A MOCHILA PINK-BRILHANTE DA BARBIE QUE A MINHA FILHA AINDA NÃO QUER

Esse ano escolar que iniciou muito recentemente é o meu 5º. como mãe de pequenos “estudantes”. Nos 4 anteriores, não precisei me preocupar com mochilas para os meus 3 filhos, pois eram obrigatoriamente padronizadas com cores e logo da escola e incluídas na taxa de material, iniciativa que me agrada bastante.

Porém, Manuela acabou de ingressar no ensino fundamental e as coisas mudaram: liberaram as mochilas! Proibiram as de rodinhas e determinaram um certo tamanho, para que os livros didáticos (minha filha usa livros didáticos e eu vou demorar o ano todo para me acostumar a isso) e a pasta de lição de casa caibam sem que nada amasse. Mas, o “tema” da mochila é absolutamente livre.

Detalhe: descobri isso UM dia antes das aulas começarem.

Abre parênteses: optei pela compra do material escolar na papelaria da escola. Comprei há um tempão, chequei item por item e tudo ok. Saí de lá apenas com a sacola dos livros didáticos (eles, de novo. Quando vou me acostumar?), o restante seria entregue em sala de aula. Não entendi o motivo de levar os livros para casa, mas achei legal tê-los, mostrá-los para a Manu e admirá-los (vai que eu me acostumo, né?!). Fecha parênteses.

Voltando para a reunião UM dia antes do início das aulas, descubro que aqueles livros didáticos passaram bom tempo das férias na minha casa pelo nobre motivo da necessidade de encapá-los e identificá-los. Ou seja, pareço boa mãe, mas não sei que livros didáticos devem ser encapados, etiquetados com o nome da minha filha e entregues no primeiro dia de aula.

Comprei todo o contact disponível na papelaria, virei a noite encapando livros didáticos e a minha filha se livrou do bullying do primeiro dia de aula.

Agora, voltemos à mochila.

Tinha uma em casa que se enquadrava no perfil solicitado, sem rodinhas e de bom tamanho. Estava novinha e tinha o desenho de uma princesa Disney que faz sucesso por aqui. Não é a princesa da última moda, ela já é quase vintage, por dizer. Mas estava em perfeita condição de uso, nem me preocupei muito, ou mesmo ofereci outra opção para a Manu.

Penso que uma abordagem para esse assunto poderia ser:

- Manu, você agora vai poder usar a mochila que quiser na escola! Vamos sair, escolher e comprar uma nova?

Mas optei pela seguinte:

- Filha, você vai poder usar a mochila que quiser na escola! Mas não poder ter rodinhas e precisa caber os seus livros e a sua pasta de lição de casa. Aquela da Ariel é perfeita! Você me ajuda a arrumar a mochila para o seu primeiro dia de aula?

Ela nem questionou, adorou me ajudar e desfilou feliz da vida com a Ariel nas costas.

No tão esperado primeiro dia de aula, chegamos à escola e notei um verdadeiro desfiles de mochilas modernas e coloridas, dos personagens da última “moda”. Vejam bem, EU notei. E é verdade que me preocupei que a Manu também notasse e quisesse a mochila da Barbie Pop Star ou da Merida, sei lá! Mas ela estava tão feliz com a Ariel – que nem rosa é! – e não ligou para o resto.

A verdade verdadeira é que eu não acho essas mochilas de personagens, as de meninos principalmente, a opção mais bonitinha para levar na escola e, muito menos considero o preço justo para carregar um feioso Ben 10 nas costas. Eu não compro, eles sabem disso, mas não proíbo de usar, caso sejam presenteados.

Ainda assim, no momento em que visualizamos tantas mochilas cheias de brilho e de muito rosa, cheirando à loja, fui tomada por uma fraqueza e por um medinho de que a Manu quisesse a última da Barbie-pink-brilhante do momento.

*****

A minha mãe é a pessoa menos consumista do mundo. Além dessa característica, também é cheia de princípios sobre o assunto. O fato dela usar (até hoje!!) um casaco de inverno que é mais velho do que eu, é piada na família, coisa que ela bem justifica:

- Ué, o casaco me serve, é bonito, está em bom estado e me esquenta bastante, porque eu não o usaria?

Essa é a minha mãe.

Porém, em uma ocasião em que eu poderia ser presenteada, algum aniversário durante a minha adolescência, eu imagino, fomos comprar o tal presente. A moda era ser grunge e eu queria seguir a moda. Escolhi um tênis preto de couro, cano alto, da moda e super caro. Ela torceu o nariz, mas me deu o tênis. Por um momento, achei que a minha mãe estava de fato satisfeita com o presente que havia me dado e quis me certificar:

- Gostou, Mãe?

Ela rebateu:

- Gostar mesmo, eu não gosto, não. Mas se é isso que você quer, fico feliz em te dar.

*****

Todos os pais têm os seus princípios e se esforçam em passá-los aos filhos. Consumismo e “mimo negativo” passam longe do árduo trabalho de educação que eu prezo, valorizo e coloco em prática com os meus filhos. Mas a sensação é de uma total reviravolta de atitudes diante da mínima hipótese de imaginar os tão amados filhos sendo “os diferentes”.

Dê sua opinião também » 18 já comentaram.


  • http://www.facebook.com/marianamsa Mariana Machado de Sá

    Camila, adorei o texto, a sua atitude e a sua iniciativa de expor que muitas vezes a demanda é nossa – o consumismo é nosso mesmo!!! Pereceber isso é o nosso grande desafio…
    Uma coisa me deixou curiosa (e preocupada!): você sabe porque as rodinhas são proibidas?
    Beijocas e saudade!!!

    • http://www.mamaetaocupada.com.br/ Mamãe tá Ocupada!!!

      Oi, Mari! Todas as mães questionaram sobre as rodinhas e acho q faltou isso mesmo no post. Eles justificaram pelo fato das crianças serem ainda relativamente pequenas para coordenar mochilas de rodinhas pela escola e alguns “acidentes” podem acontecer. Eles tomam esse cuidado e tbem com o peso da mochila nas costas dos alunos, pois só carregam a agenda e a pasta de lição de casa, fica tranquilo de carregar! Super bjo!

  • http://www.facebook.com/natalialippolis Natalia L. P. Almeida

    Verdade, temos q equilibrar daqui, e mais ali… Tem o q a gente pensa, e tem tb o senso comum da turma deles, rsrs… Uma pergunta muito deep: como encapa com contact SEM enrugar??

    • http://www.mamaetaocupada.com.br/ Mamãe tá Ocupada!!!

      Natália! Menina! Sou profissional em encapar com contact sem deixar enrugar, hahaha! O segredo é cortar o contact antes e deixar só 1 cm de sobre para dobrar, sabe? Daí, vc vai soltando o papel aos pouquinho, não pode tirar tudo de uma vez. Vai soltando e passando a régua. Tem q ter paciência, mas funciona! Deu pra entender? Consegui explicar? Qquer coisa, me fala! Bjao!

  • Marcela

    Oi Camila! Parabéns pela iniciativa… temos q plantar essa semente mesmo… e ficamos tão satisfeitas quando nossos filhos compreendem esse propósito né?
    Esse ano a Mariana vai usar a mesma mochila e lancheira do ano passado (que estão super inteiras), apenas lavamos e expliquei que ainda estavam boas e ela topou na hora, sem argumentar sobre as tais mochilas brilhantes!
    Beijos

  • Julia Costa

    Camila, que post mais sincero! Entendo como deve ter se sentido, mas tente sair da situação, olhe de fora, do alto: a Manuela estava tão feliz, para que se preocupar? Acredite, crianças são seres superiores. :) A maldade está na cabeça dos adultos. Na nossa cabeça. :) Além do mais, dependendo da ocasião, ser diferente é o máximo, não é, não? rs

  • Maria Thereza Pinel

    Você tocou num ponto muito bom Camila!

    Essa vontade que temos em dar algumas coisas para os nosso filhos sem mesmo que eles nos peçam, ou ainda precisem!

    A Lara não pede quase nada e por isso mesmo quando ela pede e eu vejo que pode ser legar dar aquilo (e claro, que eu tenho dinheiro), eu dou, porque a sua mãe está mais que certa: ficamos felizes em dar aquilo que eles querem.

  • Celi Oberding

    Oi Camila! Primeiramente quero agradecer sua visita no meu blog. Foi uma surpresa e fiquei feliz, já que vc também é mãe de três e temos alguns pontos em comum…rs
    Adorei sua atitude de nem questionar a Manu, de começar a organizar todo o material e levar na maior naturalidade. Afinal, já tinham uma mochila. Que bom que Manu foi feliz da vida e não ficou solicitando que comprasse isso ou aquilo. Acho que é o melhor que temos a fazer nos dias de hoje. Valorizar muito mais o ser do que o ter. Sabe que aqui na Alemanha as pessoas são assim…. principalmente as mais velhas. Morri de rir com a história do casaco, pois identifiquei tantas pessoas assim. Nem imagina como as pessoas usam anos e anos o mesmo casaco aqui na Alemanha. Dizem a mesma coisa, enquanto servir, esquentar estará ótimo!
    Beijos para todos vocês.

  • Juliana

    Encontrei este vídeo sobre o assunto… É um documentário bastante interessante.

    http://youtu.be/49UXEog2fI8

    Abraços
    Juliana

  • http://www.vidadegestante.com.br Mariana Sotero Bonnás

    Cá, adorei o texto, mas uma coisa me intrigou do começo ao fim: por que a escola não permite mochilas de rodinhas, sendo que elas são muito melhores para as crianças? Bem se sabe que o peso das mochilas nas costas prejudicam a postura e a coluna e por isso a invenção das mochilas de rodinhas.
    Fiquei curiosa, você questionou isso na escola?
    Beijos
    MaH

    • http://www.mamaetaocupada.com.br/ Mamãe tá Ocupada!!!

      Oi, MaH! Obrigada pelo comentário! A Mariana fez exatamente a mesma pergunta, assim como todas as mães na reunião. O comentário da Mari é o primeiro do post, respondi e expliquei lá pra ela, dá uma olhadinha! Bjao!!

  • Marlene

    Adorei o post, me identifiquei com ele, pois a minha filha tbem não fez questão dessa mochila da moda, aliás ela ia amar a mochila da Ariel, sua princesa favorita no momento (rsss).
    Eu estava super indecisa, comprar ou não comprar uma mochila dos sonhos pra ela, devido ao fato de ela estar mudando de escola, saindo da ed.infantil e entrando numa escola grande, com grupo de alunos já formado, tendo que fazer novos amigos, nova adaptação, enfim não queria mais essa situação pra ela resolver. E lá fomos nós comprar mochila e lancheira (outra novidade, pois na escola anterior era fornecido lanche), confesso que me assustei com os preços e já estava ficando deprimida, afinal tínhamos que comprar novo uniforme também, e o material escolar! Afff….
    Depois de entrar e sair em tantas lojas, numa delas Juju se encantou por uma mochila c/ lancheira lilás, linda, da Barbie e melhor: na promoção, pois era, digamos “fora de moda”, de um filme anterior ao do momento, e pronto fui salva!
    No 1º dia de aula notei realmente a febre “pink-brilhante” e Júlia toda feliz da vida, pois só ela tinha uma mochila lilás!
    Acredito que os adultos valorizem mto mais esses “detalhes” que a criança, se a gente levar na boa, com tranquilidade tudo se resolve, né não?
    Agora uma dúvida, em relação aos livros didáticos, não entendi… Vc não gosta? o que acha que seria mais adequado?

    • http://www.mamaetaocupada.com.br/ Mamãe tá Ocupada!!!

      Oi, Marlene! Te entendo muito! A mínima possibilidade dos nossos filhos serem “diferentes” ou “excluídos” pode nos levar a fazer cada uma, né? Tenho a mesma sensação q você! Quanto aos livros didáticos, não tenho nada contra, não! Tava só apontando mais um sinal de q a minha filhinha, ontem um bebê, cresceu rápido demais e já usa livros didáticos! Como faz para parar tempo? Bjao!

  • Dani Consuelo

    Ahhhh Camila! Veja bem eu costurei a fantasia de carnaval da minha filha! Primeiro, eu acho essas fantasias prontas horríveis! Depois as considero absolutamente caras! Um despropósito, como bem disse vc,uma barbie rosa cheia de brilhos nao vale quase 200 reais! Nem pra quem tem, nem pra quem nao tem! Bem enfim fiz uma minnie linda, aproveitei o tecido e fiz mais pra afilhada, sobrinha e a filha de uma amiga, ficaram muito bonitinhas mesmo, mas chegando a escola pro bailinho de carnaval acho que tive a mesma sensação q vc, nao quero que meus filhos sejam iguais a ninguém mas tb nao quero que sejam apontados como os “diferentes”, é bem complicado né?! Eu passei o carnaval todo tentando descobrir se o que eu to fazendo é legal ou nao, se é bacana ou nao….bj

    • http://www.mamaetaocupada.com.br/ Mamãe tá Ocupada!!!

      Dani, q máximo!!! Queria ter o talento para fazer coisas assim! As fantasias prontas são feiosas e caras mesmo, concordo! Acho bem mais legal fazer do nosso jeito, com a nossa cara, mas acho q a sua sensação foi bem parecida com a minha. Lembrei q na festa junina a minha filha, comprei uma camisa xadrez e costurei uns retalhos em uma saia, ficou uma graça! Na hora da festa, estavam todas as meninas com aqueles vestidões comprados prontos. Acho q já rolounm estranhamento da minha parte naquela hora… Super e obrigada pelo comentário!

  • Ana Carolina Garcia dos Santos

    Vivas para vc e para a Manu, Camilitcha!
    Nós temos que lutar tanto contra o consumismo desenfreado e as modas e propagandas todas, que a reação da manu foi um presente. dos grandes.
    isaac esse ano foi comunicado que usaria a mesma mochila do ano passado. está nova, está em ordem e serve muito bem.
    ele aceitou. foi feliz pra aula. mas no primeiro dia já voltou com o papo “todos os meus amigos ganharam mochila nova, só eu que não”.
    triste.
    bjocas

  • http://www.facebook.com/michele.melao.1 Michele Melao

    Oi Camila! Muito bom seu texto… engraçado que consegui me ver no seu lugar. Minha filha tem 4 anos e infelizmente as mochilas já são liberadas na escola dela! Na hora da compra eu vi e adorei a mochila da Ariel (rsrs) mas fui voto vencido! A da Barbie Pop Star foi um sucesso só… o olho da minha pequena Laura (assim como a mochila) brilhavam… e os olhos da vendedora também, já que era uma das mochilas mais caras que já vi na minha vida!

    Vou ser muito sincera… me sinto numa batalha diária tentando colocar valores que considero realmente importantes na cabecinha da minha filha enquanto vejo que a informação e as novidades chegam cada vez mais rápido… muitas vezes mais rápido que eu!

    Adorei o texto!

    Beijos

    Michele

    (www.lambendoaminhacria.com.br)

  • http://www.facebook.com/mariachiquinha Maria Chiquinha

    Se sua filha gostou, está feliz e não percebeu isso como um problema então não há um problema. Na minha opinião ser diferente é legal, é exclusivo e original. Eu adoro fazer as coisinhas da minha filha de um jeito diferente, as vezes eu mesmo desenho (já que trabalho com design gráfico) crio personagens exclusivos para ela com bichinhos que sei que ela gosta, crio uma identidade para todo o material escolar dela… Isso me preenche muito e faz ser tudo muito especial para ela. Até onde ela estiver feliz e gostar eu farei assim.

    Eu penso que assim você também educa seu filho a dar valor ao que não é industrializado, ao que é único e artesanal, tem muitos valores a ensinar assim…
    até mesmo que nem sempre você terá o que você quer…