Vejam vocês que hoje é o aniversário de 3 anos deste blog que vos fala e eu só fui me dar conta da data ontem à tarde. Não tem bolo, não tem sorteio, não tem concurso, mas tem história para contar.
Querem ouvir?
Do último ano pra cá, sinto uma super mudança no meu perfil de blogueira e nos meus interesses, coisas que estão diretamente relacionadas ao perfil da minha maternidade. Quer dizer, as crianças cresceram, as dúvidas e as dificuldades mudam. Não fica mais fácil, mas parece mais leve e maduro. Já não procuro dicas de desfralde noturno Google afora, nem de como tirar a chupeta, mas perguntei para Deus e o mundo quanto de dinheiro a Fadinha do Dente traz para uma criança.
Sendo assim, passei a dedicar certo tempo para o fútil maravilhoso mundo dos blogs de moda e beleza. Não, eu nunca vou me equilibrar em saltos altíssimos, mas já dá tempo de fazer uma hidratação e caprichar na maquiagem. Ou mesmo abandonar as calças de plush e abusar dos vestidinhos sem a preocupação do abaixa-e-levanta que as crianças pequenas exigem de suas mães e muito menos correr o risco do seu próprio filho levantar a sua saia e garantir um mico eternizado naquela festinha.
Enfim, da moda e beleza, para a saúde e o bem-estar, foi um pulo! Aí é que está a mudança e a minha maior comemoração.
Eu passava boas horas sentada no clube acompanhando de perto as atividades dos meus filhos. Tudo fofo, lindo, registrado e narrado com riqueza de detalhes para a família toda. No entanto, percebi que ninguém precisa passar a manhã achatando a bunda (desculpem o meu francês) nos bancos de uma arquibancada dura. Ué, porque não aproveitar esse tempo para me mexer e me exercitar? É o que eu tenho feito, cheia de ânimo, energia e na companhia de outras mães do clube que também ficavam sentadas e batendo papo. Bater papo é muito bom, gente, adoro, mas queimar calorias tem um sabor inenarrável!
Então, incluí a corrida e as aulas de dança (Zumba, Brasil!!) na minha rotina. Além disso, achei que precisava eliminar os maus hábitos da minha vida: cortei de uma vez por todas o refrigerante. Quem me conhece, sabe o que isso significa. Afinal, como faz para tomar café da manhã sem Coca-Cola? (Vejam o nível…). Mas cortei pela raiz. Se eu sinto falta? Muita! Todos os dias! Mas o sucesso pela conquista de um objetivo também produz um efeito incrível de força de vontade, dedicação e orgulho próprio.
Daí, parti para o check up e as coisas não se mostraram tão bonitas assim: colesterol alto e uma suspeita de intolerância à lactose. Pensem vocês na dieta e sejam solidárias à tristeza que é essa restrição alimentar…
Nada disso me abalou, ao contrário, me fez correr atrás do que falta e do meu atual e maior objetivo de vida: a saúde. Para mim e para a minha família. Eu quero e preciso estar bem para cuidar deles, a gente planta uma sementinha hoje e colhe amanhã, não é assim que dizem?
A vida mudou, a família toda acompanhou e aprovou as mudanças. É divertido experimentar sucos naturais diferentes a cada dia. Dá orgulho ver um filho comemorando a salada de alface do almoço. E vê-los pedindo para repetir o arroz integral?
A vida está menos doce e gordurosa, mas tem mostrado novos sabores possíveis.
Eu agradeço a cada blogueira, materna ou não, que postou uma receitinha light, que tirou foto na academia às 6 da manhã, que compartilhou opções saudáveis para as lancheiras das crianças, que traduziu os mistérios dos rótulos e valores nutricionais dos produtos comprados nos supermercados e por todas que foram aos pouquinhos me mostrando novos caminhos. A inspiração e a motivação também são sementinhas.
O brinde é a vocês!
Muito obrigada! A família agradece!
Eu estava planejando uma Páscoa fofinha e com pouco chocolate. Pensei que o Coelhinho (sim, ele existe e passa aqui na nossa casa!!) pudesse trazer uns ovinhos pequenos ou bolachinhas para as crianças decorarem e se divertirem. A idéia era de diversão, não de comilança. Quer dizer, comilança sempre rola, já que um ganha um ovo daqui, outro dali, vai ganhando, vai somando e, de repente, parece que a fábrica do Coelho da Páscoa instalou-se em casa! Não é uma proibição de chocolate, acho inevitável nessa idade dos meus filhos, é apenas uma moderação.
Só que, num domingo qualquer, você precisa de uma coisa ou outra do supermercado e acaba dando um pulinho junto com as crianças. Juro que evito esse “programa” nessa época do ano, quando não se enxerga nada do que realmente precisa, mas apenas os papéis coloridos e brilhantes dos ovos de Páscoa. Nessas horas é difícil até fazer um filho andar em linha reta e olhando pra frente, eles saem feito baratas-tontas olhando praquele monte de ovo pendurado no teto.
Saí vitoriosa do supermercado, comprei exatamente e apenas o que estava na minha lista, porém voltei com uma lista de pedidos para o Coelhinho… Logicamente, os pedidos tratam de ovos de chocolate de qualidade mediana (acho que tô sendo boazinha) e que vêm com brinquedos de qualidade abaixo da crítica.
Novamente, eu queria uma Páscoa com chocolate gostoso, de qualidade e com diversão em família para uma data que nos é importante.
Mas daí, penso na vontade e no desejo das crianças, na possibilidade de ceder a um apelo que geralmente não cedemos e… fico na dúvida! Como lidar?
Eu jamais imaginaria que um post sobre a possibilidade de dar um cachorrinho para as crianças repercutiria tanto. Agradeço imensamente por todos os comentários, as dicas e a ajuda em geral. Vocês são o máximo! E me sinto na obrigação de dar um feedback sobre esse assunto.
Na data da publicação do post, Maridinho estava viajando a trabalho, passou 3 dias fora e, quando voltou, além de ter que matar as saudades, tinha um mooonte de comentários para ler. Muito se falou na companhia que os cachorros fazem, no carinho e na relação que estabelecem com as crianças. Tudo lindo, mas, na maioria das vezes, vinha o tal “porém”: “olha, cachorro dá muito trabalho e etc.”. E foi a isso que ele se ateve e comentou comigo:
- Você viu só o que todo mundo disse? De como os cachorros dão trabalho, apesar de todo o resto.
Até ouvi uma conversa entre ele e a Manu:
- Papai, porque você não deixa a gente ter um cachorrinho?
O cara foi categórico e não se sensibilizou:
- Filha, o que você prefere ter em casa: um cachorro ou o Papai?
Ela escolheu o pai e a conversa terminou por aí.
Mas, não pensem vocês que ele é um cara insensível, nada disso. O detalhe que eu não mencionei é que ele tem feito uma campanha nada secreta para o nosso quarto filho. Incrível a sintonia do casal: um quer cachorro, o outro quer filho…
Não pensem vocês também que ele tem algum problema mais comprometedor. Ele nunca foi reprovado nos psicotécnicos da vida, avaliações psiquiátricas ou psicológicas. Maridinho é apenas uma pessoa que gosta de trabalhar nos limites dos nossos recursos estruturais, financeiros, físicos, emocionais e nasceu para ver o fenômeno da multiplicação dos pães do amor. Bonito isso, né?! Mais bonito seria se eu não tivesse aposentado as minhas lentes cor-de-rosa da maternidade, ou se as usasse com mais frequência, para ser sincera.
A maternidade é linda e às vezes cor-de-rosa, tudo aquilo que a gente vê e dá o “like” de coraçãozinho no Instagram (@camiladuartegarcia). Porém, … melhor nem começar com o porém, não acham?
Eu tenho uma vontade absurda de completar a família com mais um filho, mas, mas, mas…
A verdade é que eu custei a chegar até onde cheguei hoje com as crianças. As idades tão próximas quase me enlouqueceram no início, mas hoje enxergo isso como uma grande vantagem: interesses e atividades semelhantes. Isso me livra da culpa de ter que me “dividir” em três, assim como a atenção partida e cronometrada, pois é possível fazer tudo com os 3 ao mesmo tempo. Pode parecer bobagem, mas não tem preço. E a gente sabe que um bebezinho chegaria para “desestruturar” tudo isso (desculpa por falar assim, babyzinho!).
Nada contra a desestruturação que os bebês causam, pois eu sei o valor de um sorriso banguela e careca, mas como ficariam Manu, Joaquim e Pedro diante de uma mãe com um bebê? Eu me sinto exatamente com as mesmas aflições de uma mãe na dúvida entre ter ou não o segundo filho.
As crianças sabem de todos os nossos projetos e campanhas. Se eles querem um cachorro? “Sim! Sim! Oba! A gente quer! Pode ser hoje?”. E sobre um irmãozinho/irmãzinha, a resposta é um reticente, quase inaudível “sim…” de nariz torcido.
E eu vou vivendo assim, em cima do muro e agarrada à pureza da resposta das crianças.
Eu me lembro de ter afirmado categoricamente (e muito mais de uma vez!!) que seria mais fácil eu ter outro filho do que ter algum bicho de estimação em casa, gato ou cachorro. Também me lembro, aos 6 anos de idade, do dia em que os meus pais se separaram.
Pouco tempo depois do meu pai ter saído de casa, vejam só: ele nos compensou presenteou com um cachorro. Era um cocker spaniel pretinho, coisa mais linda do mundo. Tinha as orelhas compridas, maiores do que tudo e que precisavam ser amarradas na hora de comer, senão ficavam imundas de comida! A coisa mais linda do mundo foi batizada com o nome que seria o meu, caso eu nascesse menino: Bernardo (desculpaí, Bernardos não caninos…).
É lógico que a minha mãe estava de acordo com o presente dado pelo meu pai, afinal imagino que ambos quisessem nos compensar presentear. Mas o presente durou pouco, acho que uns 3 meses, e logo foi doado por motivo de bagunça, sujeira, barulho e todas as outras coisas que só um cocker bebê é capaz de causar.
Continuando no modo compensação, saiu Bernardo e entrou um cachorro de pelúcia para cada uma das filhas. Fofo, é claro, mas, né?! Sobre a pelúcia, tá guardada no fundo de algum maleiro aqui de casa, sobre o Bernardo, nunca soube.
Passado esse trauma momento da minha vida, tive mais 2 cachorros durante a minha adolescência. Um, pequeno e peludo, na casa da minha mãe. Outro, grandão e de pelo curto, na casa do meu pai. Confesso que nunca consegui me afeiçoar a eles como era o esperado. Ou como era com o Bernardo.
*****
Outro dia, em uma sexta-feira à tarde, fiz uma pausa para um cafezinho e engatei numa conversa com a fofa e querida que trabalha aqui em casa. Não sei como a conversa rolou, até que ela me disse:
- Dona Camila, a senhora precisa dar um cachorro para as crianças!
A minha cara de espanto não a impediu de continuar defendendo a tal sugestão: falou sobre como cuidar, limpar, passear, educar o bichinho, se ofereceu para ajudar com absolutamente tudo, inclusive para ficar com o cachorro caso eu precise sair ou queira viajar. Rolou café, lanchinho, sobremesa e a conversa mais improvável da minha vida terminou com a idéia fixa de dar um cachorrinho para as crianças. Como estávamos indo viajar naquela noite, pensei em aproveitar as 2 horas de viagem para convencer o Maridinho.
Obs: a conversa foi absolutamente imparcial, ou vocês acham importante considerar o fato da fofa e querida estar grávida e inundada de hormônios gravídicos enlouquecedores? Ou seria uma crise de abstinência, já que eu, orgulhosamente, havia parado de tomar Coca-Cola há poucos dias?
Enfim, entrei no carro, esperei as crianças capotarem e comuniquei:
- A gente precisa ter uma conversa séria.
Maridinho deve ter tremido da cabeça aos pés, já que as minhas conversas sérias costumam ser piores do que as minhas TPMs.
- Fala, Camila.
(Ele não é fofo??)
Fui direto ao ponto:
- Acho que a gente devia dar um cachorrinho para as crianças…
A resposta veio através de uma longa e alta gargalhada, para em seguida confirmar:
- NÃO!
Maridinho elaborou uma lista com mais de uma dúzia de motivos para NÃO darmos um cachorrinho para as crianças. Mas esboçou um sorrisinho de canto de boca quando eu contei que havia imaginado a cena das crianças ganhando o cachorrinho (que até nome já tem!). Imaginei que o Coelho da Páscoa não traria ovo de chocolate esse ano, mas deixaria uma cestinha com um cachorrinho. Não seria lindo? Cer-te-za de que o Maridinho também curtiu a idéia.
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Então, o negócio é o seguinte: eu não tenho lá grande repertório “cachorrístico” para convencer o cara e acho que a união faz a força. Vocês me ajudam? Deixem aí nos comentários dicas e sugestões de raças de cachorro para ter em um apartamento com 3 crianças e carpete claro (ui!). Novamente, reforcem aquela parte toda do cuidar, educar, limpar, não deixar destruir, morder sapatos e comer os pés das cadeiras da sala de jantar. Podem sugerir adoção também, curto bastante essa idéia! Só não sugiram comprar o cachorro escondido e levar para casa, apostando que isso vai amolecer o coração do meu Marido, não funciona e dá divórcio! Menos ainda mandar cachorro de presente, hein?! Ah, e é lógico, quem tiver exemplos da coisa linda que é a relação entre as crianças e seus bichinhos de estimação, me contem e me façam chorar!
(Ou, fiquem à vontade para dizer que eu realmente estou louca e sofrendo de abstinência de Coca-Cola.)
Grata, gratíssima!!!
Esse ano escolar que iniciou muito recentemente é o meu 5º. como mãe de pequenos “estudantes”. Nos 4 anteriores, não precisei me preocupar com mochilas para os meus 3 filhos, pois eram obrigatoriamente padronizadas com cores e logo da escola e incluídas na taxa de material, iniciativa que me agrada bastante.
Porém, Manuela acabou de ingressar no ensino fundamental e as coisas mudaram: liberaram as mochilas! Proibiram as de rodinhas e determinaram um certo tamanho, para que os livros didáticos (minha filha usa livros didáticos e eu vou demorar o ano todo para me acostumar a isso) e a pasta de lição de casa caibam sem que nada amasse. Mas, o “tema” da mochila é absolutamente livre.
Detalhe: descobri isso UM dia antes das aulas começarem.
Abre parênteses: optei pela compra do material escolar na papelaria da escola. Comprei há um tempão, chequei item por item e tudo ok. Saí de lá apenas com a sacola dos livros didáticos (eles, de novo. Quando vou me acostumar?), o restante seria entregue em sala de aula. Não entendi o motivo de levar os livros para casa, mas achei legal tê-los, mostrá-los para a Manu e admirá-los (vai que eu me acostumo, né?!). Fecha parênteses.
Voltando para a reunião UM dia antes do início das aulas, descubro que aqueles livros didáticos passaram bom tempo das férias na minha casa pelo nobre motivo da necessidade de encapá-los e identificá-los. Ou seja, pareço boa mãe, mas não sei que livros didáticos devem ser encapados, etiquetados com o nome da minha filha e entregues no primeiro dia de aula.
Comprei todo o contact disponível na papelaria, virei a noite encapando livros didáticos e a minha filha se livrou do bullying do primeiro dia de aula.
Agora, voltemos à mochila.
Tinha uma em casa que se enquadrava no perfil solicitado, sem rodinhas e de bom tamanho. Estava novinha e tinha o desenho de uma princesa Disney que faz sucesso por aqui. Não é a princesa da última moda, ela já é quase vintage, por dizer. Mas estava em perfeita condição de uso, nem me preocupei muito, ou mesmo ofereci outra opção para a Manu.
Penso que uma abordagem para esse assunto poderia ser:
- Manu, você agora vai poder usar a mochila que quiser na escola! Vamos sair, escolher e comprar uma nova?
Mas optei pela seguinte:
- Filha, você vai poder usar a mochila que quiser na escola! Mas não poder ter rodinhas e precisa caber os seus livros e a sua pasta de lição de casa. Aquela da Ariel é perfeita! Você me ajuda a arrumar a mochila para o seu primeiro dia de aula?
Ela nem questionou, adorou me ajudar e desfilou feliz da vida com a Ariel nas costas.
No tão esperado primeiro dia de aula, chegamos à escola e notei um verdadeiro desfiles de mochilas modernas e coloridas, dos personagens da última “moda”. Vejam bem, EU notei. E é verdade que me preocupei que a Manu também notasse e quisesse a mochila da Barbie Pop Star ou da Merida, sei lá! Mas ela estava tão feliz com a Ariel – que nem rosa é! – e não ligou para o resto.
A verdade verdadeira é que eu não acho essas mochilas de personagens, as de meninos principalmente, a opção mais bonitinha para levar na escola e, muito menos considero o preço justo para carregar um feioso Ben 10 nas costas. Eu não compro, eles sabem disso, mas não proíbo de usar, caso sejam presenteados.
Ainda assim, no momento em que visualizamos tantas mochilas cheias de brilho e de muito rosa, cheirando à loja, fui tomada por uma fraqueza e por um medinho de que a Manu quisesse a última da Barbie-pink-brilhante do momento.
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A minha mãe é a pessoa menos consumista do mundo. Além dessa característica, também é cheia de princípios sobre o assunto. O fato dela usar (até hoje!!) um casaco de inverno que é mais velho do que eu, é piada na família, coisa que ela bem justifica:
- Ué, o casaco me serve, é bonito, está em bom estado e me esquenta bastante, porque eu não o usaria?
Essa é a minha mãe.
Porém, em uma ocasião em que eu poderia ser presenteada, algum aniversário durante a minha adolescência, eu imagino, fomos comprar o tal presente. A moda era ser grunge e eu queria seguir a moda. Escolhi um tênis preto de couro, cano alto, da moda e super caro. Ela torceu o nariz, mas me deu o tênis. Por um momento, achei que a minha mãe estava de fato satisfeita com o presente que havia me dado e quis me certificar:
- Gostou, Mãe?
Ela rebateu:
- Gostar mesmo, eu não gosto, não. Mas se é isso que você quer, fico feliz em te dar.
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Todos os pais têm os seus princípios e se esforçam em passá-los aos filhos. Consumismo e “mimo negativo” passam longe do árduo trabalho de educação que eu prezo, valorizo e coloco em prática com os meus filhos. Mas a sensação é de uma total reviravolta de atitudes diante da mínima hipótese de imaginar os tão amados filhos sendo “os diferentes”.
Provavelmente, em um daqueles dias de chuva nonstop, fechada com 3 crianças no apartamento, eu já ia partir para a 37a. bronca, mas respirei fundo e disse pausadamente, dentes semi-cerrados:
- Vocês querem ver a Mamãe virar uma onça, é isso mesmo?
- Mas você sabe se transformar em onça, Mamãe?
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Em outra ocasião, certamente mal-humorada, comentei:
-Ai, tô verde de fome!
- Não, Mamãe, você tá bege.
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A primeira quebrada de perna veio do Pedro, o menino doido para ver uma onça. E, a segunda, veio do Joaquim, rapazinho que sabe tudo sobre as cores.
Esses momentos são dos mais deliciosos de toda a minha vivência da maternidade. As crianças são extremamente literais, o que eleva a fofura em grau máximo diante da pureza e da inocência das observações e das falas. Por outro lado, imagino que eles possam se sentir um pouco desamparados ou desprotegidos (algum termo mais adequado?) pela imaginação e pela fantasia geradas pela fala de um adulto. Quão assustador é imaginar uma mãe se transformando em uma onça? Ou ficando verde?
Na dúvida, sou literal:
-Mamãe vai precisar dar outra super bronca em vocês?
-Ai, a barriga da Mamãe está doendo de tanta fome!!
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Figuras de linguagem à parte, passamos às “lendas urbanas” que os pais, professores e responsáveis contam por aí.
Manuela não podia ver uma gota de água pingando que saía gritando aos 4 ventos:
-Pára! Pára! Fecha essa torneira! Assim vai acabar a água do planeta!
Novamente, na imaginação e na fantasia de uma criança, não deve haver tragédia que se compare ao fim da água do planeta. Até que, novas sinapses se conectam, a criança passa uns bons muitos dias de muita chuva na praia e conclui:
- Mamãe, sabia que a minha professora contou uma mentira?
Resolvi investigar, vai que dá para reaver o dinheiro da matrícula, né?!
- Jura, Manu? Que mentira ela contou?
Mocinha toda esclarecedora, determinada e firme em suas idéias:
-Ela falou que se deixar torneira aberta ou pingando, ia acabar a água do planeta, mas eu descobri que era tudo mentira. A água que a gente usa, a chuva traz de volta.
(Argumento eco-sustentável foi, literalmente, por água abaixo!).
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Tem o papo da lagartinha também. A tal que vem à noite e come os dentinhos de quem não os escova direito antes de dormir. Ninguém tem intenção de assustar as criancinhas, mas a gente preza pelos cuidados com os dentes, fica querendo incentivar uma boa escovação e… apela para a lagarta. Tsc, tsc, tsc. A estratégia caiu por terra quando fui colocar os meus filhos para dormir, pedi um beijo para cada um deles, mas o meu pedido foi negado: eles estavam cobrindo suas bocas com as mãos para a lagartinha não vir no meio da noite…
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E é com as próprias crianças que eu aprendo como educá-las e cuidar delas. Nada de “mentirinhas” ou figuras de linguagem. Sejamos literais, até certa idade, é claro e falemos sempre a verdade: se não escovar os dentes, vai ter que enfrentar o motorzinho do dentista! (Se bem que eu acho a lagartinha bem mais simpática do que o motor do dentista…).
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E esse post me lembrou dois livros que estão entre os nossos favoritos. O primeiro, “Uma Lagarta Muito Comilona” (Eric Carle, Ed. Kalandraka Brasil), conta a história de uma lagarta que come de tudo, menos dentes de crianças, ufa! O livro da lagarta é recomendado para crianças a partir de 3 anos, mas acho que os menores podem curtir também, principalmente pelas ilustrações.
E o segundo, “Quando Mamãe Virou Um Monstro” (Joanna Harrison, Ed. Brinque Book), fala sobre uma mãe desesperada com a bagunça que os filhos fazem e com a vinda dos sobrinhos para tomar lanche. Ela vai se transformando ao longo da história e pode até assustar um pouco, mas o final e a moral são interessantes. Leitura recomendada a partir dos 3 anos (acho meio cedo, minha opinião! Acho que para essa fase etária é que pode assustar!).
Eu costumo dizer que não é complicado desfraldar filho. Difícil mesmo é não REFRALDAR. Além dessa conclusão pessoal, acrescento que os filhos podem desfraldar, refraldar, desfraldar novamente, fralda do dia, da noite e, ainda assim, não aprendem a dar a descarga. Eles aprendem a fazer as devidas necessidades na privada, até lavam as mãos, mas o negócio todo permanece lá na privada. Meninos e meninas. Não sei se é uma pegada eco-sustentável, planejamento financeiro/economia doméstica, mas sei que, TODOS OS DIAS, lá pela hora do almoço, ando pela minha casa, passo por todos os banheiros e todas as privadas estão amarelinhas, falando no modo otimista. Já conversei taaaanto sobre isso, ameacei não dar a sobremesa para quem não der descarga, mas assim é que tem sido.
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No final do ano passado, eu já preocupada com um assunto dos meninos, fui chamada na escola para uma reunião “extraordinária” e descobri que não estava enlouquecendo à toa: o mesmo problema que me preocupava, preocupava também a atenciosa professora. A questão tratava da fala dos meninos. Eles cometem algumas trocas quando se expressam, tudo natural, comum e até esperado para a idade deles. Porém, quando não são compreendidos e alguém pergunta “o que você falou?”, eles se inibem, travam e não falam mais.
Era caso de indicação de terapia com uma fono, não pela idade, mas por essa questão de comunicação, do social e tal. Eu queria – a qualquer custo! – que o Joaquim e o Pedro iniciassem as sessões com a fono em dezembro, o que me rendeu o apelido de “louca-exagerada-neurótica-maluca”, afinal de que adianta fazer umas duas sessões de fono em dezembro, daí vem as férias e tudo o que foi trabalhado é perdido ou esquecido? Fiquei sem dormir, insisti horrores, convenci a todos de que o caso era gravíssimo e que precisava de intervenção imediatamente.
Os meninos não falavam a letra “L”. BOLA era BÓIA, MANUELA era MANUEIA, LÁPIS era IÁPIS e assim por diante.
Venci a batalha e agendei as sessões com a fono em dezembro mesmo, exatas duas sessões. Na primeira delas, exatos 45 minutos depois, eles aprenderam a falar o “L”. BOLA é BOLA, MANUELA é MANUELA, LÁPIS é LÁPIS e não houve tempo de férias suficientes para “estragar” o trabalho da fono.
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Quarenta e cinco minutos para aprender a falar. Dois anos e não aprenderam a dar descarga.
Acho que as férias começaram de verdade após uma conversa comum com um tio-avô das crianças. Ele me disse que “criança muda de patamar nas férias” e eu tomei aquela frase como uma verdade absoluta.
Mãe de três e ansiosa que sou, observei durante todos os dias desses dois meses de férias se houve alguma mudança de patamar. Mais ainda, o que haveria lá em cima desse novo patamar?
O novo patamar da Manu é bastante explícito: a mocinha aprendeu a nadar! Criou coragem, adquiriu segurança, bate os bracinhos e as perninhas sem parar atravessando a piscina inteira! Grande conquista, que me emociona a cada braçada, mas tem um aspecto interessante aí. Sabe, faz tempo que me dedico às aulas de natação das crianças, duas vezes por semana. Faz mochila, acorda cedo, arruma todo mundo, leva, assiste à aula, torce, incentiva, tira da piscina, dá banho, troca, arruma, seca o cabelo, penteia… E, apesar de todos os meus esforços, Manuela morria de medo, ficava agarrada ao pescoço da professora e não se soltava ou se arriscava por nada. Bastou o Maridinho se dedicar intensiva e integralmente às aulas de natação na piscina ao longo das férias e, surpresa!!! A menina aprendeu a nada em poucos dias! Enfim, fecha parênteses, assunto para outro post.
Voltando aos patamares, fiquei caçando os dos meninos. A verdade é que não aconteceu nada grandioso como aprender a nadar, entendem?! Estaria a minha verdade absoluta fracassando? Foi na última noite da nossa viagem, quinze dias na praia, só nós cinco, em que eu deitei a cabeça no travesseiro e comecei a retomar tudo o que fizemos durante esses deliciosos dias. Caramba, quantos patamares! Como foi que eu os perdi e não os identifiquei antes? Ou na hora em que aconteceram? Nem consegui registrá-los em foto ou vídeo…
As férias nos proporcionaram dias sem pressa, rotina, compromissos e nem mesmo rigidez de horários. O oposto disso tudo é aquela correria maluca do dia-a-dia, em que crianças ainda pequenas têm hora pra comer, tomar banho, brincar, dormir e etc. O meu maior erro nesses momentos é de botar a mão a fundo na massa e fazer tudo por eles, justamente para não perder a hora. Quando eu pude “perdê-la”, descobri que eu não preciso fazer nada pelos meninos, ou muito pouco. Esses moleques comem sozinhos, tomam banho por conta própria, assim como se vestem! Querem mais patamares do que esses incríveis três? Ok! O Joaquim e o Pedro adquiriram um humor mais maduro, digamos assim. Agora entendem a graça das piadas e saem contando as que aprenderam por aí. É realmente muito divertido e passamos alguns jantares rolando de rir com eles e com as piadinhas para crianças!
Aprenderam também técnicas mais “avançadas” para construir castelos de areia mais fortes e poderosos. Há outras técnicas: as de caçar siri e peixinhos nos baldinhos (que depois são devolvidos para a natureza, como implora a exigente Manu!).
Aprenderam a negociar e questionar com maestria, nada passa batido: da sobremesa, ao restaurante, ao sabor do picolé, tu-do, tu-do é motivo de questionamento e negociação, naquela eterna canseira de argumentação que os pais conhecem melhor do que ninguém.
Mais do que tudo isso, os meus filhos são companheiros. Não apenas entre si, mas para nós, os pais. Eu nunca imaginei que uma fase com essa aconteceria tão cedo na minha experiência com a maternidade. Achei que viria bem mais para frente, passada a “rebeldia” da adolescência, os filhos já adultos, esses sim seriam companheiros. Eu estava muito errada e, que bom! É uma sensação inexplicável essa de enxergar os filhos como companheiros. E que isso não seja uma fase, desejo que não passe nunca e que seja a minha outra verdade absoluta.

O companheirismo, ou a minha verdade absoluta.