Permanent Link to "> O BALANÇO DAS FÉRIAS

Acho que as férias começaram de verdade após uma conversa comum com um tio-avô das crianças. Ele me disse que “criança muda de patamar nas férias” e eu tomei aquela frase como uma verdade absoluta.

Mãe de três e ansiosa que sou, observei durante todos os dias desses dois meses de férias se houve alguma mudança de patamar. Mais ainda,  o que haveria lá em cima desse novo patamar?

O novo patamar da Manu é bastante explícito: a mocinha aprendeu a nadar! Criou coragem, adquiriu segurança, bate os bracinhos e as perninhas sem parar atravessando a piscina inteira! Grande conquista, que me emociona a cada braçada, mas tem um aspecto interessante aí. Sabe, faz tempo que me dedico às aulas de natação das crianças, duas vezes por semana. Faz mochila, acorda cedo, arruma todo mundo, leva, assiste à aula, torce, incentiva, tira da piscina, dá banho, troca, arruma, seca o cabelo, penteia… E, apesar de todos os meus esforços, Manuela morria de medo, ficava agarrada ao pescoço da professora e não se soltava ou se arriscava por nada. Bastou o Maridinho se dedicar intensiva e integralmente às aulas de natação na piscina ao longo  das férias e, surpresa!!! A menina aprendeu a nada em poucos dias! Enfim, fecha parênteses, assunto para outro post.

Voltando aos patamares, fiquei caçando os dos meninos. A verdade é que não aconteceu nada grandioso como aprender a nadar, entendem?! Estaria a minha verdade absoluta fracassando? Foi na última noite da nossa viagem, quinze dias na praia, só nós cinco, em que eu deitei a cabeça no travesseiro e comecei a retomar tudo o que fizemos durante esses deliciosos dias. Caramba, quantos patamares! Como foi que eu os perdi e não os identifiquei antes? Ou na hora em que aconteceram? Nem consegui registrá-los  em foto ou vídeo…

As férias nos proporcionaram dias sem pressa, rotina, compromissos e nem mesmo rigidez de horários. O oposto disso tudo é aquela correria maluca do dia-a-dia, em que crianças ainda pequenas têm hora pra comer, tomar banho, brincar, dormir e etc. O meu maior erro nesses momentos é de botar a mão a fundo na massa e fazer tudo por eles, justamente para não perder a hora. Quando eu pude “perdê-la”, descobri que eu não preciso fazer nada pelos meninos, ou muito pouco. Esses moleques comem sozinhos, tomam banho por conta própria, assim como se vestem! Querem mais patamares do que esses incríveis três? Ok! O Joaquim e o Pedro adquiriram um humor mais maduro, digamos assim. Agora entendem a graça das piadas e saem contando as que aprenderam por aí. É realmente muito divertido e passamos alguns jantares rolando de rir com eles e com as piadinhas para crianças!

Aprenderam também técnicas mais “avançadas” para construir castelos de areia mais fortes e poderosos. Há outras técnicas: as de caçar siri e peixinhos nos baldinhos (que depois são devolvidos para a natureza, como implora a exigente Manu!).

Aprenderam a negociar e questionar com maestria, nada passa batido: da sobremesa, ao restaurante, ao sabor do picolé, tu-do, tu-do é motivo de questionamento e negociação, naquela eterna canseira de argumentação que os pais conhecem melhor do que ninguém.

Mais do que tudo isso, os meus filhos são companheiros. Não apenas entre si, mas para nós, os pais. Eu nunca imaginei que uma fase com essa aconteceria tão cedo na minha experiência com a maternidade. Achei que viria bem mais para frente, passada a “rebeldia” da adolescência, os filhos já adultos, esses sim seriam companheiros. Eu estava muito errada e, que bom! É uma sensação inexplicável essa de enxergar os filhos como companheiros. E que isso não seja uma fase, desejo que não passe nunca e que seja a minha outra verdade absoluta.

O companheirismo, ou a minha verdade absoluta.

O companheirismo, ou a minha verdade absoluta.

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