A verdade sobre o Papai Noel

(Obs: esse post contém spoilers.)

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Foi em uma manhã do comecinho de dezembro do ano passado – aquela época em que começamos a chantagear falar com as crianças sobre a vinda do Papai Noel com o seu saco de presentes – em que a Manu me confrontou antes mesmo da minha tão necessária xícara de café. Tava eu de pijama em pé na cozinha e a garota me pergunta, sem preparo algum:

- Mamãe, fala a verdade, por favor, o Papai Noel existe?

Como psicóloga e mãe despreparada que sou, devolvi a pergunta, mas não adiantou nada:

- Por favor, Mamãe, me fala a verdade!

Nesse momento, percebi as lágrimas quase escorrendo do rostinho da minha filha. Desisti do café, peguei-a pela mão e fomos conversar no meu quarto.

Novamente, mas agora chorando:

- Mamãe, as minhas amigas disseram que o Papai Noel não existe! Nem o Coelho da Páscoa e nem a Fada do Dente. Elas disseram que quem faz tudo é o pai e a mãe. É você mesmo?

Não dava mais para enrolar, né?!

- Sim, Filha, sou eu.

Fui surpreendida por um abraço longo, apertado e um “obrigada por me contar a verdade” aliviado e ainda entre lágrimas. E, como não poderia deixar de ser, ainda prometeu não contar a verdade aos irmãos: “eu sei o quanto isso é importante para eles…”.

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Essa história toda vai muito além de deixar de acreditar em Papai Noel.  Me dá uma tristezinha notar que as fantasias e a imaginação vão aos poucos perdendo espaço na cabecinha da minha Manu. A inocência da infância vai acabando e dando espaço a um pensamento mais complexo e racional.

A parte boa de ver os filhos crescerem tanto e tão rápido é perceber a relação que acabamos estabelecemdo com eles. Confiança e cumplicidade são conquistas que devemos comemorar, seja lá na relação que for. E não há nada mais gratificante do que ver essas sementinhas brotarem. A gente plantou lááá atrás, regou todos os dias, de maneira incansável e aí estão os frutos. Pode ser que a fantasia e a imaginação acabem, ou precisem de um esforço a mais na vida adulta, mas as pessoinhas bacanas que colocamos no mundo permanecem.

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