais a cada dia. O Twitter e o Facebook, especialmente os grupos que são criados na rede social do nosso caro Zuckerberg, exercem um pouco a função dos blogs e, agora, vejo que é a vez do Instagram também. Em um tempo de comunicação veloz, quem vai ler esse post até o final? Quem tem tempo de deixar um comentário? (By the way, os comentários desse blog que vos fala estão invisíveis, notaram? Caso alguém saiba resolver, pode tuitar (@mamaetaocupada), mandar email (camila@mamaetaocupada.com.br), postar no FB ou comentar no IG (camiladuartegarcia), por favor?).

Tendo dito tudo isso, meio que feito uma retrospectiva completamente fora de propósito, finalizo com as tradicionais resoluções de ano novo (as publicáveis, ok?).

Para esse ano, fiz 2 grandes promessas: arrumar todas as fotos digitais dos meus filhos e fazer algumas mudanças na alimentação das crianças.

Quanto às fotos, no segundo dia do ano, estava tudo feito e organizado. Missão trabalhosa, porém deliciosa! O meu computador, que é quase vintage, ficou uns 20 Gigas mais leve. Recomendo a limpeza e a organização! Fez bem pra alma e me fez recordar as vidinhas dos meus filhos desde o comecinho!

E quanto à alimentação, quero me livrar dos práticos vilões “SUCOS DE CAIXINHAS CHEIOS DE SÓDIO E AÇUCAR”. O mais complicado mesmo é pensar no que colocar na lancheira. Qual a melhor opção para substituir o suco de caixinha? Os meus filhos tomam bastante água, mas água??? Só isso? O que pode ser mais gostoso e saudável além da água e do suco de caixinha? Quem me ajuda???

E, por último, um super feliz ano novo a todas as leitoras e leitores do Mamãe Tá Ocupada!!! Que vocês todos tenham um 2013 cheio de amor, alegria, paz, saúde e bebezinhos a caminho, para as tentantes e desejantes!!

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O feedback do cachorro e a outra campanha

Eu jamais imaginaria que um post sobre a possibilidade de dar um cachorrinho para as crianças repercutiria tanto. Agradeço imensamente por todos os comentários, as dicas e a ajuda em geral. Vocês são o máximo! E me sinto na obrigação de dar um feedback sobre esse assunto.

Na data da publicação do post, Maridinho estava viajando a trabalho, passou 3 dias fora e, quando voltou, além de ter que matar as saudades, tinha um mooonte de comentários para ler. Muito se falou na companhia que os cachorros fazem, no carinho e na relação que estabelecem com as crianças. Tudo lindo, mas, na maioria das vezes, vinha o tal “porém”: “olha, cachorro dá muito trabalho e etc.”. E foi a isso que ele se ateve e comentou comigo:

- Você viu só o que todo mundo disse? De como os cachorros dão trabalho, apesar de todo o resto.

Até ouvi uma conversa entre ele e a Manu:

- Papai, porque você não deixa a gente ter um cachorrinho?

O cara foi categórico e não se sensibilizou:

- Filha, o que você prefere ter em casa: um cachorro ou o Papai?

Ela escolheu o pai e a conversa terminou por aí.

Mas, não pensem vocês que ele é um cara insensível, nada disso. O detalhe que eu não mencionei é que ele tem feito uma campanha nada secreta para o nosso quarto filho. Incrível a sintonia do casal: um quer cachorro, o outro quer filho…

Não pensem vocês também que ele tem algum problema mais comprometedor. Ele nunca foi reprovado nos psicotécnicos da vida, avaliações psiquiátricas ou psicológicas. Maridinho é apenas uma pessoa que gosta de trabalhar nos limites dos nossos recursos estruturais, financeiros, físicos, emocionais e nasceu para ver o fenômeno da multiplicação dos pães do amor. Bonito isso, né?! Mais bonito seria se eu não tivesse aposentado as minhas lentes cor-de-rosa da maternidade, ou se as usasse com mais frequência, para ser sincera.

A maternidade é linda e às vezes cor-de-rosa, tudo aquilo que a gente vê e dá o “like” de coraçãozinho no Instagram (@camiladuartegarcia). Porém, … melhor nem começar com o porém, não acham?

Eu tenho uma vontade absurda de completar a família com mais um filho, mas, mas, mas…

A verdade é que eu custei a chegar até onde cheguei hoje com as crianças. As idades tão próximas quase me enlouqueceram no início, mas hoje enxergo isso como uma grande vantagem: interesses e atividades semelhantes. Isso me livra da culpa de ter que me “dividir” em três, assim como a atenção partida e cronometrada, pois é possível fazer tudo com os 3 ao mesmo tempo. Pode parecer bobagem, mas não tem preço. E a gente sabe que um bebezinho chegaria para “desestruturar” tudo isso (desculpa por falar assim, babyzinho!).

Nada contra a desestruturação que os bebês causam, pois eu sei o valor de um sorriso banguela e careca, mas como ficariam Manu, Joaquim e Pedro diante de uma mãe com um bebê? Eu me sinto exatamente com as mesmas aflições de uma mãe na dúvida entre ter ou não o segundo filho.

As crianças sabem de todos os nossos projetos e campanhas. Se eles querem um cachorro? “Sim! Sim! Oba! A gente quer! Pode ser hoje?”. E sobre um irmãozinho/irmãzinha, a resposta é um reticente, quase inaudível “sim…” de nariz torcido.

E eu vou vivendo assim, em cima do muro e agarrada à pureza da resposta das crianças.

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Adeus

Foi o Maridinho quem me ligou na terça-feira de manhã, véspera do feriado do Dia do Trabalho, para me dar a notícia:

- Cá, tenho uma notícia muito, muito triste para te dar: o Pepê morreu!

Segurei o choro, pois estava na frente das crianças e, por motivos de (super)proteção, não quis que eles me vissem chorando pela morte do meu ginecologista/obstetra.

*****

O Pepê me ajudou a trazer ao mundo os meus 3 filhos, as criaturinhas mais amadas da minha vida. Também salvou a minha própria vida depois da cesárea dos meninos. Me deu uma bronca quando o agradeci por ter passado o sábado ao meu lado e cuidando de mim com preocupação nítida e ternura de avô:

- Não me agradeça por isso, Camila.

*****

Eu sabia que ele estava bastante doente e, na última ocasião em que estive no seu consultório, há exatos 6 meses, pude constatar de perto. (A verdade é que a consulta poderia fazer mais tempo, visto que a secretária dele desmarcou e reagendou a minha consulta por “motivos pessoais do doutor”.)

Nas inúmeras vezes em que estive no seu consultório, ele costumava abrir a porta da sua sala para me chamar na sala de espera. Me via lá, sentada, lendo uma revista e sem nem falar “oi”, já perguntava:

- E aí, tá grávida?

Eu dava um sorrisinho, levantava e ele comentava:

- Imagino que não, tá magrinha, mas pode ficar melhor se fizer ginástica.

Ele era assim, direto e com direito às piadas internas.

Há 6 meses, foi tudo diferente. Nada de piadas. Ele me chamou e eu notei o quanto ele havia envelhecido em tão pouco tempo. Entrei na sala e perguntei como ele estava.

- Tô fudido, Camila, bem fudido.

Novamente, ele era assim. Falava palavrões à vontade durante as consultas e não vestia branco. Isso me agradava. Diz a lenda que, há mais de 30 anos, quando ele chegou na maternidade para fazer o parto do meu próprio marido (!!!), o avô do Maridinho quase teve uma síncope e quis proibir aquele “médico hippie de cabelo comprido e que chegou de jaqueta de couro numa moto” de fazer o parto do primeiro neto dele.

A nossa história com o Pepê é bem antiga, o que só reforça a sensação de ternura de avô que eu tinha na presença dele. Raramente atrasava uma consulta e sempre reservava uns bons minutos para perguntar da família inteira, para falar sobre vinhos, restaurantes, viagens e o tão amado Palmeiras. Por pura provocação ao meu marido são-paulino roxo, deixava sempre separado o aventalzinho verde para o momento em que iria me examinar.

- Vai lá, põe o avental do Palmeiras e volta para o exame.

Eram 3 degraus da sala de exame para o banheiro onde eu me trocava e havia uma placa com os dizeres “CUIDADO COM OS DEGRAUS”. Além de eu saber ler a placa e conhecer aquelas salas todas com total familiaridade, o Pepê nunca deixou de me alertar para os 3 degrauzinhos.

Ele me lembrava em todas as consultas que “gravidez não é doença, mas não aceita desaforo”. Não fazia milagres contras os meus enjoos e nem receitava medicamentos, só falava que era importante e necessário que eu me alimentasse a cada 2 ou 3 horas. Eu fazia isso, continuava enjoada e tomava bronca todas as vezes que subia na balança.

O Pepê sempre resolveu todas as minhas dúvidas e ia além da resposta pela resposta: ele desenhava! O receituário dele era daqueles grandões, tipo folha sulfite mesmo, para que pudesse me explicar as coisas através dos desenhos. Uma vez, me deu uma aula sobre os possíveis tipos sanguíneos dos meus filhos pela combinação do meu tipo e o do Maridinho. Tudo o que eu não aprendi nas aulas de Biologia do 1º. colegial, o Pepê desenhou pra mim durante uma consulta. Eu saia das consultas lotada de papéis: pedidos de exames, desenhos e recomendações como ir ao cinema, ao restaurante X e, é claro, acompanhar os jogos do Palmeiras.

Só que agora, tudo isso se foi. Uma pessoa querida e atenciosa, um profissional extremamente competente e uma parte da minha história como mãe. É estranho sentir tudo isso, sentir tamanha tristeza pela morte do obstetra/ginecologista, mas é exatamente assim que a situação se configurou pra mim. Uma pessoa que teve parte importante e significativa na minha vida, partiu.

Tenha a certeza do meu carinho, da minha admiração e descanse em paz, Pepê!

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CASINHA DO HEITOR

Já faz tempo desde o meu último sorteio por aqui, mas esse aqui eu não resisti, é imperdível! Vocês conhecem a Casinha do Heitor? É uma casinha de brinquedo feita toda de papelão e que permite milhares de brincadeiras e atividades. É uma iniciativa de um casal de amigos queridos, o projeto foi todo idealizado, desenvolvido e produzido por eles. Sou fã orgulhosa e deixo que a Ana Paula e o Fábio apresentem em suas próprias palavras e imagens a Casinha do Heitor. Acompanhem em seguida as regras para participar do sorteio.

Casinha do Heitor, um brinquedo que possibilita inúmeras explorações!

      580904_238545156270865_1269543329_nEssa é uma casa muito engraçada! E olha que ela tem teto, dá para entrar, pintar… É feita em papelão, material totalmente reciclável, projetada para ser montada, transportada e guardada com facilidade. Sua estrutura permite que as crianças sejam ativas e autônomas para encaixar, desencaixar peças e brincar de diversas formas. Desmontada, ela fica parecida com um envelope e pode ser guardada em um armário, atrás do sofá, embaixo da cama… Ideal para quem não tem tanto espaço, mas busca oferecer aos pequenos brinquedos interessantes!

Você já notou que a maioria dos brinquedos produzidos para crianças são feitos de plástico ou de material sintético?

Os brinquedos de plástico oferecem poucas experiências sensoriais e exploratórias, já que possuem sempre o mesmo cheiro, textura, resistência e temperatura. Não podemos nos esquecer de que para os pequenos o toque e as atividades exploratórias realizadas com o corpo todo são tão importantes quanto a visão.

Você já deve ter dado um presente incrível para uma criança e ter ficado frustrado ao ver que ela se encantou pela caixa, não é casa pintada Pedromesmo? O fato é que elas gostam muito de brincar com esses materiais chamados não-estruturados, que dão a possibilidade de diversas explorações. Diferentemente de uma boneca ou carrinho, que convidam a brincar de determinada forma, os materiais não-estruturados incitam explorações mais variadas. Apesar de ter o formato de uma casinha, esse material pode ser usado com ou sem o teto, funcionar como uma escolinha, hospital, cabeleireiro, biblioteca, um espaço para guardar os brinquedos favoritos, para brincar de esconder e achar… Pode ser pintada, desenhada, receber colagens, fotos, tecidos, ou seja, ficar a cara de seu dono!

Algo que também costuma chamar a atenção é o hábito de as crianças se esconderem em pequenos espaços, como caixas e armários. Isso acontece porque eles têm a necessidade de brincar sozinhos ou com poucos amigos com mais privacidade. Para quem está começando a se relacionar, as interações podem ser cansativas e é importante ter um espaço onde se possa estar mais recolhido. Portanto, a Casinha do Heitor contempla essas necessidades infantis: a possibilidade de ter um material que proporcione explorações diversas e a oportunidade de recolher-se e ficar em privacidade ou brincando em pequenos grupos. Ao mesmo tempo, os responsáveis podem dar uma espiadinha através de suas janelas!

casinha cortinaFaça um kit com alguns materiais para deixar a Casinha ainda mais bonita: giz de cera, giz pastel, canetinha, guache, durex colorido, adesivos, retalhos, fitas de cetim, papel celofane, fotos da criança, de imagens interessantes e etc. É possível fazer cortinas de pano ou cetim, quadros com fotos ou desenhos para a área interna, transparências nas janelas com papel celofane – para ver o mundo mais colorido! – , produzir uma casa toda colorida com diferentes técnicas e temas, uma mais conservadora ou igualzinha a casa em que se mora de verdade. Não é necessário fazer tudo isso em dia só! O processo é uma grande brincadeira, tão boa quanto brincar na casinha. Não se esqueça de que adultos e crianças podem participar! É só soltar a imaginação!

Ah, você pode estar se perguntando: por que esse nome Casinha do Heitor? É uma alusão à história dos Três Porquinhos. O Heitor foi aquele que construiu a casinha de madeira. Esta aí, uma boa dica para começar a brincadeira!                                                  

Visite-nos no Facebook, na página da Aroeira Brinquedos Educativos , no nosso site ou entre em contato através do telefone 97438-4741.

Um bom divertimento a todos!

Fabio e Ana Paula Argolo

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Não é o máximo essa Casinha? Quem não quer uma? Portanto, sorteio valendo uma Casinha do Heitor no ar. Basta preencher o formulário abaixo e torcer bastante. (Caso o formulário “resolva” não aparecer, é só deixar um comentário nesse post com o nome completo, o email e a cidade). O resultado será publicado aqui no blog e todos os participantes do sorteio receberão um cupom de desconto para a compra de uma Casinha através do site.

Boa sorte!

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A HISTÓRIA DA ESTRELINHA E AS OUTRAS HISTÓRIAS

Foi na saída da escola, em uma sexta feira, em que fui buscar a Manu e encontrei a minha filha chorando. Ela voltou aos prantos no carro me contando que o Edson pegou um microfone e avisou que estava indo embora do colégio e queria se despedir das crianças.

O Edson era o porteiro da escola, daquelas figuras carismáticas, sempre bem humorado, simpático e sorridente. Aparentemente, nada abalava o seu humor e eu era obrigada a abrir a janela do carro diariamente, na hora da entrada e da saída para que a Manu pudesse cumprimentá-lo.

Ela passou o fim de semana fazendo cartões de despedida para ele e me pediu para tirar uma foto de recordação.

Na segunda feira seguinte, o dia da entrega dos cartões e da foto, chegamos no portão da escola e nada do Edson. Havia uma caricatura dele lá, um ser que jamais conseguiria adquirir o carisma e a simpatia dele. Ainda assim, ele esforçava-se em acenar para as crianças que chegavam.
A decepção foi instantânea e os cartões continuam guardados em casa, “vai que um dia o encontramos por aí“, disse uma Manu triste.

Soube que ele voltou para a sua cidade natal, que sentia falta da família. Posso imaginar! Bom pra ele, de  coração!

Algumas semanas depois, em outra sexta feira, novamente na hora da saída da Manu, vou buscá-la e a encontro chorando. Ela volta também aos prantos no carro me contando que a Florzinha, a vaquinha da fazendinha da escola está muito grande e vai embora para uma fazenda maior e mais espaçosa. Manuela entendeu exatamente o motivo, pôde alimentar a Florzinha uma última vez e despediu-se dela. Mas estava claramente inconformada!

Quando estacionei o carro na garagem, falei para ela pular para o banco da frente ao meu lado. Ofereci uma balinha, daquelas que a gente guarda para as situações de emergência (como essa!) afinal, açúcar cai bem nessas horas. Permiti que ela escolhesse uma música no meu ipod para ouvirmos juntas. Ela foi de Jason Mraz, essa linda aqui. Achei a escolha bem apropriada, apesar de nunca ter prestado muita atenção à letra, mas só de ouvir a frase “you can always come back home” a sensação é do mais puro acolhimento.

Era só isso o que eu poderia fazer pela minha filha: acolhê-la.

Não havia o que fazer para mudar os destinos ou decisões do Edson e do Florzinha.

*****

Além daqueles assuntos “como são feitos os bebês?” e “como eu fui parar na sua barriga?”, sempre imaginei que falar sobre morte com as crianças seria a conversa mais difícil que eu poderia enfrentar como mãe. Mas depois dessas experiências, percebo que contar a história de alguém querido que virou uma estrelinha e foi morar no céu junto com o Papai do céu nos oferece uma direção mais clara para olhar na hora da saudade.

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