O dilema da mãe da revista e de todas (?) nós

Estava eu em um momento de extrema importância da minha vida: a leitura zera QI da semana. Compromisso sério entre eu & eu mesma, tanto que até registrei nesse tal de Instagram (camiladuartegarcia). Depois de terminar uma revista e concluir que eu preciso de sapatos novos, passei para a revista mais “cabeça”, que tem mais textos e menos “figuras”. É a Claudia, antiiiiga companheira e que, neste mês, traz a atriz Claúdia Abreu  na capa, aquela moça que quanto mais velha fica e mais filhos tem, mais bonita me parece.

Há uma seção chamada “Dilema de Mãe” em que uma leitora faz uma pergunta e um especialista responde. A pergunta da vez era: “Sempre brinquei com meu filho de 2 anos ao chegar do trabalho, mas fui promovida e ando esgotada. Explico a ele que tudo mudou?”. O assunto não é nenhuma novidade nesse verdadeiro dilema maternidade x carreira, mas uma frase me chamou a atenção: “A criança pequena não fica brava porque a mãe está no trabalho; ela não tolera que a mãe esteja em casa e não lhe dê atenção.”.

Ouch!

Eu entendo a frase como um abraço nas mães que trabalham fora, mas para as que ficam em casa com os filhos, como é o meu caso, é um choque de realidade.

Eu tenho exatamente essa sensação descrita na frase. Se eu estou em casa, tenho que estar disponível para as crianças, aqueles serzinhos extremamente focados em seus próprios umbiguinhos. Não há motivo para atender o telefone, ou atender o porteiro que veio checar o vazamento do lavabo, ou para fazer a lista do supermercado, ou para tomar um café, ou para sentar no computador e fazer tudo o que a internet nos oferece e consome, ou para jogar Draw Something, ou para assistir 15 minutos de televisão, ou até para fazer xixi! Não pode, não dá, eles não deixam! E isso nada tem a ver com educação, criação ou comportamento, é uma “exigência” dessa faixa etária. É como se eles entendessem que quem está com eles está de fato a total disposição, e trata-se da fase de maior egocentrismo na vida do ser humano, do meu ponto de vista. Se você está por perto, tem que sentar e brincar, não basta estar ao lado vendo TV enquanto uma criança brinca sozinha. Claro que há (raros) momentos em que isso acontece, mas não é o mais comum. Comum mesmo é ouvir “mãe”!”, “mamãe!”, “manhêêêê” o tempo todo em que estiver com eles. (É comum para alguém andar pela casa com filho pendurado em uma das pernas? Me digam que sim, por favor!).

Algumas estratégias são possíveis e interessantes para que a gente possa fazer as nossas coisas do dia-a-dia e o básico é permitir que as crianças participem e ajudem na medida em que a idade deles possa acompanhar. Manuela tem me ajudado a elaborar a lista de supermercado e anota tudo no modo “escrita espontânea” mais lindo do mundo. Os três me ajudam a fazer o lanche, a arrumar a mochila, a separar o uniforme e até a arrumar armários!

O resto a gente deixa para o horário em que eles estão na escola ou dormindo, principalmente pelo que lembrou a especialista da coluna “Dilema de Mãe” deste mês: “Até os 7 anos, a criança vive um período crítico do desenvolvimento psíquico. O convívio com os pais consolida valores que irá carregar pela vida inteira.” E, mais um abraço: “O trabalho materno hoje traz um valor positivo para a autoestima infantil. Os pequenos se ressentem da ausência da mãe, mas, por volta dos 7 anos, orgulham-se por ela ser uma profissional bem-sucedida”.

Seja lá qual for o formato de maternidade adotado e escolhido, nunca é ou será fácil equilibrar e conciliar.

Dê sua opinião também » 8 já comentaram.


  • Renata

    Nossa, amei o post. Ontem tivemos um caso assim em casa…sai para uma palestra e Manu ficou com o meu marido, que o tempo tdo ficou no computador. E ela andando que nem barata tonta, clamando por atençao. Ate que numa hora, ela simplesmente deitou no chao e dormiu. Meu marido ficou arrasado quando percebeu o que tinha feito….qdo cheguei, ele veio me contar quase que as lagrimas. Mas aprendemos, os dois, quando estamos em casa e Manu esta acordada, temos que estar disponiveis pra ela.

  • Juliagscosta

    É complicado, Camila! Mas como você mencionou “faixa etária”, eu imagino que em algum momento isso vá passar. E mais… uma criança tão pequena não tem como decidir o que é certo e o que é errado, né. Uma coisa é você saber que eles querem a atenção TODA para eles, outra coisa é você se culpar – não que seja o seu caso – por não conseguir e até não querer dar atenção o tempo todo. O bom foi descobrir que isso é natural da criança e que a gente não é desnaturada se não pode/quer dar atenção 100% do tempo. ;)

  • Vanvan Oliveira Cuttita

    Adorei Camila. Pura verdade. Como voce sabe estou em casa com meu pequeno, e gracas a Deus tenho feito uma diferenca muito grande aos meus enteados tambem, de 8 e 10 anos, que nunca tiveram a mae em casa.
    Eh muito engracado, o Gabe hoje com 2 anos era maluco pelo pai, entao quando ele chegava em casa ou mesmo nos finais de semana eu tinha o meu break necessario e merecido. Agora o jogo se inverteu… se eu tenho que sair eh o maior choro e um mamaeeeeeeeeeeeee….
    Sinto falta de trabalhar, mas aqui minha carrera no futuro sera outra. Eh no futuro mesmo, porque agora a minha prioridade eh me dedicar aos meus pequenos.
    Adoro seus textos.
    Beijos e saudades

  • http://twitter.com/carolinavilar Carolina Vilar

    Perfeito. Disse tudo!

  • Ilanasetton

    Nossa Camila, me identifiquei super com você. Também tenho essa sensação de que, se eu estou com ele em casa, tenho que estar 100% disponível. O que é extremamente desgastante, cansativo e frustante. Pra nós dois.
    Mas é isso: uma escolha minha de acompanhar de perto a primeira infância.
    adorei o texto.
    Beijos

  • http://www.maedacabecaaospes.com.br/ Beatriz

    Querida, esqueceram de nos abraçar!!! As mães que ficam em casa ou trabalham em home office!
    Eu sinto o mesmo, que eles nos querem grudadas. Basta estar em casa. E me sinto culpada se não forneço essa cola grudenta…
    Mas, para trabalhar e fazer um monte de outras coisas que você sabe bem, aprendi a explicar que “mamãe precisa trabalhar”. Ensinar a esperar faz parte não? E orgulho, acho que esses pequenos vão ter da mãe que trabalha fora e da que trabalha em casa, afinal eles nos vêem correndo para lá e para cá, arrumando armário, mochila, gaveta. Acho que o orgulho está mais relacionado com a produtividade do que com o receber um salário. Mas, será que se vc for uma improdutiva, madame de pernas para o ar, eles não acham alguma coisa para se orgulhar??
     Imagino que uma criança cuja mãe trabalhe fora pode se orgulhar dela tanto quanto o pequeno cuja mãe faz um bolo delicioso para receber os amiguinhos… E as que sentam no computador (eu e vc), e dão conta de tudo ao mesmo tempo? Não??? Ah, por favor, me abracem!!!
    Como você disse, toda a escolha requer uma renúncia. Mas a gente faz o possível para abraçar tudo ao mesmo tempo né?
    Beijos
    Bia
    http://www.maedacabecaaospes.com.br

  • Lu Azevedo

    Minna companheira de Draw Something! :D

    Realmente, a tarefa de conciliar não é fácil não, pra ninguém! Aqui Nicolas chegou numa fase muito boa, onde ele brinca 80 % do tempo sozinho sem reclamar, basta estar ali perto. Mas dai veio dona Lily… Que não se contentando sem ser uma baby, decidiu ser uma high need baby… Ou seja, to tentando retomar meu trabalho aos poucos, mas ainda ta difícil… Mas acho que tenho tempo pra correr atras do prejuízo até que eles completem 7 anos e tenham orgulho de mim e do que eu faço, né? :)

    No mais, feliz dia das mães pra vc!

  • Maria Thereza

    Interessantíssimo o post!
    E é exatamente o que eu faço, chamo a Lara para me ajudar a guardar as coisas (arrumar o quarto), cozinhar (‘pega a colher pra mamãe’), e quando eu preciso estudar, ela desenha! =D