A HISTÓRIA DA ESTRELINHA E AS OUTRAS HISTÓRIAS

Foi na saída da escola, em uma sexta feira, em que fui buscar a Manu e encontrei a minha filha chorando. Ela voltou aos prantos no carro me contando que o Edson pegou um microfone e avisou que estava indo embora do colégio e queria se despedir das crianças.

O Edson era o porteiro da escola, daquelas figuras carismáticas, sempre bem humorado, simpático e sorridente. Aparentemente, nada abalava o seu humor e eu era obrigada a abrir a janela do carro diariamente, na hora da entrada e da saída para que a Manu pudesse cumprimentá-lo.

Ela passou o fim de semana fazendo cartões de despedida para ele e me pediu para tirar uma foto de recordação.

Na segunda feira seguinte, o dia da entrega dos cartões e da foto, chegamos no portão da escola e nada do Edson. Havia uma caricatura dele lá, um ser que jamais conseguiria adquirir o carisma e a simpatia dele. Ainda assim, ele esforçava-se em acenar para as crianças que chegavam.
A decepção foi instantânea e os cartões continuam guardados em casa, “vai que um dia o encontramos por aí“, disse uma Manu triste.

Soube que ele voltou para a sua cidade natal, que sentia falta da família. Posso imaginar! Bom pra ele, de  coração!

Algumas semanas depois, em outra sexta feira, novamente na hora da saída da Manu, vou buscá-la e a encontro chorando. Ela volta também aos prantos no carro me contando que a Florzinha, a vaquinha da fazendinha da escola está muito grande e vai embora para uma fazenda maior e mais espaçosa. Manuela entendeu exatamente o motivo, pôde alimentar a Florzinha uma última vez e despediu-se dela. Mas estava claramente inconformada!

Quando estacionei o carro na garagem, falei para ela pular para o banco da frente ao meu lado. Ofereci uma balinha, daquelas que a gente guarda para as situações de emergência (como essa!) afinal, açúcar cai bem nessas horas. Permiti que ela escolhesse uma música no meu ipod para ouvirmos juntas. Ela foi de Jason Mraz, essa linda aqui. Achei a escolha bem apropriada, apesar de nunca ter prestado muita atenção à letra, mas só de ouvir a frase “you can always come back home” a sensação é do mais puro acolhimento.

Era só isso o que eu poderia fazer pela minha filha: acolhê-la.

Não havia o que fazer para mudar os destinos ou decisões do Edson e do Florzinha.

*****

Além daqueles assuntos “como são feitos os bebês?” e “como eu fui parar na sua barriga?”, sempre imaginei que falar sobre morte com as crianças seria a conversa mais difícil que eu poderia enfrentar como mãe. Mas depois dessas experiências, percebo que contar a história de alguém querido que virou uma estrelinha e foi morar no céu junto com o Papai do céu nos oferece uma direção mais clara para olhar na hora da saudade.

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  • Dani Consuelo

    • Marlene Casagrande Bortolin

      Que texto delicado, assunto delicado, situação delicada, né?
      Eu ouvi essa frase “crescer dói” da coordenadora da nova escola da minha filha e é a mais pura verdade!
      Explico: Júlia mudou de escola, apos 3 anos com a mesma turma, saiu de uma pequena e aconchegante, onde conhecia todo mundo para uma escola grande e com tantos alunos, profes e funcionários que se assustou. E assim como a Manu, ela adorava a “tia da porta”, a “tartaruga de estimação” da escola, entre outros…a diferença é que no nosso caso foi a Juju quem saiu e tbem saiu aos prantos!
      Bjo!

  • Karin – Mamãe & Cia

    Hmm… fiquei emocionada com a Manu daqui viu! Situação que corta o coração de qualquer um né!
    Realmente a vida de mãe é cercada de mais desafios que podemos imaginar!

    Beijos
    Karin

  • Bruna

    Ooo tadinha da Manu,

    Mas eles precisam amadurecer né e certas situações devem ser muito complicadas mesmo para explicar. Ainda não sou mamãe, mas posso imaginar.

    Tenho um blog de artigos de decoração infantil, se vc quiser dar uma olhada será muito bem vinda http://minhafestababy.blogspot.com.br/

    Beijoos

    =)

  • Greice

    que coisa linda!!! Me emocionei!!!